domingo, 21 de dezembro de 2014

Alegre expectativa !




Estamos em clima de Natal, pois os enfeites começam a aparecer, o comércio se agita e tudo se transforma em festas de fim de ano. Nem sei se Jesus Cristo é citado no contexto de tudo isto! A figura do “Papai Noel” toma conta de tudo, aquece o comércio, encanta a criançada, atraída pela veste vermelha e barba branca, que não tem nada a ver com o Menino do Natal.
Em muitos lares e em outros ambientes, cristãos ou não, encontramos montado o presépio com diversas peças retratando a realidade da manjedoura e presença da Família de Nazaré, José, Maria e o nascituro Jesus. Significa sentimento cristão, mas nem sempre é alusão a um Menino, que é Deus. Jesus não passa de um humano qualquer e o Natal se transforma em festa como outras.
Na visão do Evangelho de João, Jesus é a Palavra que existe desde sempre, é eterna e que se encarnou, tomando forma humana. Palavra que veio como luz, no meio da escuridão que reinava no coração humano, para trazer vida e esperança às pessoas. Quem toma a decisão de viver na luz de Cristo, a seguir sua Palavra, passa a iluminar o caminho de outras pessoas.
João Batista entendeu o sentido dessa Palavra e se tornou instrumento importante na preparação para a chegada do Natal. Na sua visão, a comunidade deveria organizar-se, tirar as arestas, as dificuldades no relacionamento e dar espaço para a chegada de Jesus Cristo no coração de cada um de seus membros.
O nascimento de Jesus abre caminho para o surgimento de um novo mundo, porque Ele apresenta uma proposta de vida diferente da que existia no tempo. Isso veio incomodar a quem queria continuar numa prática conservadorista. A novidade trazida provocou várias reações, inclusive de tramar a morte do Menino.
Mesmo vivendo num mundo de hostilidade, de violência, de insegurança, a esperança não pode ser abandonada. A paz com Deus é muito maior do que uma ausência de conflitos. Ele não falha em sua promessa e dá conforto para quem pensa estar desprotegido.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Caminhar com esperança !



Na espera do Natal fazemos a trajetória do Advento. Talvez pudéssemos, analogicamente, pensar no sopro, no vento, chegada do vento, ou até, caminhada para o grande sopro de Deus, como aconteceu no Antigo Testamento, no tempo da criação, quando Ele soprou no ser humano o “sopro da vida”. Jesus é o sopro da Palavra que era Deus e estava em Deus e agora se torna pessoa humana.
Estamos em tempo de preparação, fazendo um caminho de esperança. Depositamos confiança em muitas coisas do mundo, mas nem sempre conseguem trazer-nos verdadeira realização, muito menos, a esperança. Só Deus é capaz de nos dar segurança e perspectiva de vida duradoura. É o tempo da busca, da conversão, de encorajamento e confiança no amor misericordioso do Senhor.
É importante ter a consciência de que somos conduzidos pelas mãos do Senhor. Só assim somos habilitados para vencer as grandes barreiras e dificuldades da vida. Natal significar que o Senhor vem ao nosso encontro para resgatar as pessoas indefesas de muitas situações ameaçadoras da vida. Por isto é um tempo de bênção.
O momento é de vencer as resistências num horizonte de liberdade e de ilimitada responsabilidade no caminho da esperança. É uma questão de fé, de convencimento de que Jesus Cristo nasce para trazer vida, superando todas as fragilidades que acompanham a humanidade. Sua convocação basilar é a conversão, capacitando as pessoas para atos de reconciliação através do perdão.
O nascimento de Jesus é uma nova criação, tempo de graça e libertação, de realização de um projeto que fora anunciado pelos profetas. Uma das expressões antigas que revela a riqueza do caminho de esperança diz: “Dar-vos-ei coração novo, porei no vosso íntimo espírito novo, tirarei de vosso peito o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ez 36,26).
O caminho da esperança deve ser de mais santidade, mais justiça, mais prática de solidariedade, mais amor, mais respeito etc. Deve ser também de combate ao consumismo e de busca de poder. Precisamos saber viver, porque para Deus mil anos são como um dia. Tudo passa menos o amor.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.

Fonte: Catequese e Bíblia 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Artigo de Dezembro de 2014 - Pe. Luís Gonzaga Bolinelli



Anunciar a Palavra de Deus que mora entre nós

Quando falamos de Natal, logo nos vem em mente a ternura e a singeleza do Menino Jesus com Maria e José no Presépio. Essa bela imagem que idealizamos a partir dos relatos dos Evangelhos, com certeza nos leva a refletir sobre aquela verdade fundamental da nossa fé: Deus se fez homem em Jesus de Nazaré!
Para um cristão consciente, que tem sua fé mais amadurecida, graças a uma sólida catequese, essa imagem do Presépio tem um significado muito mais profundo. De fato, estamos diante do grande Mistério da Encarnação, isto é, diante do próprio Deus, que por causa de seu infinito e misericordioso amor por nós, fez questão de se rebaixar até assumir a natureza humana, em seus aspectos mais simples e humildes. Assim, festejar o Natal é celebrar o Deus que quis se identificar conosco em nossas mais variadas situações de vida, principalmente solidarizando-se com os mais fracos, desprotegidos e descartados... Aquele que é perfeito e todo-poderoso, em Jesus, se torna limitado, fraco, dependente, necessitado do auxílio e compreensão dos outros...
Para muitos, é bem mais simples e cômodo acreditar num Deus invisível e todo-poderoso, que está lá em cima no céu, sentado no seu trono, agindo com justiça, mas cheio de misericórdia por nós pecadores. Mesmo isso tudo sendo verdade, a celebração do Mistério da Encarnação deveria nos questionar muito para darmos um sentido mais profundo e verdadeiro para a nossa fé cristã, que deve ser sempre marcada pela acolhida e solidariedade com os mais necessitados.
Quando o Papa Francisco diz desejar uma Igreja pobre para os pobres, está querendo deixar bem claro quais são as consequências da acolhida de Jesus Cristo em nossas vidas. No seu documento sobre a Alegria do Evangelho (EG) ele diz: “Deriva da nossa fé em Cristo, que Se fez pobre e sempre Se aproximou dos pobres e marginalizados, a preocupação pelo desenvolvimento integral dos mais abandonados da sociedade. Cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo. (...) Ficar surdo a este clamor, quando somos os instrumentos de Deus para ouvir o pobre, coloca-nos fora da vontade do Pai e do seu projeto.” (EG 186-187).
Por isso é fundamental que em nosso trabalho de evangelização e catequese tenhamos a preocupação constante de estarmos conduzindo nossos catequizandos ao encontro com o verdadeiro Deus que nos foi apresentado por Jesus. Que todo trabalho catequético seja “pé no chão”, isto é, que seja integrador com toda a realidade, que valorize a criação como um todo, que leve à vida comunitária, sem vê-la como contrastante com as demais realidades do mundo, mas como sinal do Reino e lugar de crescimento e celebração da fé no Deus feito homem em Jesus Cristo.
Em nome de toda a Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da Diocese de Santos, desejo a você leitor e evangelizador, e a todos os catequistas um Natal marcado pelo reencontro com Jesus que se fez um de nós para trazer dignidade e dar sentido à vida de todos. Desejo também que cada dia do novo ano que se inicia seja abençoado e iluminado pelo Deus da vida, possibilitando a todos serem autênticos discípulos missionários de Jesus Cristo.

Aprofundamento a partir da Palavra de Deus: Com as Festas Natalinas celebramos o Mistério da Encarnação do Senhor e a Liturgia do dia de Natal nos convoca a refletir sobre o texto bíblico: Jo 1,1-18. Convido você a lê-lo com calma, prestar atenção e responder: O que celebro no Natal? Quais as consequências dessa celebração em minha vida? O que a celebração do Natal tem a ver com meu trabalho de evangelização e catequese?

Pe. Luís Gonzaga Bolinelli – Assistente Eclesiástico da Comissão AB-C

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Seminário Nacional de Iniciação à Vida Cristã



De 06 a 09 de novembro na cidade de São Caetano do Sul (SP), na Matriz Sagrada Família, aconteceu o Seminário Nacional de Iniciação à Vida Cristã, organizado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, reunindo representantes dos seus 18 regionais, sob o lema “Quanto a nós, não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (Atos 4,20).

O Seminário teve por objetivo mostrar aos 200 participantes, entre eles bispos,  padres e religiosas, como está  se desenvolvendo a Catequese com Inspiração Catecumenal em algumas partes do Brasil. Este Seminário teve um formato ousado, deixando de lado as tão conhecidas palestras,  e apresentando relatos de algumas  experiências desse processo tão almejado por todos.

O regional Nordeste III – Aracaju apresentou os resultados do “Alerta”, evento de evangelização destinado aos jovens.
O Regional Sul 1 – São Paulo, de catequese junto às pessoas com deficiência.
O Regional Norte II – Abaetetuba (PA), junto às comunidades ribeirinhas.

O Seminário evidenciou a acolhida e a preocupação do Brasil a essa nova metodologia, e seu objetivo foi a de criar uma linguagem mais unificada ao ministrar a catequese, adequando-a as realidades brasileiras, e ressaltando a importância de uma verdadeira Conversão Pastoral Missionária da Igreja.

Nós, catequistas, Maria de Lourdes Farto Chaves, Katia Gonçalves Esteves e Mirtes Regina de Paula Guimarães que participamos, voltamos com a grata convicção por perceber que estamos enquadradas dentro deste novo jeito de Evangelizar e conscientizadas de que temos muito que caminhar ainda, voltar à base da fé, priorizar e trabalhar a Conversão total da Diocese. Com tudo, o que ouvimos, fomos chamadas a ousar, a realizar o novo, não deixando a responsabilidade absoluta com a catequese, justamente por perceber que este é um trabalho de toda Igreja e que porque, a Iniciação à Vida Cristã é maior que esta. Vale nos perguntar: como as demais Pastorais de nossa Diocese, estão trabalhando a questão da Iniciação à Vida Cristã? Nós, enquanto Comissão, estamos lançando as sementes, como um bom semeador deve fazer. Mas queremos ecoar a todas elas (pastorais), envolvendo-as neste processo tão abrangente!
Para isto, precisamos realizar com urgência um trabalho catequético evangelizador diferente, “para que no futuro tenhamos frutos melhores”.
Neste Seminário, dentre todos os momentos de Graça vividos, aconteceu um muito esperado... O lançamento oficial do “Itinerário Catequético com Inspiração Catecumenal”. Livro este, que iremos trabalhar em 2015 em nossa Diocese.

Fonte do texto e foto: Maria de Lourdes Farto Chaves, Katia Gonçalves Esteves e Mirtes Regina de Paula Guimarães