domingo, 30 de julho de 2017

31º ASSEMBLEIA DE ANIMAÇÃO BÍBLICO CATEQUÉTICA -REGIONAL SUL 1- CNBB 28 A 30 DE JULHO 2017 - JUNDIAÍ - 2º Dia


Tema: Novas portas para o anuncio do Evangelho
“ Um coração transbordante de alegria, paz e gratidão” (cf.Lc1,46)


2º Dia : 29 de julho


“COMO TUDO CONTINUOU COM MARIA DE NAZARÉ ...”


1.     Oração da Manhã: 





Nos caminhos de Maria - 
Percorrendo as 5 estações - NOS CAMINHOS DE MARIA

OBJETIVO: Rezar os passos de Maria na história da Salvação, fazendo oração pessoal e em silêncio em cada uma das estações montadas a partir de momentos fundamentais da vida da Mãe do Salvador:

OBJETIVO ESPECÍFICO: Fazer o caminho inverso, começando de pentecostes até o anuncio do anjo, evento a partir do qual desenvolveremos nossa formação, falando de Mara como um instrumento de continuidade do Projeto de Deus.







ORAÇÃO CONCLUSIVA:


1ª Colocação: 

NOVAS PORTAS PARA O ANÚNCIO DO EVANGELHO
Assessor: Pe. Roberto Bocalete Power point em anexo

Padre Bocalete retomou a leitura Bíblica Lucas1, 26-37 e iniciou seus trabalhos com o power point: Mergulhar no Mistério da Anunciação e as Portas que nos abrem do jeito de Maria – inspirados em uma Mulher Mística. Lucas 1, 26-37

Foi trabalhado os seguintes tópicos:

  1. SILÊNCIO DE NAZARÉ
  2. ESCUTA DA MENSAGEM DE DEUS
  3. MARAVILHAMENTO E ENCANTAMENTO
  4. REFLEXÃO E MEDITAÇÃO
  5. DÚVIDA QUE GERA  PERGUNTAS
  6. RESPOSTA FECUNDA
  7. SAIR APRESSADAMENTE PARA SERVIR

Relacionando os estudos dos tópicos acima, foi feita a comparação ao Documento 107: A Iniciação à Vida Cristã é uma urgência que precisa ser assumida com decisão, coragem e criatividade. Ela renova a vida comunitária e desperta seu caráter missionário. Isso requer novas atitudes evangelizadoras e pastorais. Para a Igreja, impõe-se a tarefa irrenunciável de oferecer uma modalidade operativa de iniciação cristã que, além de marcar o “quê”, também dê elementos para o “quem”, o “como” e o “onde” se realiza. Dessa forma, assumiremos o desafio de uma nova evangelização, à qual temos sido reiteradamente convocados. (DOC 107, 69)


11h Celebração Eucarística Dom Tomé.


Momento Dom Tomé Ferreira da Silva


Momento da Palavra com Dom Tomé Ferreira da Silva, bispo diocesano de São José do Rio Preto (SP), e Bispo referencial da coordenação da Comissão Bíblico-Catequética do Regional Sul 1 da CNBB.


Tarde - Retomando os trabalhos: 14h



2ª COLOCAÇÃO
Tema: Com Maria queremos envolver em faixas: o cuidado com a Boa Nova que anunciamos e com aqueles à quem anunciamos.
Assessor: Pe. Marcelo Machado

Precisamos viver este tempo também como oportunidade além das dificuldades que nele possam existir, para promover mais qualidade e entusiasmo na missão: “o mesmo Espírito despertará em nós a criatividade para encontrar formas diversas para nos aproximarmos inclusive dos ambientes mais difíceis, desenvolvendo, no ministério, a capacidade de nos convertermos em pescadores de homens”. (CNBB. Projeto Nacional de Evangelização, 2008, 24p.)

“ Uma Igreja mistagógica e materna volta seu olhar para Maria, a Mãe do Evangelho vivente e da Igreja, para aprender dela como ser próxima, carinhosa, solícita e presente em todas as ocasiões... Inspiramo-nos no ‘estilo mariano’ evangelizador:
A) estilo de força e ternura, de justiça e amor, de sensibilidade, que descobre os mínimos sinais do Evangelho, assim como dos grandes acontecimentos;
B) um “cenário” eclesial propício para a evangelização para que a Igreja se torne uma casa para muitos e uma mãe para todos os povos...” (cf. Documento 107 da CNBB, 113-114)
Visita do Bispo Diocesano de Jundiaí Dom Vicente Costa, que estava fazendo visita pastoral na Comunidade local, foi nos visitar e levar seu apoio à catequese. Fotos anexas


Power point em anexo

3ª COLOCAÇÃO
Tema: Fazei tudo o que Ele vos disser: novas portas para o anuncio do Evangelho.
Assessor: Seminarista Tiago Barbosa - Membros da Rede de Comunicação No Meio De Nós

Tiago vem no contesto das mídias, até onde elas são um meio de levar a Palavra, até onde elas unem ou separam.   Hoje vivemos em um ambiente midiático. Facilmente podemos encontrar a presença de diversas mídias, como televisões, smartphones, computadores, tabletes etc.
No entanto, o ambiente midiático só é formado quando interagimos com estes aparelhos, pois sozinhos eles nada realizam. Como usar a mídia a nosso favor, ou como ela pode ser contra em nossa realidade e influenciadora em todos os sentidos.

Power point em anexo

Vamos pensar juntos... Cochicho  Questões para discussão
         Quais as novas portas que temos utilizado para anunciar o Evangelho?
         Como elas estão sendo usadas?

4ª COLOCAÇÃO
Tema: Diante das portas da dor e do sofrimento, permanecer de pé junto a eles.
Assessor: Pe Vladimir Barbosa Hergert

Padre Vlademir, comenta que estamos refletindo as portas em nossa caminhada,  porém ele gostaria de fazer uma relação com os muros, que quando existe a dor, parece que não tem fim, não tem uma saída é um muro tão grande e sem solução, que temos que enfrentar.

Um adiaphoron é uma saída temporária de nossa própria  zona de sensibilidade; a capacidade não reagir, ou de reagir como se algo estivesse acontecendo não com pessoas, mas com objetos físicos, coisas, e não seres humanos.

Adiaforização para mim significa os estratagemas voltados para colocar, com intenção ou não, certos atos e/ou a omissão deles em relação a certas categorias de seres humanos fora do eixo moral-imoral – ou seja, fora do ‘universo das obrigações morais’ e do reino dos fenômenos sujeitos à avaliação moral; estratagemas para declarar tais ações ou inações ‘moralmente neutras’
Não significa ‘desimportante’, mas ‘irrelevante ou, melhor ainda, ‘indiferente’.

Pe. Vlademir, trabalha um texto de Zigmunt Bauman. (Texto na integra em anexo)

PONDERAÇÕES SOBRE AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS E CATEQUESE
Pe. Vladimir Barbosa Hergert
Dentre as tantas dores e sofrimentos que perpassam o nosso tempo, Zigmunt Bauman (1925-2017), pensador da  “liquidez do mundo”,  conversa com Leonidas Donskis sobre a cegueira moral, mal que invade nossas relações interpessoais. Talvez a leitura desse livro (1), costurada com o documento 107 da CNBB, possa lanças luzes sobre o itinerário catequético que temos empreendido.

O texto de Bauman traz questões pertinentes: que tipo de relações temos atualmente? A que podemos compará-las? O que nos interessa na vivência com o outro? Que riscos corremos? Quais as saídas? Questões que afetam a nós,  catequistas. A Iniciação à Vida Cristã é uma inserção na vida comunitária, é um azeitamento nas relações interpessoais, é um estímulo à  convivência fraterna, é aposta na comunhão e participação... isto, segundo os autores, está na contramão da modernidade liquida.

Noite 20h

Estudo do Documento 107 - Iniciação à Vida Cristã
Caminhada Nacional
Assessor: Pe Antonio Marcos Depizzoli – CNBB


Padre Marcos, nos apresenta o Documento 107, comenta que ficou satisfeito que todas as colocações realizadas até em então, foram colocados partes do documento 107. Pe. Marcos conta um pouco de sua história como chegou na CNBB.  E fala de seus trabalhos. O documento 107 é um Itinerário para formar discípulos missionários. Muitas atividades vêm sendo desenvolvidas pela Igreja no Brasil com o objetivo de conhecer o Documento 107, “Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários“, aprovado na 55ª Assembleia Geral dos Bispos, em Aparecida-SP, de 26 de abril a 05 de maio de 2017, nos informa o padre Antonio Marcos Depizzoli, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética.
O Documento 107 representa um passo importante na caminhada da Igreja no Brasil. Segundo o padre Antonio Marcos “tem crescido a convicção de que a catequese está a serviço da Iniciação à Vida Cristã, portanto a corresponsabilidade de toda comunidade é fundamental para formar novos discípulos missionários”.
O religioso destaca que o que se vê Brasil a fora, nesse momento, entre outros fenômenos, é o envolvimento de outros agentes de pastoral na reflexão do tema. “Lideranças da liturgia, da pastoral familiar, da juventude, do batismo, da ação missionária, da acolhida, seminaristas, consagrados, presbíteros e outros estão assumindo juntos o convite para repensar a transmissão da fé em suas comunidades”, disse.
Desses esforços têm surgido Comissões de Iniciação à Vida Cristã nas Dioceses e Paróquias que ajudam na elaboração e implementação do Projeto Diocesano de Iniciação à Vida Cristã. Diversas atividades estão planejadas nos regionais, dioceses e paróquias para repercutir Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários. Uma menção especial deve ser feita à inclusão da urgência Igreja: casa de Iniciação à Vida Cristã em planos diocesanos de pastoral, em comunhão com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.

Foi apresentado 5 power point muito esclarecedor do documento 107. (em anexo 5 power points).  

As Dioceses nas Mídias junto a CNBB


Padre Marcos falou das mídias, e do novo site da CNBB, falou dos blogs que estão acoplados ao site do Regional, que momentaneamente está fora do ar. Porém os blogs das Dioceses que estão ligados a CNBB, devem ser mantidos atualizados, e serem informativos e formativo. Estes meios de comunicação passarão a ter um vinculo mais interativo junto a CNBB. Com os devidos critérios. Os faces das Dioceses devem ser paginas e não um face pessoal. Sempre com critérios para com as noticias e informações passadas.



Proposta de Celebração para o Catequista – 27 de agosto 2017 – Um momento orante da Palavra – Filipenses 2,5.  

Mês da Bíblia 2018 – Estudo do livro da Sabedoria

NOVENA DE NATAL 2017 - PROPOSTA DO ESQUEMA
Padre Marcos também falou da novena de natal que terá como base no documento 107 como iniciativa da CNBB Nacional está sendo elaborada a Novena de Natal para dezembro de 2017, iluminada pelo Documento 107. 

1º ENCONTRO: 1º Anúncio: A alegre notícia (Lc 1,26-30)
Doc. 107 n. 41; 154; 155
2º ENCONTRO: Iniciação à Vida Cristã: gestação do cristão (Lc 1,31-33.38)
Doc. 107 n. 42; 49; 61; 68; 78; 103; 104
3º ENCONTRO: A Iniciação: mergulho no Mistério (Lc 1,34-35)
Doc. 107 n. 83; 84; 88; 89; 97
4º ENCONTRO: O Introdutor: João Batista (Lc 1,41-45 e Jo 1,35-37)
Doc. 107 n. 160; 161
5º ENCONTRO: A pessoa do Catequista: Maria (Lc 1,46-55) (Maria conta a grande virada que a vinda de Cristo efetua na vida individual e na vida da humanidade. Ela anuncia o que o seu Filho realizará com sua vida, morte e ressurreição) Síntese da 2ª pregação do retiro dos bispos.
Doc. 107 n. 233; 248
6º ENCONTRO: O Catecumenato - José passa por um processo catecumenal: deixa de lado seu projeto pessoal e assume o plano de Deus (Mt 1,18-25)
Doc. 107 n. 55; 84; 134; 135; 141
7º ENCONTRO: A comunidade, casa da Iniciação à Vida Cristã (Lc 1,57-60)
Doc. 107 n. 94; 106
8º ENCONTRO: A família, berço da iniciação (Lc 2,1-6)
Doc. 107 n. 53a; 199; 200; 202; 204
9º ENCONTRO: Natal de Jesus, nascimento do cristão (Lc 2,7-20)
Doc. 107 n. 56; 79; 87

1ª Semana Brasileira de Iniciação à Vida Cristã
Indaiatuba-SP (Itaici)
14 a 18 de novembro de 2018
Power point em anexo
Outra importante ação pensada para a recepção do Documento 107 é a realização da 1ª Semana Brasileira de Iniciação à Vida Cristã, prevista para acontecer em Indaiatuba-SP (Itaici) dos dias 14 à 18 de novembro de 2018. Inicio no dia 14 às 18h e termino no dia 18 às 13h. Numero de participantes 450 pessoas. A que se destina, aos agentes das Comissões de Iniciação a Vida Crista das Dioceses, Liturgia, Familiar, Juventude e Clero.
Essa semana terá como público alvo não apenas catequistas, mas membros das Comissões de Iniciação à Vida Cristã dos Regionais e Dioceses. Pretende-se, assim, colaborar no entendimento a respeito da importância da comunidade no processo de transmissão da fé. “A Igreja experimenta sua natureza querigmática, mistagógica, missionária, materna e misericordiosa na medida em que cada batizado participa da alegria de iniciar novos discípulos missionários de Jesus Cristo”, avalia padre Antônio Marcos.
Uma comissão composta por representantes dos catequistas, da liturgia, da ação missionária, da família, da juventude e outros será montada para pensar a preparação e a realização da Semana. “Queremos viver um verdadeiro processo catecumenal com esse evento, envolvendo o tempo que antecede, o tempo da realização e o tempo dos desdobramentos dessa iniciativa como uma grande oportunidade de compreensão e assimilação das propostas para a transmissão da fé em tempos de mudança de época”, disse padre Antônio Marcos.
Um bom exemplo de como a Igreja no Brasil está assimilando o documento 107 será realizado pelo Centro Cultural Missionário de Brasília-DF (CCM). O CCM e a Comissão Episcopal para Ação Missionária promovem de 16 a 20 de outubro de 2017, a 7ª Semana de Formação sobre a Paróquia Missionária. O CCM, no intuito de ajudar aos Coordenadores de Pastoral, de Catequese e de Liturgia das dioceses do Brasil, oferece esta semana de formação à luz do documento aprovado na última assembleia da CNBB, sobre a Iniciação à Vida Cristã.
Fonte: AB-C Diocese de Santos/ SP
Fotos: Imaculada Cintra 

sábado, 29 de julho de 2017

31º ASSEMBLEIA DE ANIMAÇÃO BÍBLICO CATEQUÉTICA -REGIONAL SUL 1- CNBB 28 A 30 DE JULHO 2017 - JUNDIAÍ




Tema: Novas portas para o anúncio do Evangelho!

Lema: “ Um coração transbordante de alegria, paz e gratidão”(cf Lc 1,46)

A  Assembleia aconteceu na Casa das Irmãs Agostinianas Missionárias - Centro de Convivência Mãe do Bom Conselho - em Jundiaí. 


1º Dia - 28 de julho.



Padre Paulo Gil, Assessor Catequético do Regional Sul I e equipe, inicia os trabalhos na sexta feira às 17h, com a colhida e Memória de mais de 30 anos de Caminhada do Regional.





NOSSA  CAMINHADA É REALIZADA COM MUITA FÉ E ESPERANÇA.
IMPULSIONADOS PELO ESPÍRITO,  VAMOS CONFIANDO NO DEUS DA ALIANÇA!



Com participação de mais de 100 agentes da catequese, contamos também com a presença do Bispo referencial Dom Tomé, visita do Bispo Diocesano de Jundiaí Dom Vicente, padres Assessores do Regional Sul I e  convidados palestrantes como Padre Antonio Marcos Depizzoli - CNBB.


Momento Celebrativo: 
Pe Fabio Modesto


       Meditação do Terço das Flores


Oferecimento do terço
1º mistério -  O anjo do Senhor anunciou a Maria e Ela concebeu do espirito Santo  – Lucas 1, 26- 38 – Breve Comentário  - espontaneamente cada pessoa vai pega uma rosa e coloca no painel atrás de Maria para no final termos o terço montado.
2º mistério – Ela deu à luz a seu Filho primogênito, envolvendo-o em faixas – Lucas 2, 1-7 Breve Comentário 
3º mistério – Sua Mãe disse aos que estavam servindo: Fazei o que Ele vos disser. João 2, 1-11 -    Breve Comentário 
4º mistério – Junto à Cruz de Jesus estava de pé sua Mãe. – João 19, 23- 27Breve Comentário 
5º mistério – Todos ficaram cheios do Espírito Santo - Atos 2, 1- 6 Breve Comentário  

Coroação de Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil.


Fonte: Comissão AB-C Diocese de Santos/SP
Fotos: Imaculada Cintra

quinta-feira, 27 de julho de 2017

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ: ITINERÁRIO PARA FORMAR DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS – 04

Artigos
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul
Caros diocesanos. Continuamos a refletir o recente documento da CNBB sobre a IVC. Hoje passamos ao capítulo III, que aborda o ILUMINAR – o discernir como Igreja.
Nas comunidades antigas a missão de iniciar na fé cabia à interação entre liturgia e catequese. Ambas andavam unidas no processo da Iniciação cristã, com o objetivo da imersão no mistério de Cristo e da Igreja. Tudo acontecia num clima mistagógico: de espiritualidade, de oração, de celebrações e ritos. A partir do séc. V, aconteceu progressiva separação da liturgia e da catequese, com o surgimento da cristandade e suas consequências. Mais tarde apareceu o caráter doutrinal dos catecismos, provocados pelo Concílio de Trento e que orientaram a catequese até o Vaticano II.
O Concílio impulsionou uma revisão teológica e pastoral da iniciação cristã, apontando ao resgate adaptado do espírito catecumenal. A IVC não pode consistir numa pastoral a mais, mas o eixo central e unificador de toda ação evangelizadora e pastoral. Ela pode ser definida como um caminho progressivo, por meio de etapas, de ritos e de ensinamentos que visam transformação religiosa e social do iniciado: mudança existencial, de identidade e compromisso. O mergulho no mistério de Deus, que chega à plenitude em Jesus Cristo e insere na comunidade eclesial, orienta todo processo iniciático. A IVC traz vida nova, com participação na natureza divina. Realiza a unidade da obra trinitária: no Batismo assumimos a condição de filhos do Pai. O batizado é chamado: neófito (planta nova); a Crisma nos unge e fortifica com o dom do Espírito; a Eucaristia nos alimenta com o próprio Cristo, o Filho. A IVC proporciona a incorporação na dinâmica do mistério pascal de Cristo: treva-luz, pecado-graça, escravidão-libertação, morte-vida. Por ela acontece a presença do Espírito no processo catecumenal: é precursor (vem antes); é acompanhante (está presente a cada momento); é continuador (leva à perfeição). O Espírito Santo está sempre presente na Igreja, realizando nela a comunhão.
A natureza da Igreja é ser querigmática (anunciadora da verdade fundamental, manifestada em Cristo) e ser missionária. Este anúncio deve inserir-se no contexto vital dos que o recebem. A Igreja querigmática e missionária é peregrina, samaritana, misericordiosa; favorece a experiência de fé. A comunidade é ajudada pelo itinerário catecumenal para crescer na fé e ela exerce a função maternal de gerar filhos.
A partir do Vaticano II, a Igreja propõe a experiência catecumenal do RICA = Ritual de Iniciação Cristã de Adultos, com seus quatro tempos (Pré-catecumenato, Catecumenato, Iluminação – Purificação, Mistagogia), já apresentados em outras mensagens. Na passagem dos tempos acontecem as celebrações. O RICA não é livro catequético, mas litúrgico, com ritos, orações e celebrações. Não serve apenas como ritual para batismo de adultos, mas também para os já batizados, que tiveram uma iniciação insuficiente ou se afastaram da comunidade. A Igreja propõe que se ofereça também processos adaptados de inspiração catecumenal para crianças, adolescentes e jovens. Já existem itinerários adequados para tal. Os processos iniciáticos culminam com a recepção dos sacramentos, que devem revelar unidade. São atos do próprio Cristo na ação ritual da Igreja. É Ele que nos torna cristãos e nos introduz no seio da Trindade e no corpo eclesial.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Proposta de Celebração para o Dia do Catequista, 27 de agosto


A Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Biblico-Catequética publica a proposta de Celebração para o Dia do Catequista, dia 27 de agosto, elaborada pelo padre Thiago Faccini Paro e por Eurivaldo Ferreira. A proposta de celebração, busca integrar catequese e liturgia, com um roteiro baseado no Ofício Divino (liturgia das horas). Segundo os autores, mais que um momento repleto de alegorias, a proposta quer resgatar a nobre simplicidade, o silêncio, a centralidade da Palavra de Deus e a ritualidade, elementos fundamentais na liturgia cristã.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ: ITINERÁRIO PARA FORMAR DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS -03

Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para Formar Discípulos Missionários
Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul

Caros diocesanos. Continuamos nossa reflexão, sobre o recente documento da CNBB: Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para Formar Discípulos Missionários. Já abordamos a parte bíblica do encontro e diálogo de Jesus com a samaritana e seus desdobramentos (Jo 4, 4-42). Hoje apresentaremos síntese do capítulo II que destaca o VER ou a parte histórica da IVC.
Como no encontro do Senhor com a samaritana, a Igreja também é desafiada a promover encontros com novos interlocutores. Temos um passado que pode nos impulsionar na busca de novos caminhos para o seguimento, desde os tempos da Igreja primitiva. No séc. II, se estruturou o catecumenato: itinerário específico de iniciação. Era um caminho que acolhia a salvação de Deus e que se expressava na vida da comunidade com uma série de ensinamentos e práticas litúrgicas. Este processo se aperfeiçoou até o séc. IV e entrou em lenta decadência, a partir do séc. V, até desaparecer no séc. VI-VII.
O declínio do catecumenato deu-se com o surgimento da cristandade, quando a maioria da população se tornou cristã. Então os sacramentos da iniciação cristã eram celebrados sem muita relação entre eles e o batismo de crianças tornou-se prática comum. Era um cristianismo herdado num ambiente de cultura cristã: tradição familiar e social. A fé era alimentada fortemente pela devoção aos santos, pelas peregrinações e penitências. Ganharam importância as orações decoradas. A bíblia era usada nos sermões, encenada nas procissões e expressa na arte e no canto. Era uma catequese de piedade popular.
A partir do Concílio de Trento (1545-1563) elaborou-se um catecismo, centrado no conhecimento da doutrina da fé, na instrução moral, na celebração dos sacramentos e nas orações cristãs. Este tornou-se referência oficial para a transmissão da fé até o séc. XX. O Vaticano II (1962-1965) sugeriu novos caminhos na transmissão da fé: diversos documentos foram emitidos, em nível universal e nacional. Muitas Dioceses, Paróquias e Comunidades reagiram com experiências renovadoras. Em 2011, a IVC foi assumida como urgência pelas Diretrizes Gerais: Igreja – Casa da Iniciação à Vida Cristã.
Como em Samaria, abrem-se novos poços para o encontro com o Senhor, em nossas realidades. Pelo impulso do Espírito, estamos em estado de busca e de recomeço. Fica para trás um determinado modelo eclesial, marcado pela segurança da sociedade de cristandade e desponta um processo de renascimento: modelo de Igreja pobre, samaritana, em saída missionária para as periferias geográficas e existenciais. O novo caminho exige humildade, acolhida, criatividade, capacidade dialogal, necessidade de conversão pastoral, de gestação permanente, sem apego a modelo único e uniforme. Cultivar a mística do encontro: não tanto ouvir e falar sobre Deus, mas ouvir e falar com Deus. S. Agostinho afirma: “Devemos dizer muitas coisas ao novo crente, mas mais a Deus por ele, do que a ele sobre Deus”. Tertuliano diz: “Os cristãos não nascem, se fazem”.
O querigma, como anúncio do essencial da fé, e a mistagogia, como progressiva introdução no mistério pascal de Cristo, vivido na experiência comunitária, são aspectos essenciais na renovação do processo de IVC.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ: ITINERÁRIO PARA FORMAR DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS -02

Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Santo Cruz do Sul

Caros diocesanos. Na mensagem anterior iniciamos nossa reflexão sobre o novo documento da CNBB, com o tema da Iniciação à Vida Cristã (IVC). No primeiro capítulo do mesmo apresenta-se o ícone bíblico do encontro de Jesus com a samaritana, no poço de Jacó (Jo 4, 4-42), para iluminar o processo da Iniciação à Vida Cristã. Há uma sequência interessante no texto, em seis passos: Encontro – Diálogo – Conhecer Jesus – Revelação – Anúncio – Testemunho.

Já vimos como iniciou o encontro de Jesus com a samaritana, pedindo-lhe água do poço para beber. No diálogo que acontece, Jesus quer ter sede para revelar o dom de Deus àquela mulher. Ela ainda não conhece a água viva; somente conhece o dom da água do poço. Através do diálogo, aos poucos, ela começa a conhecer Jesus – “Quem beber da água que eu lhe darei, nunca mais terá sede” (Jo 4, 14). Antes da revelação, Jesus aborda o tema dos maridos da samaritana (Jo 4, 16): Para receber da nova água é preciso tomar consciência dos próprios descaminhos e pecados. O encontro com Jesus exige mudança de vida, conversão. Na Bíblia, o tema da aliança com Deus, diversas vezes, é simbolizado pelo casamento: os maridos então podem significar idolatrias, distanciamentos de Deus e por isso a sede continua. Só Jesus pode saciá-la, ao revelar o verdadeiro marido e então pode-se dar início à nova vida, como adoradores em “espírito e verdade” (Jo 4, 23). A mulher reconhece em Jesus “um profeta” (Jo 4, 19). Diante da atitude acolhedora de Jesus ela encoraja-se para falar sobre o culto verdadeiro: em Jerusalém ou Samaria, onde Deus poderia ser encontrado? Jesus exige novo passo: Deus recebe o nome de “Pai” (Jo 4, 21). Encontrá-lo não depende de lugar ou formato de culto. O que conta são os adoradores do Pai, “em espírito e verdade” (Jo 4, 23). Ela sente-se convidada a estar entre “os adoradores que o Pai procura” (Jo 4, 23). Tudo estava preparado para Jesus se identificar e se revelar: “Sou eu, que estou falando contigo” (Jo 4, 26). Era o ponto alto daquele encontro. Antes a mulher falara do Messias; agora, fala com Ele. A esperança torna-se real. Sua fonte de vida não é mais o poço, mas Jesus que se aproximara e se deixara encontrar. A partir desta experiência, viva e pessoal, ela faz o anúncio aos seus. O maravilhar-se com o encontro é comunicado aos outros: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz” (Jo 4, 29); “não será ele o Cristo?” (Jo 4, 30). Como ela, os samaritanos também têm sede: “saíram da cidade ao encontro de Jesus” (Jo 4, 30) e muitos “creram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava” (Jo 4, 39). A fé nasce do encontro, mas começa com testemunho. O povo pede e Jesus permanece por dois dias. Permanecer significa continuidade na fé. O evangelho ainda acrescenta: “Muitos outros creram por causa da palavra dele” (Jo 4, 41). Eles viveram uma experiência pessoal, que é a base da fé e que vai gerar um processo de contínuo crescimento. A experiência individual desdobrou-se em vivência de comunidade de fé. Os samaritanos dizem à mulher: “…este é verdadeiramente o salvador do mundo” (Jo 4, 42). Ela apresentou Jesus e a comunidade ajudou-a a reconhecer o Salvador: experiência de fé partilhada. Na IVC Jesus se faz conhecer progressivamente: também hoje a Igreja precisa sentar-se ao lado dos homens e mulheres e tornar presente o Senhor em sua vida.

terça-feira, 11 de julho de 2017

INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ: ITINERÁRIO PARA FORMAR DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS

Dom Aloísio A. Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul, RS
Caros diocesanos. Na mensagem anterior versávamos sobre as Assembleias Gerais dos Bispos do Brasil, como uma significativa experiência de comunhão eclesial. Neste encontro se coloca em clara evidência o sentido da colegialidade dos Bispos, que bebem da mesma fonte sacerdotal e tentam pastorear em espírito de fraternidade o Povo que Deus lhes confiou. O tema central da 55ª Assembleia Geral foi a Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para formar discípulos missionários, temática que muito nos interessa, uma vez que optamos na 12ª Assembleia diocesana abraçar este caminho, na perspectiva de uma Igreja samaritana. Como prometemos anteriormente, começamos a apresentar um resumo do novo Documento da CNBB sobre a Iniciação à Vida Cristã.
A Igreja vive hoje o urgente desafio de rever seu processo de transmissão da fé. Durante longo período da sua história, ela se movia em espaços culturais moldados pelo cristianismo, em que se herdava a fé cristã a partir da família, da escola, da comunidade e até da sociedade. Este panorama se alterou profundamente, exigindo conversão para novo modelo (paradigma) pastoral, pois não basta preparar para sacramentos, se antes não houver um encontro com Jesus Cristo e a opção de viver como discípulo missionário numa comunidade. Os documentos dizem que não mais podemos pressupor a fé cristã, que acontece por atração e escolha pessoal e não mais por tradição herdada.
Neste novo contexto, a CNBB decidiu pelo aproveitamento dos aspectos mais importantes da chamada Iniciação à Vida Cristã no espírito catecumenal, conforme o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos, recomendado pelo Vaticano II. Este ritual se inspira nos primeiros séculos do cristianismo, quando o mundo também não era cristão e exigia uma preparação bem intensiva para proporcionar o encontro com Jesus Cristo. A formação doutrinária e a celebração litúrgica eram unidas e inseriam os catecúmenos ou catequizandos gradativamente na comunidade de fé. Desde 2011, a Iniciação à Vida Cristã (IVC) está presente nas Diretrizes Gerais da CNBB, como uma das urgências pastorais. O processo da IVC exige novas disposições pastorais: perseverança, docilidade ao Espírito, sensibilidade aos sinais dos tempos, escolhas corajosas e paciência: como o fizeram S. Paulo, os primeiros cristãos e tantos missionários, em seu tempo.
O documento apresenta quatro capítulos, sendo que o primeiro apresenta o evangelho do encontro de Jesus com a mulher samaritana, no poço de Jacó (Jo 4, 4-42). Também hoje nos encontramos no poço, como a mulher, com balde vazio, no desejo de satisfazer o mais profundo do coração: o sentido pleno da existência. O texto mostra como um encontro com Jesus transforma a vida e atinge os outros. O evangelho fala que era desígnio de Deus que Jesus passasse pela Samaria (Jo 4, 4), onde viviam os considerados distantes do verdadeiro culto. O poço é lugar de encontros. Era incomum um homem pedir de beber a uma mulher, ainda mais samaritana. O texto mostra o desejo de Jesus em revelar-se como dom de Deus àquela mulher. A sede de Jesus é de nos ver seguindo seu caminho. Na próxima mensagem continuaremos a reflexão, dando-nos conta que hoje nós somos os que buscam a água viva, que só Jesus pode dar.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

TRÍDUO – 13ª Romaria Diocesana ao Santuário Nacional de Aparecida



A Diocese de Santos realiza a 13ª Romaria ao Santuário Nacional de Aparecida, no dia 2 de agosto. As comunidades já estão organizando suas caravanas para participarem da Santa Missa que será presidida pelo Bispo Diocesano D. Tarcísio Sacaramussa,SDB, às 9h, no Santuário.
Para viver melhor esta Romaria, no espírito do Ano Nacional Mariano e dos 300 anos do achado da imagem de N. Senhora Aparecida, a Coordenação Diocesana de Pastoral preparou o roteiro de um Tríduo, a ser realizado pelas comunidades, antes da Romaria. Procure o livrinho em sua comunidade e participe – em oração ou presencialmente – da 13ª Romaria Diocesana ao Santuário Nacional de Aparecida.
Nossa Senhora Aparecida, Rogai por nós!



Fonte: Diocese de Santos/SP

domingo, 9 de julho de 2017

CÍRCULOS BÍBLICOS Nº 03 - DIOCESE DE SANTOS - SP

“Iniciação à Vida Cristã”, que está contemplada no Programa 2 – Igreja, Casa da Iniciação à Vida Cristã – do nosso Plano Diocesano de Evangelização, e uma celebração de encerramento. 

A proposta é que os Círculos Bíblicos contribuam para uma maior aproximação dos leigos com a Palavra de Deus em toda a nossa Diocese e ajudem a criar um ambiente propício na sua Paróquia para realizar a Assembleia Paroquial. Portanto, organize sua agenda para que os Círculos sejam feitos antes da realização da Assembleia Paroquial. 

Quem deve fazer os Círculos Bíblicos? Todos devem fazer os Círculos Bíblicos. 

O maior número possível de pessoas devem se reunir e fazer os Círculos Bíblicos: Ministros Extraordinários da Eucaristia, Catequistas, Juventude, Equipes de Nossa Senhora, Pastoral Familiar, Novas Comunidades, enfim, todas as pastorais, serviços, movimentos... Todos os grupos que se reúnem em nossa paróquias devem fazer os Círculos Bíblicos.


APRESENTAÇÃO 

Em clima de oração e discernimento, vamos nos preparar para as Assembleias Paroquiais e Diocesana. Mas não queremos somente realizar um bom planejamento, mas crescermos no caminho de conversão pessoal e pastoral, para sermos uma Igreja mais missionária, acolhedora e misericordiosa. A Igreja existe para evangelizar. O Papa Francisco, na Evangelii Gaudium (sobre a Evangelização no mundo atual), nos inidica uma direção para onde devemos caminhar: “Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar este chamado: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” (EG 20). A tarefa é desafiadora, mas o Papa também nos diz que a Igreja “em saída” é a comunidade de discípulos missionários que experimentou a “alegria do Evangelho”. Por isso, está capacitada para agir sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos (cf. EG 24).

É o que estamos buscando: um caminho de construção do plano de evangelização para nossa Diocese de Santos, de acordo com o Objetivo Geral das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: 

“EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo”. 

Os Círculos Bíblicos nos ajudarão neste caminho, em clima de escuta da Palavra de Deus, de oração, de partilha comunitária. Nossa Senhora do Rosário, Padroeira de nossa Diocese, com sua presença amorosa e sua intercessão, nos ajude a sermos comunidades evangelizadoras com muito ardor e fé.



Dom Tarcísio Scaramussa, SDB Bispo de Santos Julho de 2017

terça-feira, 4 de julho de 2017

Artigo de julho de 2017 Padre Aparecido Neres Santana

JESUS É O SEMEADOR, O DISCÍPULO MISSIONÁRIO, 
A BOA SEMENTE

Neste Artigo Bíblico-Catequético refletiremos sobre o Evangelho de São Mateus 13, 1-23 do 15° Domingo do Tempo Comum. No capítulo 13 de Mateus narra sete parábolas. Parábola vem do grego, parabolê, verbete formado por duas palavras, que são: Pará, cujo significado é “ao lado de”, “ao longo de” e “para além de” e bolê, que significa, “jogar” “lançar”. Portanto, parábola sinaliza algo além, provoca uma busca de algo mais profundo. Ademais, as parábolas sobre o Reino, formam o terceiro discurso mais importante no Evangelho de São Mateus. Com os relatos parabólicos, Jesus pretendia explicar o tema fundamental de sua pregação, isto é, a vinda do Reino de Deus na sua pessoa e ações. As parábolas, são dirigidas para as multidões, para as pessoas simples. É por isso, que Jesus as elabora, a partir da natureza, e de elementos do cotidiano, daquelas pessoas, que provinham, na sua maioria, de uma sociedade campesina. Esta primeira parábola, a do Semeador, compara três espécies de sementes que se perderam, com uma espécie de semente fértil. As sementes se perderam porque caíram em solos ruins, isto é, à beira do caminho (v.4), em lugares pedregosos (v.5) e entre os espinhos (v.7). Mas a semente que caiu em terra boa (v.8), deu frutos. Jesus quer assim frisar, que não obstante o repetido insucesso, existe uma semente que produz fruto abundante. O semeador que espalha generosamente as sementes é o próprio Jesus. As sementes boas são os discípulos, os de casa (V.1), que aceitaram a Palavra - Aqui estamos no coração desta parábola, que é a aceitação, ou não, do Reino dos Céus. Os que compreendem a Palavra (discípulos), e os que não compreendem, ou não querem compreender esta Palavra (Fariseus, Escribas e doutores da Lei, que tinham influência sobre as multidões). Três sementes perdidas e uma frutífera. Isto mostra a dificuldade encontrada por Jesus e os discípulos no anúncio do Reino de Deus. Embora a missão tenha sofrido um duro golpe - como os discípulos que abandonaram a missão (cf. Jo 60-71) - e por conta também das perseguições, riquezas (cf. Mc 10, 17-27), ou outras razões, Jesus quer recuperar a confiança do semeador e a força da semente. A parábola do semeador, portanto, é uma advertência aos cristãos, preguiçosos e frios, que desanimam na missão, porque não conseguem frutos rapidamente. O semeador sai para semear, mas não volta para colher, porque quem colhe é Deus. Para refletirmos: O texto de hoje, mostra que nós somos ‘os de casa’ (Discípulos). Por isso, antes de sairmos como discípulos missionários ao encontro das multidões (‘os de fora’), lançando as sementes do Reino, temos que trabalhar dentro de nós, e na comunidade, para alcançar, a ‘conversão pessoal e pastoral’. Portanto, será que estamos nos fazendo presentes no meio da sociedade, no encontro com o outro, semeando o amor de Jesus nos corações das pessoas? Ou somos cristãos somente dentro da Igreja e no salão paroquial?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C