segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Maria, presença do 'vinho bom' da alegria.


 

“Eles não tem mais vinho!” (Jo 2,3)


Neste dia em que, no Brasil, celebramos a memória de Maria, a mãe Aparecida, o evangelho indicado para esta festa nos coloca diante de um relato muito simbólico; alguns exegetas chegaram a afirmar que, antes de ser relato, foi simplesmente uma parábola, no qual cada elemento contém toda uma mensagem carregada de conteúdo. É um evangelho rico em motivos históricos, cristológicos, eclesiais e marianos.


A boda, as talhas de água, o vinho, a figura da mãe, as próprias expressões utilizadas..., tudo isso está falando da novidade que, segundo o autor do evangelho, Jesus traz: a passagem de uma religião ritual (a água da purificação) e vazia (“eles não tem vinho!”) à plenitude de uma vida transbordante de surpresa, alegria e assombro (o “vinho bom” que surpreende o mordomo). 


O contexto é um casamento: isso supõe que há amor, vida, famílias, encontro, festa, sonhos, esperanças... É o que Deus sente e deseja para todos os seus filhos e filhas.


E o relato que escutamos é uma festa de casamento que pode desembocar na frustração, pois o vinho no fim. Ou seja, vai terminar a alegria, a convivência festiva, o amor...; aos convidados só lhes restará o mais puro legalismo da água, dos ritos de purificação, mas sem vida e sem amor.


Uma boa oportunidade não é buscada premeditadamente, senão que ela é aproveitada quando aparece. Ali, a perspicaz e atenta é Maria, a mãe de Jesus.


Precisamente, conforme o evangelho, Maria é aquela que se coloca a serviço do amor e da vida, do vinho e da festa. Por isso, critica as bodas antigas (de Israel e talvez de grande parte das bodas de nossas Igrejas, carregadas de leis e normas de pedra e água, com pouco vinho de vida).


Maria também está presente, intimamente unida à missão do seu Filho; presença com sabor do vinho especial, prolongando uma festa que corria o risco de acabar. João realça sua presença: o “vinho bom” da alegria que não termina nunca. 


Porque estava presente a Deus, Maria fez-se presente nos momentos decisivos de seu Filho, bem como fez-se presente na vida das pessoas. Uma presença que fez a diferença: presença solidária, marcada pela atenção, prontidão e sensibilidade, próprias de uma mãe.


Sua presença não era presença anônima, mas comprometida; presença expansiva que mobilizou os outros, assim como mobilizou seu Filho a antecipar sua “hora”.


Nas bodas de Caná, a novidade está numa nova forma de presença de Maria, que não se encontra interessada, em princípio, por fazer coisas, por resolver problemas, senão para traçar uma presença. Ela não está aí para “arrumar” as coisas, mas para escutar e compartilhar um momento festivo. Ela se encontra presente, num gesto de solidariedade que transcende e supera toda atividade.


Há nela uma densidade existencial, um sabor de cotidianidade que perfuma a fé: o espaço é o doméstico da casa de família; a oportunidade é a de uma festa de casamento; o contexto é o das relações; o exercício é o do cuidado e da atenção. E há em Maria uma sensibilidade envolvente ao todo da vida, mesmo quando o vinho começa a se tornar escasso. Com sua atuação discreta, da escassez brota a surpresa. 


Trata-se de uma presença que é “música calada” nos lugares cotidianos e escondidos, que sabe enternecer-se e escutar as inquietações que procedem desses lugares. Uma presença que descobre o próximo no próximo, que sabe resgatar a solidariedade na vida cotidiana. Uma presença que se manifesta na ausência de recompensa ou de interesse próprio.


Em definitiva, Maria descobre que é chamada a dar de graça o que de graça recebeu. Sabe entrar em sintonia com os sentimentos dos outros e construir vida festiva, e vida em abundância.


Sua presença revela um gesto profético de solidariedade e de anúncio: presença que aponta para uma outra presença, a de seu Filho. Sua presença dignifica e revela um novo sentido à presença de Jesus numa festa de casamento. 


A presença silenciosa, original e mobilizadora de Maria desvela e ativa também em nós uma presença inspiradora, ou seja, descentrar-nos para estar sintonizados com a realidade e suas carências. Tal atitude nos mobiliza a encontrar outras vidas, outras histórias, outras situações; escutar relatos que trazem luz para nossa própria vida; ver a partir de um horizonte mais amplo, que ajuda a relativizar nossas pretensões absolutas e a compreender um pouco mais o valor daquilo que acontece ao nosso redor; escutar de tal maneira que aquilo que ouvimos penetre na nossa própria vida; implicar-nos afetivamente, relacionar-nos com pessoas, não com etiquetas e títulos; acolher na própria vida outras vidas; histórias  que afetam nossas entranhas e permanecem na memória e no coração.


Disto se trata: aprender dos outros; recarregar nossa própria história de um horizonte diferente, no qual cabem outras possibilidades e outras responsabilidades; descobrir uma perspectiva mais ampla que ajuda a formular melhor o sentido de nossa própria vida. 


Jesus, mobilizado por Maria, ao transformar a água em vinho, o que faz é transformar a realidade, os afazeres duros em atividades prazerosas, a vida rotineira em alegria, a tristeza em bom humor, a água das purificações em vinho novo. Jesus se fez presente com o vinho da melhor qualidade. Que dure a festa!


Jesus não fez isso no Templo, nem na sinagoga, nem em uma reunião de grupo, mas em uma festa de casamento. E dentro dela, o convite à festa perene do Reino.


Habitualmente, em nossa existência parecem alternar-se a “água” e o “vinho”, a rotina e a novidade, os dissabores (sem sabor) e a sensação viva de plenitude. É importante sermos conscientes de que a causa de nos encontrar em uma ou outra dessas vivências não depende daquilo que acontece, mas do “lugar” a partir do qual nós estamos vivendo.


É penosa a quantidade de pessoas que encontramos na vida queixando-se, lamentando-se, sentindo-se mal. É preciso realizar o gesto de mudar a água da rotina em vinho de salvação; fazer da realidade uma oportunidade inspiradora. Um motivo para transformar a queixa – “não temos vinho” – no milagre. Uma maneira de sair de nossa estreita maneira de olhar e entrar na largueza do olhar de Deus.


E assim, tudo começou: os sinais, a glória e a fé.


Texto bíblico:  Jo 2,1-11


Na oração: inspirado na presença original de Maria, ter presente os lugares onde você vive e transita; sua presença dá “sabor e calor” a esses ambientes? Você é capaz de sintonizar com as oportunidades únicas para multiplicar o “vinho” da boa palavra, do gesto solidário, da atenção descentrada?


Você vive na rotina da “queixa” ou no prazer da presença?


Pe. Adroaldo Palaoro sj


Fonte: Catequese do Brasil - CNBB 

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Seminário Nacional de Animação Bíblica da Pastoral

 


A Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza de forma online o Seminário Nacional da Animação Bíblica da Pastoral, de 8 a 10 de outubro, com o lema “A Palavra de Deus crescia, e o número dos discípulos se multiplicava consideravelmente” (At 6,7).

Padre Jânison de Sá, assessor da Comissão, explica que a iniciativa quer convidar as coordenações de pastorais, movimentos e grupos a assumirem a animação bíblica da pastoral colocando no centro a Palavra de Deus. “A Animação Bíblica não é somente para a catequese, mas para todas as pastorais e movimentos animarem de fato a Bíblia”, diz.

O Seminário ainda de acordo com padre Jânison é uma tentativa de promover a reflexão e motivar para uma prática a animação bíblica de toda a pastoral. “O Brasil já fez uma longa caminhada, mas precisamos fortalecer sempre mais esta centralidade da Palavra de Deus em toda a ação evangelizadora e pastoral da nossa igreja”, completou.

A iniciativa de cunho nacional também vai ao encontro do que diz a Exortação Apostólica Verbum Domini, do papa Bento XVI, quando no número 73 afirma que “o Sínodo convidou a um esforço pastoral particular para que a Palavra de Deus apareça em lugar central na vida da igreja recomendando que se incremente a pastoral bíblica; não em justa posição com outras formas de pastoral, mas como animação bíblica da pastoral inteira”.

Programação
No dia 8 de outubro, às 20h, dom Jacinto Bergmann fará uma memória apresentando todo o histórico da animação bíblica na vida da pastoral. Já a irmã Maria Aparecida Barboza vai apresentar o tema da animação bíblica da pastoral nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). Dom José Antônio Peruzzo fará uma reflexão sobre a Parábola do semeador (Mt 13, 1-9).

No dia 9, às 20h, dom Armando Bucciol fará uma reflexão sobre o texto onde Jesus convida os discípulos de Emaús (Lc 24, 13,35). Também o professor Mathias Grenzer fará uma apresentação sobre a Palavra de Deus na Igreja à luz da Exortação Apostólica Verbum Domini. Já Mariana Venâncio falará sobre a Animação Bíblica da Pastoral e Formação Bíblica do Laicato.

No dia 10, também às 20h, o texto inspirador será o (Lc 4,14-22) e vai refletido por dom Waldemar Passini Dalbello. O padre Décio Walker dará algumas orientações para a Animação Bíblica da Pastoral e a irmã Izabel Patuzzo, assessora da Comissão, dará algumas dicas sobre como implantar a Animação Bíblica da Pastoral.

O seminário poderá ser acompanhado nas redes sociais da CNBB (@cnbbnacional) e na da Catequese do Brasil (@catequesedobrasil).

In: site da cnbb.org.br  08.10.2020


segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Estudo Bíblico do Livro do Deuteronômio Mês da Bíblia 2020 - Palestrante Padre Aparecido Neres Santana, CSS

 



A Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da Diocese de Santos irá realizar um Estudo Bíblico do Livro do Deuteronômio. A Live será administrada pelo Assessor Eclesiástico Pe. Aparecido Neres Santana, CSS. 

O evento acontecerá no dia 21 de setembro às 20h, nas redes sociais da Comissão AB-C:

  www.facebook.com/abcsantos

  www.facebook.com/evangelizadoresdeplantao

 e no link do Youtube da Comissão AB-C: 

youtu.be/QPgCOkeX0EU 

E também pelo Face da Paróquia Santo Antônio/Praia Grande/SP 

link da paróquia:  www.facebook.com/SantoAntonio.PG

Todos os Evangelizadores Discípulos Missionários estão convidados a participar. 

Comissão AB-C Diocese de Santos.