sábado, 26 de janeiro de 2013

O Evangelizador e Jesus Cristo


Preparação para a Semana de 
Formação de Evangelizadores

Olá, Evangelizadores de nossa Diocese de Santos!!!
 
Vamos nos encontrar para apresentação da SEMANA DE FORMAÇÃO DE EVANGELIZADORES - 2013, no dia 02 de fevereiro as 08:30h. na Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Av. Bartolomeu de Gusmão, 114 – Ponta da Praia - canal 6 – Santos – tel. 3236-8155.

Vamos garantir que tenha pelo menos uma representatividade de sua paróquia!

Paz e bem para todos!


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Mais um ano!!!! - Por Dom Paulo Mendes Peixoto



           Em clima de Epifania, isto é, da manifestação de Jesus Cristo para o mundo, celebramos o primeiro domingo de 2013, certamente num propósito firme de fazer com que seja um ano de paz, de harmonia, progresso e valor da vida humana. Esta é uma realidade que se torna concreta com o esforço de cada cidadão.

A revelação de Deus, que no passado era feita pelos profetas, nos acontecimentos e fatos, agora se plenifica na vinda de seu Filho, que se encarna numa criança tão simples e indefesa. Deus não se revela de forma triunfal e com sinais espetaculares. A sua grandeza acontece na humildade e na simplicidade da vida. 
Jesus nasce e se torna uma “estrela” para todos os povos. Ela clareia o coração das pessoas para que sejam comprometidas com a natureza criada, com o meio ambiente e com a vida em geral. Isto acontece na liberdade, no respeito para com a decisão de cada pessoa, não impondo nada sobre suas decisões particulares.
Deus vem a nós com a proposta do Reino. Ele acontece nos gestos de bondade e de vida, naquilo que faz com que o ser humano se torne divino. Para isto é necessário reconhecer os sinais da “estrela-guia”, tornando-nos também sinais de autenticidade humana para o mundo. Assim estaremos contribuindo para o bem de todos.
Os Reis Magos foram a Belém, ao encontro do Menino. Levaram consigo presentes de valor. O ouro representava a realeza de Deus, indicando que Ele era o verdadeiro rei, dignidade reconhecida pelos Magos. O incenso indicava que Ele era Deus e deveria ser adorado. A mirra era alusiva à humanidade de Jesus, mostrando que Deus estava assumindo a condição humana.
Os Magos eram pagãos, mas foram guiados por uma estrela até Jesus. Nós somos guiados por quem e onde temos encontrado Deus? Ou ele não existe dentro de nossos princípios? Que presentes lhe temos oferecido ou, que tipo de atitudes, que realizamos, revelam a presença de Deus em nós? Um fecundo 2013 para você.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.      01-01-2013  -  FELIZ ANO NOVO!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Comissão para a Animação Bíblico-Catequética – Diocese de Santos –




O Natal para nós!


Para nós cristãos, o Natal é a celebração de um dos grandes mistérios da nossa fé. Com grande festa anunciamos a todos que acreditamos em um Deus que nos criou com muito amor, nos deixou livre para decidirmos o que fazer da própria vida, e que continua nos acompanhando com sua misericórdia infinita.

O amor misericordioso de Deus por seus filhos é tão grande, que nos enviou seu Filho Jesus para se fazer uma pessoa humana igual a nós com a finalidade de nos demonstrar que é possível, humanamente falando, ser fiel ao projeto de Deus, que é o da vida plena para todos.

Já são mais de dois mil anos que celebramos esse fato, mas ainda hoje são muitas as pessoas que não acolheram essa verdade em sua vida, ou porque simplesmente não sabem disso, ou porque ainda não compreenderam o significado profundo desse mistério da fé. Os textos bíblicos que nos falam do nascimento de Jesus (principalmente Mt 1,18-2,12 e Lc 2,1-20) apresentam vários personagens que devem ser vistos por nós como inspiradores da nossa ação catequética de facilitar essas pessoas a saberem acolher Jesus em suas vidas.

Por exemplo, os pastores. A religião oficial os considerava pessoas infiéis porque não viviam totalmente de acordo com as obrigações religiosas da época, por isso eram descartadas e não mereciam credibilidade. Mas Deus os considerava de uma forma diferente, pois eram pessoas capazes de se abrir para o mistério, reconhecê-lo e, com o seu jeito de ser, anunciá-lo a todos. Ao fazerem a experiência do encontro com Deus, os pastores superaram seus medos, não se importaram com os preconceitos e procuraram realizar da melhor forma a missão que tinham recebido.

Devemos aproveitar as festividades do Natal para refletirmos melhor os evangelhos da infância de Jesus e procurar, nos vários personagens ali presentes, quais foram suas atitudes diante do mistério do Deus que se faz pessoa humana para nos trazer a Salvação. Muitos deles souberam entender a proposta de Deus, por isso a acolheram e viveram, mas não guardaram somente para si, transmitindo essa experiência a mais pessoas. Outros, porém, preferiram continuar fechados em seu mundo egoísta e não conseguiram perceber que o Deus Misericordioso tinha vindo para trazer a proposta de vida verdadeira também para eles.

Em nome de toda a Comissão AB-C desejo que neste Natal, você, caro leitor, celebre a fé em Jesus, o Deus que se fez pessoa humana, vivendo intensamente sua própria humanidade, em sintonia com a dele! Feliz Natal, feliz vida cristã!


Reflexão e aprofundamento: Eu acredito que com minhas capacidades, mesmo que pareçam poucas ou insignificantes, é possível acolher o mistério de Deus em minha vida e anunciá-lo aos que ainda não o conhecem?

sábado, 1 de dezembro de 2012

Advento – Ano C A Alegria da Espera!!!!!




Estamos iniciando o ano litúrgico. Mais uma vez acendemos as  velas da coroa do Advento, mais uma vez nossos corações  se enchem da esperança de um tempo novo, mais uma vez lembramos que Jesus nasce, que Cristo vem.

O advento trabalha com a expectativa das duas vindas do Senhor. A primeira vinda aconteceu na carne, sendo a concretização das esperanças de Israel, como vemos no texto do profeta Jeremias. Esta primeira vinda ficará mais evidente próximo do natal. A segunda vinda é na glória, quando acontece o que a teologia chama de parusia. Nesta ocasião o Senhor voltará vitorioso para julgar os vivos e os mortos e para implantar o Reino de um modo definitivo e pleno.

O começo do advento se apoia na expectativa da segunda vinda, baseando-se nas promessas de Deus. Não é uma espera medrosa, do Dia Terrível, apesar das imagens utilizadas no Evangelho de Lucas. Esperamos o dia em “que seremos reunidos à sua direita na comunidade dos justos.” (Oração do Dia). E isso deve ser motivo de alegria.

Onde está a esperança do mundo? Será que realmente somos animados pela esperança, que se funda na certeza do mundo novo? A nossa sociedade é marcada pela desesperança ou desespero. Não existem mais utopias, um por que lutar... Aí facilmente a gente se acomoda ou se desespera. Jesus nos diz: “não fiquem insensíveis por causa da gula e da embriaguez, enquanto se espera o dia do Senhor” A pós-modernidade nos diz: “aproveite a vida”, mas oferece algumas falsas ilusões que destroem a vida e escravizam o ser humano. O advento é o tempo do resgate da vigilância. Vigiar não é deixar de viver, mas viver com toda a intensidade e dignidade humana. É viver a vida com a esperança do mundo novo que começa a aqui e agora.

Testemunhar a esperança significa não se acomodar. São Paulo nos diz que o amor deve crescer entre nós, que façamos progressos e progressos ainda maiores. Não somos santos, mas podemos crescer a cada dia. Seria errado imaginar pessoas prontas, acabadas, santas e imaculadas. Elas não existem, ou só aparecem excepcionalmente, quando surge uma Teresa de Calcutá (e mesmo ela não era perfeita e batalhou muito pelo próprio crescimento). Não desejemos a perfeição de ninguém (nem de nós mesmos), mas não toleremos a apatia de ninguém, a começar por nós mesmos. E o que nos faz crescer é a esperança do fim, porque não é uma espera passiva. Trata-se de querer que este mundo novo aconteça, por isso, esforçamo-nos para construí-lo. O que não colabora com o crescimento deve ser purificado. Por isso, é tempo de conversão. Não basta falar que Jesus deve nascer no nosso coração no Natal que se aproxima, se não encontramos gestos concretos que nos levam a viver de um modo mais humano e mais cristão.

Pe Roberto Nentwig

Quem é o Catequista ? ou Evangelizador?

“O Catequista ou Evangelizador  é aquele que encontra Jesus  Cristo, descobre como-o  “Caminho, Verdade e Vida”, faz com Ele uma experiência pessoal profunda e por isso é capaz de apresentá-lo, não como doutrina, mas, como pessoa que modifica, que transforma, que desestrutura toda maneira de ser, de pensar e agir”.[1]

A Catequese como caminho para o discipulado traz presente a necessidade do encontro pessoal com Jesus Cristo e conseqüentemente o seguimento e a missão: todo discípulo é missionário. São as duas faces de uma mesma realidade, conforme afirma o Documento de Aparecida. O discípulo missionário será atuante e desenvolverá a missão nos vários âmbitos da sociedade: família, comunidade, escola, trabalho. Portanto, o discipulado acontece no mundo e está aberto às necessidades e desafios da realidade, mas, este discipulado só ocorrerá se tiver tido uma verdadeira e autêntica Iniciação Cristã.

Pe. Pelegrino Rosa Neto -

domingo, 25 de novembro de 2012

Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo

Fim do “Ano Litúrgico B”



Este é o último Domingo do Ano Litúrgico "B" e, pelas normas litúrgicas da Igreja, celebramos nesse Domingo a solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. No ano B, proclamamos os Evangelhos do Evangelista Marcos, que foi partilhando conosco o caminho de Jesus Cristo, para que nos tornássemos seus missionários e seus discípulos e discípulas.


Hoje, nesta solenidade concluímos essa caminhada celebrando o Reinado de Deus que Jesus partilhou com todos. Nós escutamos no evangelho de hoje, que conclui o Ano litúrgico "B", que Jesus Cristo, o nosso Rei, está sendo julgado pelo poder do mundo. Pilatos representa o poder humano, que diante da multidão, julga se Jesus é ou não é rei. Isso está evidente no que Pilatos pergunta a Jesus Cristo: “és tu o Rei dos judeus?” Jesus confirma seu reinado com outra pergunta: “dizes isso de ti mesmo ou outros te contaram sobre mim?” Quer dizer, me acolhes como Rei a partir do discipulado, do seguimento do Evangelho, ou só de ouvir falar...


A Diocese de Santos, hoje se reuniu no Complexo de Eventos e Convenções Costa da Mata Atlântica, na cidade de  São Vicente, localizado a Avenida Capitão Luiz Pimenta, 811 às 9hs da manha onde aconteceu a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, missa presidida pelo Bispo Diocesano Dom Jacyr Francisco Braido e todo clero, com a participação de todas as paróquia e comunidades da Diocese.   





 


terça-feira, 23 de outubro de 2012



Notícias do Sínodo dos Bispos 15 - Pe. Lima
MENSAGEM DO SÍNODO DE 2012 - II


Síntese da primeira redação do importante documento

O Calendário do Sínodo, em latim, diz no dia 22: vacat. Significa que não há reuniões nos círculos menores, nem no Plenário. Os relatores dos círculos menores junto com a direção geral do Sínodo e um grupo de assessores continuam, nesse dia, o trabalho já começado ontem, domingo: sintetizar as mais de 350 proposições sugeridas pelos 12 Círculos em apenas 50 proposições mais ou menos, seguindo, de um modo geral, as quatro grandes linhas já estabelecidas no Instrumento de Trabalho, ou seja: a natureza da NE, o contexto sociocultural onde se realiza a NE, as respostas pastorais a essa situação, os agentes e atores da NE.

Portanto, para a maioria dos participantes do Sínodo, foi uma segunda feira livre. O Superior Geral dos salesianos aproveitou dessa ocasião e convocou os 15 religiosos de sua congregação para um encontro fraterno, na Casa Salesiana que se situa dentro do território do Vaticano. Junto com os cinco que trabalham naquela obra, éramos 20 salesianos, que durante algumas horas convivemos fraternalmente, almoçando com nosso Superior Geral.

Apresento a seguir, os últimos números da primeira redação da Mensagem do Sínodo, cuja segunda redação certamente será apresentada amanhã.

Continuação da Mensagem do Sínodo (III)

12. Na contemplação do mistério, junto aos pobres. Queremos agora indicar duas expressões da vida de fé relevantes para testemunhá-la na NE. São dois símbolos que mostram nossa vontade de trilharmos hoje um caminho de regeneração da vida cristã. 1) O primeiro é o dom da contemplação do Mistério de Deus Pai, Filho e Espírito Santo: é daí que surgirá um testemunho crível para o mundo; esse silêncio contemplativo impedirá que a palavra da salvação seja confundida por tantos outros rumores. Somos gratos a quantos, em mosteiros e eremitérios, dedicam sua vida à oração e contemplação. Precisamos também de momentos contemplativos em nossa vida do dia a dia e de lugares que evocam a presença de Deus (santuários interiores e templos de pedra) onde todos possam ser acolhidos. 2) O rosto do pobre: colocar-se ao lado deles não é somente ação social, mas sobretudo espiritual, pois neles resplandece o rosto do Salvador. A Igreja oferece o encontro com Cristo no ensino da verdade, na eucaristia, oração, comunhão fraterna e também no serviço da caridade. Devem ter um lugar especial em nossas comunidades: sua presença é misteriosamente poderosa para mostrar Cristo Jesus. A caridade deve ser acompanhada pela luta por justiça. Daí ser parte da NE a Doutrina Social da Igreja.

13. Nosso olhar quer envolver todas as comunidades religiosas dispersas pelo mundo, um olhar unitário, pois única é a chamada ao encontro com Cristo, sem esquecer as diversidades. Em primeiro lugar olhamos para as antigas Igrejas do Oriente, herdeiras da primeira difusão do Evangelho, cuja experiência guardam zelosamente: ela ensina que a NE é feita de vida litúrgica, catequese, oração familiar, jejum, solidariedade entre as famílias, participação dos leigos na vida da comunidade e diálogo com a sociedade. Muitas dessas Igrejas vivem no meio de tribulações testemunhando a Cruz de Cristo; alguns fiéis são forçados à emigração e levam a NE aos países que os acolhem. Que o Senhor abençoe essa fidelidade e lhes traga tempos de paz. Aos cristãos que vivem na África agradecemos o testemunho de vivência do Evangelho, muitas vezes em situações inumanas; exortamos a relançarem a evangelização recebida em tempos ainda recentes, a preservarem a identidade familiar, a sustentarem o trabalho dos sacerdotes e catequistas sobretudo nas pequenas comunidades e a continuarem o esforço de inculturação. Aos políticos fazemos um forte apelo pela promoção dos direitos humanos fundamentais e a libertação da violência ainda presente nesse continente. Convidamos os cristãos da América do Norte a responderem com alegria à convocação por uma NE enquanto admiramos os frutos generosos de fé, caridade e missão de suas jovens comunidades; mas reconhecemos que muitas expressões culturais norte-americanas estão longe do Evangelho; impõe-se um convite à conversão, para que, de dentro dessa cultura, os fiéis ofereçam a todos a luz da fé e a força da vida. Continuem a acolher com generosidade imigrantes e refugiados e abram as portas da cultura à fé. Sejam solidários com os latino-americanos na permanente evangelização comum de todo continente. À América Latina e Caribe vai também o mesmo sentimento de gratidão; chama nossa atenção a riqueza de religiosidade popular desse continente. Os desafios da pobreza, violência, pluralismo religioso reforçam nossa exortação para o estado de missão permanente, anunciando o Evangelho com esperança e alegria, formando comunidades de discípulos missionários de Jesus, mostrando como seu Evangelho é fonte de uma nova sociedade justa e fraterna. Queremos encorajar os cristãos da Asia, continente que possui dois terços da população mundial; que a pequena minoria cristã seja semente fecunda germinada pelo Espírito Santo e cresça no diálogo com as diversas culturas; às vezes marginalizada ou envolta em perseguições a Igreja na Ásia é uma presença preciosa do Evangelho. Sintam a fraternidade e vizinhança dos outros países do mundo que não podem esquecer as origens asiáticas de Jesus: aí ele nasceu, viveu, morreu e ressuscitou. Reconhecimento e esperança são nossos sentimentos também pela Europa, hoje marcada em parte por uma forte secularização, às vezes agressiva e ferida por longos decênios de poder comunista. Tal reconhecimento é pelo passado e pelo presente: de fato a Europa criou experiências de fé, muitas vezes transbordantes de santidade, decisivas para a evangelização do mundo inteiro: rico pensamento teológico, expressões carismáticas variadas, formas inúmeras de serviço caritativo, experiências contemplativas, cultura humanista que contribuiu para a dignidade humana e construção do bem comum. Que as dificuldades do presente sejam vistas como oportunidades para um anúncio mais alegre e vivo do Evangelho. Saudamos, por fim, os povos da Oceania que vivem sob o signo do Cruzeiro do Sul e agradecemos seu testemunho de fé. Como a samaritana, ouçam também o apelo de Jesus: "Se conhecêsseis o dom de Deus...". Empenhem-se em pregar o Evangelho e tornar Cristo conhecido hoje no mundo.

14. Ao final dessa experiência de comunhão de Bispos do mundo inteiro colaborando com o Sucessor de Pedro, sentimos a atualidade do mandato de Jesus: "Ide e fazei discípulos todos os povos. Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo". Não se trata só de missão geográfica, mas de chegar aos corações de nossos contemporâneos para levá-los ao encontro com Cristo, vivo e presente em nossas comunidades. Essa presença nos enche de alegria e nos faz cantar: "A minha alma engrandece o Senhor... Ele fez por mim maravilhas". Fazemos nossas as palavras de Maria: ao longo dos séculos Ele fez grandes coisas pela sua Igreja e nós o glorificamos, certos de que não deixará de olhar nossa pequenez para mostrar a potência de seu braço, também em nossos dias e sustentar-nos no caminho da NE. Que Maria nos oriente no caminho, às vezes parecido com o deserto; mas levaremos o essencial: a companhia de Jesus, a verdade de sua palavra, o pão eucarístico que nos nutre, a fraternidade da comunhão eclesial, o impulso da caridade. Nas noites do deserto as estrelas são mais luminosas: assim no céu de nosso caminho resplandece, com vigor, a luz de Maria, Estrela da NE a quem nós, confiantes, nos entregamos.

Roma, 22 de Outubro de 2012, segunda feira.

Pe. Luiz Alves de Lima, sdb.


Notícias do Sínodo dos Bispos 13 - Pe. Lima
MENSAGEM DO SÍNODO DE 2012 – II

Síntese da primeira redação do importante documento
A manhã deste radioso domingo de outubro foi marcado pela solene liturgia do Domingo das Missões, em que foram canonizados 7 santos de várias partes do mundo cristão. A grande Praça de São Pedro estava apinhada de gente, pois havia peregrinos vindo dos 7 países desses novos santos, principalmente filipinos. O mais jovem dos 7 santos, o catequista Pedro Calungsod, 17 anos, morreu mártir em 1672, nas Filipinas; duas são leigas.
No final de sua homilia, disse o Papa: "Estes novos Santos, diferentes pela sua origem, língua, nação e condição social, estão unidos com todo o Povo de Deus no mistério de Salvação de Cristo, o Redentor. Junto a eles, também nós aqui reunidos com os Padres sinodais, provenientes de todas as partes do mundo, proclamamos, com as palavras do salmo, que Senhor é «o nosso auxílio e proteção», e pedimos: «sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos» (Sl 32,20-22). Que o testemunho dos novos Santos, a sua vida oferecida generosamente por amor a Cristo, possa falar hoje a toda a Igreja, e a sua intercessão possa reforçá-la e sustentá-la na sua missão de anunciar o Evangelho no mundo inteiro".
Continuação da Mensagem do Sínodo (II)
Ontem, 20 de outubro, enviei a síntese dos primeiros sete números da primeira redação da Mensagem. Como é muito longa, resolvi dividir esta segunda parte, também em duas. Hoje envio a síntese dos números 08-11, completando amanhã com o final.
08 - A evangelização não é tarefa de alguns; se a família é seu primeiro contexto e a vida consagrada é sinal de seu fim último, no meio se coloca a ação da comunidade eclesial onde se encontram a Palavra, os sacramentos, a comunhão fraterno, o serviço da caridade e a missão. Na paróquia, presença territorial da Igreja, as pessoas podem encontrar o Evangelho. Hoje se requer que sejam articuladas em pequenas comunidades e seu cuidado pastoral exige novas formas de presença missionária. Nela o sacerdote, pai e pastor, possui papel decisivo. O Sínodo expressa gratidão e proximidade fraterna a tantos presbíteros que se dedicam com zelo a esse ministério, e pedem que o exerçam em estreita ligação com o presbitério diocesano, com uma intensa vida espiritual e formação permanente que os qualifique sempre mais. Ao lado dos presbíteros estejam os diáconos, outros ministérios a serviço do anúncio, da catequese, da liturgia, da caridade e tantas outras formas de participação e corresponsabilidade por parte dos fieis, homens e mulheres. Todos devem se colocar na perspectiva da NE. Quanto aos leigos, apoiamos as formas tradicionais e novas de associação, movimentos e outras expressões da riqueza de dons e carismas que o Espírito Santo enriquece sua Igreja. A todos exortamos à fidelidade, ao testemunho, à incansável dedicação ao Evangelho e à comunhão eclesial. Queremos nos unir também aos cristãos com os quais a unidade infelizmente ainda não é perfeita, mas que são marcados pelo Batismo do Senhor, do qual também são anunciadores. Alguns deles estiveram em nosso meio, testemunhando sua sede de Jesus Cristo e paixão pelo anúncio do Evangelho.
9. No nosso coração nos interrogamos, preocupados, mas não pessimistas, sobre o presente e o futuro das novas gerações: nelas está o futuro da humanidade e da Igreja. Preocupados, porque são atingidos mais diretamente pelas agressões de nosso tempo; otimistas, porque quem move a história é Cristo e porque entrevemos na juventude as aspirações mais profundas de autenticidade, verdade, liberdade e generosidade, para as quais a resposta é o próprio Jesus. Queremos sustentá-los nessa procura; encorajamos nossas comunidades para que ouçam, dialoguem e façam propostas diante da difícil condição juvenil para estimularem e não reprimirem seu entusiasmo. É preciso combater as especulações interessadas em dissipar suas energias lançando-os num consumismo alienante. A NE tem nos jovens um campo de grande responsabilidade e promissoras esperanças, como mostram a Jornada Mundial da Juventude e várias formas de serviço e missionariedade.
10. A NE se concentra em Cristo e na pessoa humana para facilitar o encontro entre ambos. Mas ela não se reduz a isso: quer também dialogar com a cultura, para nelas encontrar "as sementes do Verbo". A NE busca uma renovada aliança entre fé e razão, na convicção de que a fé possui riquezas que podem fecundar a razão aberta à transcendência, sanando os limites e contradições nas quais pode cair a razão. É nisto que se fundamenta o esforço das comunidades cristãs que se ocupam da educação e cultura, sobretudo nas escolas e universidades. O Evangelho é um precioso manancial para as culturas. Daí o cuidado especial pelas escolas e universidades católicas: nelas, a abertura ao transcendente, própria de todo itinerário cultural e educativo, deve propor o encontro com o acontecimento Jesus Cristo e sua Igreja. Somos gratos a quantos, às vezes com enormes dificuldades, labutam nesse campo pedagógico. O encontro entre fé e razão se dá também no diálogo com o saber científico, que não pode estar longe da fé; ela é uma manifestação daquele princípio espiritual que Deus colocou em suas criaturas para desvendar as estruturas racionais, base da criação. Quando ciência e técnica não se fecham numa concepção materialista do homem e do mundo, tornam-se um precioso aliado para a humanização da vida. Nosso agradecimento também aos artistas em suas várias formas: se de um lado expressam a beleza, por outro manifestam a espiritualidade humana; a arte torna evidente a beleza de Deus retratada em suas criaturas. Aliás, todo o mundo do trabalho é um espaço de cooperação com a criação divina. À luz do Evangelho, lembramos ao mundo da economia e do trabalho, que a pessoa humana deve estar no centro de suas preocupações. Enfim, com relação às religiões, são destinatárias naturais de nosso diálogo: o Evangelho de Jesus é paz e alegria; seus discípulos reconhecem tudo o que há de verdadeiro e bom nas religiões. Evangelizamos porque estamos convictos da verdade de Cristo e não porque somos contra alguém. O diálogo religioso quer ser um contributo para a paz, rejeição a todo fundamentalismo e denúncia da violência que se abate sobre os crentes. Os cristãos vivem a perseguição como participação no mistério da cruz e sabem que do sangue dos mártires nascem novos cristãos. Ao mesmo tempo em que toda a Igreja reza e sofre com os perseguidos, por outro conclama aos que detêm o poder, que salvaguardem a liberdade religiosa e a livre profissão e testemunho da fé.
11. Diante dos desafios da NE às vezes nos sentimos perdidos e sem referências. Bento XVI fala em "desertificação espiritual" que grassa no mundo; mas nos estimula a descobrir a alegria de crer, a partir desse vazio e experiência de deserto: aí nos voltamos àquilo que é essencial para viver. No deserto, como a samaritana, se vai em busca de água e de um poço... bendito aquele que aí encontra Cristo! O Ano da Fé é uma preciosa entrada na NE. Ele está ligado aos 50 anos do Vaticano II, cujo magistério fundamental resplandece no Catecismo da Igreja Católica. São referências seguras da fé.
Amanhã enviarei a síntese dos 3 últimos números (12-14). Lembro mais uma vez que se trata de um texto em elaboração e à luz do Evangelho poderá sofrer modificações. Tenham uma boa e frutuosa semana!
Roma, 21 de Outubro de 2012, domingo
Pe. Luiz Alves de Lima, sdb.
Notícias do Sínodo dos Bispos 13 - Pe. Lima
DIÁLOGO DE JESUS COM A SAMARITANA: EXEMPLO DE EVANGELIZAÇÃO Um primeiro rascunho da grande Mensagem do Sínodo Na sessão da manhã de hoje, foi apresentada à Assembleia, um primeiro rascunho da Mensagem do Sínodo. Dom José Betori, arcebispo de Florença e presidente da Comissão de Redação, começou dizendo que é um texto para transmitir imediatamente uma mensagem a todo o povo de Deus; é um olhar orgânico sobre os grandes temas do Sínodo com muita transparência. A mensagem não é dirigida tanto àqueles que devem ser evangelizados, mas às comunidades cristãs que, se supõe, devem ser evangelizadoras. Trata-se de uma parenese (exortação) muito cálida, um encorajamento e um elogio ao trabalho evangelizador já realizado.
A Mensagem é bastante longa, pois precisa nomear muita gente, e o tema do Sínodo é vasto. O texto é bíblico, perpassado pelo ícone de Jesus junto ao poço de Jacó evangelizando a samaritana. A linguagem é fácil, incisiva e bem figurada. Ao final da leitura de uns 45 minutos, um longuíssimo aplauso (mais do que o jovem Tommaso ontem...), indicou a aprovação maciça da Assembleia. Teve início uma rodada de observações; falaram 12 bispos, mas haveria ainda 36 inscritas e foram exortadas a enviarem por escrito suas observações. Como sempre acontece, há contradições nas observações, pois todo muito diz que é longa de mais, mas não há quem não peça para inserir isso ou aquilo...
Como o conteúdo é muito extenso, dividido em 14 pontos, irei apresentá-los em dois momentos. Hoje vai uma síntese dos 7 primeiros números e segunda feira mais 7. O conteúdo essencial está presente, embora de forma abreviada.
Introdução: antes de retornar às nossas dioceses, queremos nos dirigir aos fieis do mundo inteiro para apoiar e orientar o serviço ao Evangelho nos diversos contextos onde hoje se encontram.
1. Deixamo-nos iluminar pelo encontro de Jesus com a Samaritana; não há mulher ou homem que não se encontre ao lado de um poço com um jarro vazio esperando encontrar respostas a seus problemas. Hoje há muitos poços, mas a água nem sempre é boa... está poluída! Só Jesus é capaz de ler no fundo do nosso coração e revelar nossa verdade. Então como a samaritana, tornamo-nos anunciadores da salvação.
2. Por toda parte se sente a necessidade de reavivar a fé que corre o risco de obscurecer-se diante de tantas dificuldades. Essa é a nova evangelização (NE). Não se trata de começar tudo de novo, mas de colocar-se no caminho do anúncio do Evangelho que atravessou toda história e edificou a comunidade dos fiéis por todas as partes, fruto de tantos missionários e não poucos mártires. Os tempos atuais nos conclamam para algo de novo: viver de uma forma renovada nossa experiência comunitária de fé e de anúncio através de uma evangelização "nova no seu ardor, métodos e expressões". Bento XVI nos recordou que ela tem em vista principalmente as pessoas que, embora batizadas, afastaram-se da Igreja, para que redescubram a fé, fonte de graça e esperança. Estamos conscientes do enfraquecimento da fé de muitos batizados. Queremos enfrentar o problema que os tempos geram nas formas tradicionais de transmissão da fé.
3. Queremos, de saída, afirmar nossa convicção: a fé depende inteiramente da relação que estabelecemos com a pessoa de Jesus. A NE consiste em repropor ao coração e à mente, muitas vezes distraídos, a beleza e a novidade perene do encontro com Cristo. Convidamos todos a contemplar o rosto do Senhor Jesus, entrar no mistério de sua existência, doada por nós até à cruz e confirmada com o sua Ressurreição. Em sua Pessoa se revela todo o amor do Pai por nós. A Igreja é o espaço que Ele nos oferece para encontrá-Lo, já que lhe confiou sua Palavra, o Batismo, seu Corpo e Sangue, a graça do perdão, a experiência de uma comunhão que é reflexo do mistério da SS. Trindade e a força do Espírito que gera o amor para com todos. Compete a nós hoje possibilitar experiências de Igreja, multiplicar os poços para convidar homens e mulheres a saciar sua sede no encontro com Jesus. As comunidades cristãs são responsáveis por isso e, nelas, todo discípulo do Senhor: a cada um é confiado um testemunho insubstituível, para que o Evangelho possa chegar a todos. Essa é nossa tarefa na NE: ser para os outros a beirada de um poço acolhedor, no qual aas pessoas possam encontrar Jesus.
4. Não se trata de inventar estratégias, como se o Evangelho fosse um produto a ser vendido no mercado das religiões. Devemos, sim, descobrir os modos pelos quais, na aventura de Jesus, as pessoas se aproximaram dEle e por Ele foram chamadas. Como poderemos fazer o mesmo? Sem dúvida a mídia é uma estrada na qual se entrecruzam tantas vidas, questionamentos, dúvidas e busca de respostas. Lembremo-nos: André, Pedro, Tiago e João foram questionados por Jesus no trabalho do dia a dia; Zaqueu passou da simples curiosidade ao entusiasmo de partilhar a mesa com Jesus; o Centurião pediu um milagre por ocasião da doença de uma pessoa querida; o cego de nascença o invocou como libertador de sua marginalidade; Marta e Maria o receberam em casa e no coração... Percorrendo as páginas do Evangelho encontraremos diferentes modos pelos quais a vida das pessoas se abriram para a presença de Jesus. Encontramos a mesma coisa nas experiências missionárias dos apóstolos nos inícios da Igreja. A leitura frequente da Bíblia à luz da Tradição ajuda a descobrir espaços de encontro com Ele, modalidades verdadeiramente evangélicas, enraizadas nas profundas necessidades humanas: a família, o trabalho, a amizade, a pobreza, as provações da vida, etc.
5. Ai de nós pensar que a NE não nos toca pessoalmente... a Igreja, antes de evangelizar o mundo, deve evangelizar-se a si mesma. Revigorar a fé é antes de tudo trabalho de vida interior de cada fiel e da vida interna da Igreja. O convite para evangelizar se traduz num apelo à conversão. Precisamos de conversão: reconhecemos, com humildade que a pobreza e fraquezas dos discípulos de Jesus, especialmente de seus ministros, pesam demais na credibilidade da missão. Sabemos que não estamos à altura da missão de levar o anúncio de Jesus a todos os povos; somos vulneráveis, cheios de feridas... Mas estamos convictos de que a força do Espírito do Senhor pode renovar sua Igreja e tornar resplandecente suas vestes, se deixarmo-nos plasmar por ele. O propósito da conversão nos envolve profundamente. Se tal propósito dependesse de nossas forças, pouco alcançaríamos. Mas a conversão, assim como a Evangelização, não depende de nós, mas do mesmo Espírito do Senhor. Aqui está nossa força e a certeza de que o mal não terá a última palavra, nem na Igreja, nem na história. Confiamos na inspiração e força do Espírito, que nos ensinará o que deveremos dizer e fazer, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. É nosso dever, pois, vencer o medo com a fé, o aviltamento com a esperança e a indiferença com o amor.
6. Essa coragem serena ilumina também nosso olhar sobre o mundo contemporâneo. Não temos medo dos tempos que vivemos. Nosso mundo está cheio de incongruências e desafios, porém permanece como criação de Deus, ferida pelo mal, mas também terreno no qual a boa semente pode germinar. Não há lugar para o pessimismo no coração daqueles cujo Senhor venceu a morte e nos quais o Espírito Santo opera com potência. Assim, com coragem e decisão olhamos para o mundo, sentindo o chamado de Jesus para aí sermos suas testemunhas. A globalização é uma oportunidade para dilatar mais a presença do Evangelho no mundo; as migrações são ocasião de difusão da fé e de comunhão entre culturas diferentes. A mesma secularização, reduzindo o espaço da Igreja na sociedade, pode ser uma prova dolorosa, mas também proporciona nova liberdade para propor o Evangelho, sem recuar nossa presença na Sociedade. As novas formas de pobreza aumentam os espaços para o serviço da caridade. No próprio ateísmo agressivo e inquieto agnosticismo podemos entrever, não um vazio, mas a saudade, uma expectativa de que alguém possa dar uma resposta adequada. Diante disso e dos questionamentos que as culturas dominantes colocam à fé cristã, renovamos nossa confiança de que o Evangelho também para eles possa ser luz e força do homem. A NE não é obra nossa: a iniciativa e ação primeira vem de Deus; somente inserindo-nos nessa iniciativa divina e invocando-a, poderemos - com Ele e nEle - ser evangelizadores. Essa verdade gera, naturalmente, em nós a responsabilidade; mas não podemos nos deixar abater.
7. Desde a primeira evangelização e no suceder das gerações, a transmissão da fé sempre foi nas famílias. Nelas, sobretudo pela ação das mulheres, os sinais da fé, a comunicação das primeiras verdades, a educação à oração, o testemunho dos frutos do amor foram introduzidos na existência das crianças. O Sínodo, constatando em todas as culturas e latitudes a importância da família, reafirma seu papel essencial na transmissão da fé. Não se pode pensar em NE sem a responsabilidade indispensável da família no anúncio do Evangelho e sua missão educativa. Não ignoramos que a família, constituída no matrimônio por homem e mulher, atravessa crises assustadoras. Justamente por isso devemos cuidar da família e sua missão na sociedade e na Igreja. Ao mesmo tempo, expressamos nossa gratidão a tantos esposos e famílias cristãs que dão testemunho de comunhão e serviço, sementes de uma sociedade mais fraterna e pacificada. Não ignoramos situações em que a família não reflete aquela imagem de unidade e amor por toda vida, como o Senhor nos ensinou. Há casais que convivem sem a bênção divina e humana, multiplicam-se casais de segunda união, cujas consequências os filhos padecem. Queremos lhes dizer que o amor de Deus não os abandona, que a Igreja é Casa acolhedora para todos e que a comunhão eclesial não lhes é negada, mesmo se não podem partilhar a Eucaristia e que não faltam meios para continuarem membros vivos e atuantes da Igreja. Jesus não se apresenta à samaritana como aquele que somente dá a vida, mas a vida eterna. O dom da fé não é somente para esse mundo, porém uma promessa de que o sentido último de nossa vida vai para além desse mundo, na comunhão plena com Deus que esperamos após a morte. Desta vida futura são testemunhas particulares os chamados à vida consagrada, pois vivendo na pobreza, castidade e obediência, apontam para um mundo futuro que relativiza os bens daqui da terra. O Sínodo reconhece e agradece-lhes a grande contribuição que dão à missão da Igreja e convida-os para que sejam testemunhas e promotores da NE nos vários ambientes de vida nos quais vivem o próprio carisma.
Roma, 20 de Outubro de 2012, quinta feira
Pe. Luiz Alves de Lima, sdb.