segunda-feira, 19 de novembro de 2018

RETIRO DE DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS: CATEQUISTAS EVANGELIZADORES DA REGIÃO LITORAL SUL CIDADE DE ITANHAÉM DIOCESE DE SANTOS/SP



A Comissão para a Animação Bíblico-Catequética realizou neste sábado 17 de novembro, na Paróquia Matriz Nossa Senhora do Sion, Cidade de Itanhaém, o Retiro de Discípulos Missionários: Catequistas e Evangelizadores da Iniciação à Vida Cristã com Espírito. Este retiro contou com a presença de quase 52 Discípulos Missionários: Catequistas Evangelizadores da Cidade de Itanhaém. 





Formador: Padre Aparecido Neres Santana,
Assessor Eclesiástico da Diocese de Santos.


Momentos marcantes do Retiro:














Este mesmo retiro acontecerá em todas as cidades de nossa Diocese de Santos. Veja em sua paróquia com o coordenador da Catequese qual será o dia e local de sua paróquia.

A Comissão AB-C agradece a acolhida da Comunidade e da presença do Padre Esteban Juan.



Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C
        Comissão AB-C Diocese de Santos.

domingo, 18 de novembro de 2018

Mensagem da 4ª SBC aos catequistas do Brasil


Indaiatuba(Itaici), 18 de novembro de 2018. 
“Nós ouvimos e sabemos que ele é o Salvador do mundo” (Jo 4, 42) 
Queridos (as) catequistas,
A 4ª Semana Brasileira de Catequese a serviço da IVC, cujo o lema, nós ouvimos e sabemos que Ele é o Salvador do mundo, mergulhou-nos em temas sobre a Iniciação à Vida Cristã.  Eis seu objetivo geral: compreender a catequese de inspiração catecumenal a serviço da Iniciação à Vida Cristã, buscando novos caminhos para a transmissão da fé, no contexto atual. Gostaríamos que esta mensagem chegasse a vocês antes do nosso retorno. Afinal, nada do que refletimos aqui se torna realidade sem o trabalho dedicado de vocês aí.
Algumas questões muito relevantes abordamos aqui:
  • -A transmissão da fé às novas gerações nos novos contextos e com novos interlocutores;
  • -A mudança que o seguimento de Jesus traz à nossa compreensão do sentido da vida;
  • -A importância da liturgia para mergulhar no segredo de Deus, isto é, no seu mistério e no compromisso com a vida;
  • -O Senhor Jesus Cristo é a Palavra humana por Deus pronunciada. A Leitura Orante é a grande experiência de deixá-Lo falar.
  • -Acolher essa palavra nos aproxima do irmão e nos faz viver em comunidade,
  • -Os tempos mudaram, a linguagem digital domina os movimentos e os relacionamentos. Nós, catequistas, somos desafiados e desafiadas a comunicar nesta realidade, a alegria do Evangelho.
Como aconteceu com a Samaritana depois do encontro com Jesus Cristo,  queremos voltar para  comunicar a experiência que tivemos com Ele. Assim esperamos que muitas pessoas possam conhecer e acolher com alegria as boas notícias da parte de Deus. Os tempos são difíceis, mas as promessas de Deus são generosas. Tudo passa rápido, mas a fidelidade dele é permanente. E todos nós, catequistas, vivemos a emocionante alegria de sermos testemunhas deste anúncio do qual o mundo tanto precisa.
Se quisermos ser fieis à Igreja do Evangelho e ter criatividade ao em transmitir a pessoa de Jesus Cristo, o melhor caminho será abraçar a possibilidade de processos iniciáticos nas nossas comunidades. Onde já se começou, comunidades novas surgem. Quem é iniciado assume uma nova identidade.  
Queridos catequistas, que Deus lhes multiplique em bênçãos a bênção que são vocês para a formação de novos discípulos, novos missionários e muitos novos iniciados.  São grandes os problemas, mas são maiores as nossas esperanças.
Hoje é fácil encontrar más notícias. Mas a Iniciação à Vida Cristã é uma grande geradora de boas notícias. Vocês, catequistas, são Palavras da Igreja na construção do mundo melhor que Deus sonha para todos os seus filhos.
Que Maria, a catequista de Nazaré, lhes seja uma grande fonte de inspiração na experiência do discipulado. Que ressoe em seus ouvidos a frase pronunciada em Caná: “fazei tudo o que Ele vos disser!”(Jo 2, 5) e assim nunca  faltará o vinho da alegria na festa da vida.
Catequistas Participantes da 4ª Semana Brasileira de Catequese

sábado, 17 de novembro de 2018

Destaques do 3º Dia da Semana Brasileira de Catequese



3º Dia da Semana Brasileira de Catequese
17 de novembro
A Celebração eucarística foi presidida por Dom Carlo Verzeletti, bispo de Castanhal-PA. Após o café, às 9h, Dom José Antonio Peruzzo, arcebispo de Curitiba e presidente da Comissão Bíblico-Catequética da CNBB, proferiu a conferência “Do encontro com Jesus ao encontro com o irmão: viver em comunidade”.
Alguns destaques do conteúdo apresentado:
- A forma nominal “seguimento” não se encontra nos evangelhos. Seus autores empregam o verbo “seguir”.
- “Seguir Jesus” era uma realidade possível, cujo início dependia, fundamentalmente, de um encontro pessoal com Ele. Sem burocracias, sem pré-requisitos. 
- O que se afigurava um encontro ocasional se tornou comunhão de vida e até participação plena na mesma causa dele. Nestas linhas, além de dialogar com os evangelistas, tendo diante dos olhos a suas palavras, é a Palavra de Deus que nos vai ensinar sobre o seguimento.
- No evangelho de Mc 1,16-20 o tema do seguimento está entre as primeiras palavras pronunciadas por Jesus. Isto é já sinal de que estamos ante uma das questões mais caras aos evangelistas. Viu e lhes pronunciou a palavra-convite. Aquele olhar e aquela palavra assinalaram um fim e um começo: deixaram de ser pescadores de peixes. Começou o caminho dos pescadores de homens.
-  Em Jo 1,35-39 – a resposta “Vinde e vede” (1,39) não propõe um endereço. Oferece-lhes sua relação de convívio. Isso não se aprende por informação, nem por lição vinda de um mestre. É por experiência, é mediante o encontro pessoal.
- E o seguimento continuou. Jesus, caminhando à beira do mar, viu... chamou... E eles, imediatamente, deixaram as redes e o seguiram (Mc 1,16-18). Assim também com Levi: “Ele se levantou e seguiu-o” (Mc 2,14). Algo semelhante aconteceu nos relatos de João. Apenas um exemplo: “Os dois discípulos ouviram esta declaração de João Batista e passaram a seguir Jesus” (Jo 1,37). Na realidade, os evangelistas querem estimular o leitor à adesão a Jesus. Por isso, aceleram o tempo da história. Mas houve um processo. Houve um caminho começado. E continuado até com dificuldades.
- O evangelista tem sempre ante seus olhos o leitor. A ele quer aproximar a história e os passos dos discípulos. Expõe seus caminhos, tropeços, e novos caminhos. Chegamos ao lava-pés (Jo 13,1-11). Impressionam o vs. 4-5. São vários verbos no presente: “Levanta-se... depõe o manto... cinge-se... derrama água na bacia...pôs-se a lavar... a enxugar”. Na língua grega isso significa que aqueles mesmos gestos e significados continuam a valer para o tempo do leitor. Pedro não entendera todos aqueles ritos. Referiu-se a Jesus como “Senhor”, mas custava-lhe ver Jesus com avental, água, toalha... Vê-lo como soberano não requer nova mentalidade. No seguimento Pedro seria interpelado a colocar o avental..., fazer-se e lavar os pés dos irmãos (Jo 13,13-17). É o caminho do discípulo.
- A fraternidade entre os seguidores de Jesus é uma verdade constitutiva do discipulado. Ou seja, se esta faltar não há mais seguimento.
- O mandamento novo “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos...”  não tem alcance cronológico, mas qualitativo. Por outro lado, o complemento “assim como eu vos amei” aponta para o fundamento que sustenta a missão de amar-se uns aos outros. Este decorre da experiência de amor que eles, discípulos, terão tido com Jesus. É ele a causa do amor entre eles. A amizade com Jesus, por eles experimentada, não é apenas comparação. É a realidade fundante.
- A Igreja no Brasil está a pedir a seus filhos que recomecemos a partir de Jesus Cristo. Nossa vocação e missão apontam para o encontro com Ele e com o irmão. Ou seja, para experiências comunitárias e eclesiais de seguimento.
- É hora da fé e da esperança no caminho da Iniciação à Vida Cristã. Os evangelistas parecem ter percebido isso desde seus primeiros escritos. Pedem que não nos atrasemos. 
Após o intervalo, a palavra foi dada ao professor Moisés Sbardelotto para a conferência: “A catequese na era digital: novas linguagens, novos processos de comunicação”. 
Alguns destaques do conteúdo:
  • Não está em questão o uso de tecnologias, o que está em jogo é uma cultura nova que vai além do uso de tecnologias. A Igreja é convidada a repensar os seus processos de comunicação.
  • Não é uma questão de oferecer receitas para a catequese. Temos uma Igreja diversa, não adianta dar receitas porque a longo prazo não servirá. Não iremos refletir sobre o uso de maquinário técnico, o mais importante é entender as lógicas que movimentam isso. A cultura digital tem facetas próprias em vários locais.
  • Em 30 anos a transformação no mundo foi enorme. Também a Igreja mudou sua maneira de fazer comunicação. Alguns dados importantes:
Dados sobre o Brasil:
-Dos 210 milhões de habitantes, metade usa internet.
-130 milhões usam mídias sociais
-O tempo médio de uso da internet é de 9 horas de uso por dia.
Uso específico em mídias sociais: 4 horas por dia.
        É importante pensar esses dados à luz da fé.
  • A ferramenta mais utilizada é o YouTube, depois Facebook, Messenger, Instagram. São as principais.
  • Cresce o número de crianças e adolescentes conectados só pelo celular. A maioria não assiste televisão. O computador fixo também diminuiu o uso. 44% consomem informações via celular. 85% usou a internet ao menos uma vez em 3 meses. Também em classes de renda baixa.
  • Os maiores medos das novas gerações: não ter WiFi, ficar sem internet, ficar sem bateria.
Características dessa cultura digital
.Cultura sintética (digitalização de tudo).
-  Cultura da convergência.
-  Da multimídia à transmídia.
Vivemos nessa cultura digital, do link. Fala-se em transmídia. Verificar como cada uma pode ajudar no processo comunicacional.
.Cultura da conectividade
- Somos Aldeias globais.
- Mutação da relação com o conhecimento e com o outro: “inteligência coletiva” e “intercriatividade”.
.Ubiquidade
- A rede em toda a parte ao mesmo tempo. “Aqui, agora, já”. Mobilidade.
- Cultura instantânea, simultânea, “presenteísta”.
.Autonomia
- “Autocomunicação de massa” M. Castells
- “O amador ocupa o espaço livre entre o profano e o especialista” P.Flichy
- Cultura da participação.
- Cultura maker.
Se a catequese não circula no espaço digital, amadores ocupam este espaço. Quem é cultura da participação não suporta ficar sentado, precisa participar. O debate é mais precioso. É uma cultura do fazer.
Crianças querem fazer, colocar a mão na massa, também adolescentes e jovens.
Inculturação digital 
- Pela inculturação, a Igreja “introduz os povos com as suas culturas na sua própria comunidade”, porque “cada cultura oferece formas e valores positivos que podem enriquecer o modo como o Evangelho é pregado, compreendido e vivido” (EG 116).
- É preciso ver o que há de positivo na cultura digital e como ela pode enriquecer a catequese. Não significa trazer tecnologia para dentro da Igreja e da catequese, mas as formas, os valores dessa cultura...
- A Igreja tem reflexão interessante sobre isso. Basta acompanhar as mensagens dos dias mundiais das comunicações sociais, por exemplo. A mensagem do próximo ano irá tratar sobre “Comunidades em rede e comunidades eclesiais”.
- A Igreja não só reflete, mas tenta encarnar o que propõe:
.março 95 – Vaticano lança um site.
.Papa João Paulo II enviou um primeiro e-mail, em novembro 2001, aos bispos do mundo inteiro.
.Papa Bento XVI inaugura sua página no Twitter. O primeiro papa que fala em nome próprio na cultura digital (dezembro de 2012).
.Papa Francisco continuou usando essa página no Twitter – O papa é o primeiro colocado na lista de líderes mundiais mais seguidos. Em março de 2016, criou sua conta no instagram.
É a tentativa de aproximar a Igreja nas redes.
Interfaces entre a catequese e a cultura digital
Didático-informativa
A internet é um “banco de dados” e ”memória sociocultural”. Que bom se a catequese puder se aproveitar disso, das imagens, dos textos. Os assuntos do momento também podem ser utilizados como sinais dos tempos...
O celular pode ser utilizado como recurso. Como aproveitar o celular como recurso catequético? Usar para fotos, para pesquisa...
Aplicativos podem ser desenvolvidos. 
- Sombras:
  • Hiperinformação e infoxicação.
  • Fake News e desordem informacional (falso + nocivos). Mistura maldade, agressão.
“Na atualidade temos excesso de informação e insuficiência de organização, logo carência de conhecimento (E. Morin).
Os nativos digitais sabem usar a tecnologia, mas precisam ser educados no uso delas. Temos muita informação, mas o que se faz com ela para gerar conhecimento é que é a questão. 
- Luzes:
- Que os encontros possam organizar e ressignificar: deslocamento do doutrinal para o experiencial/vivencial. Ensinar a exigência irrenunciável do amor ao próximo (EG 161).
- Catequese querigmática e mistagógica (EG 160). A catequese pode ajudar a ler o que se vivencia em rede.
- Alfabetização midiática, presença significativa, ativa, autocritica e cristã. Formar para a informação.
- Discernimento: examinar, priorizar, escolher, decidir. Ajudar a ver quais prioridades tenho no dia a dia, a quem seguir, a quem bloquear
- Verdade – beleza – bem comum – são os critérios.
Psicopedagógica
- Identificação e significação da pessoa. Fazer esforço para conhecer o perfil dos catequizandos e o contexto cultural em que estão inseridos. Podemos conhecer mais coisas das pessoas do que no presencial. Não é bisbilhotar a vida dos catequizandos, mas ver o que a rede nos apresenta sobre essa pessoa, se comunica a pessoa do catequizando. Tudo que se faz em rede não é neutro. Estamos falando sobre nós mesmos quando falamos em rede.
- É preciso colocar um ouvido no megafone que são as redes sociais e ouvir o que os catequizandos estão confessando sobre si. Captar a riqueza, valores, possibilidades...
- Ficar à escuta do povo para descobrir aquilo que os fiéis precisam ouvir. Um pregador é um contemplativo da Palavra e também um contemplativo do povo. Nunca se deve responder a perguntas que ninguém se põe (EG 154-155). Olhar as redes e ver quais perguntas aparecem sobre os catequizandos. 
Sombras:
- Quanto sofrimento há na rede, ciberlullyng, pornografia, boatos, fraudes, isolamento...
- Supervelocidade: aceleração do tempo e perda de memória.
- Bolhas informacionais: mais do mesmo. 
Luzes:
- Arte do acompanhamento espiritual: também nas redes sociais...
Ajudar a refletir o que se viu, o que os catequizandos postam.
- Nem tudo é bobagem no que a pessoa posta na rede. É ela que está se revelando.
- Somos chamados a formar as consciências, não pretender substituí-las (AL 37).
- Num tempo tão veloz podemos propor a lentidão, propor o jejum tecnológico, o deserto digital.
Sociocomunitária
Como a rede pode nos alimentar nas relações? É preciso ver as redes como facilitadoras e potencializadoras de comunidades.
- Podemos fazer teleconferências e intercâmbios catequéticos: uma catequese na diversidade, encontro com lideranças.
- Sala de catequese expandida: abertura à sociedade e ao mundo. Ruas e redes....
- “Gesto concreto digital”: doar tecnologias para periferias.
O Papa Francisco falou com um grupo de crianças do mundo inteiro. A maneira como foi realizada a preparação para o sínodo com seminários online também foi uma inovação.
 Teológico pastoral (algumas indicações)
- Oração via internet e aplicativos.
-Pregrinação virtual (visita a museus religiosos, viagem online à terra santa, caminhar pela terra santa via aplicativo)
- Buscar e encontrar Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus (Santo Inácio). Deus já age nas redes sociais antes de nós. Como perceber sua presença nesses ambientes é nossa tarefa.
- Dar testemunho em rede. O testemunho cristão nas redes não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros, atento às suas questões. Ter coerência dentro e fora dos encontros catequéticos.

Após o almoço, os participantes foram divididos em 20 novos grupos para uma experiência de vivência bíblica. Cada grupo recebeu um texto bíblico e teve a assessoria para a reflexão e vivência do mesmo.
Após o café, às 16h30, os participantes retornaram ao auditório para uma conferência de Dom Otávio Ruiz Arenas, secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização (o resumo da sua conferência estará em outro texto).
Após o jantar, foram feitas homenagens a Ir. Israel José Nery, Therezinha Motta Lima da Cruz, Marlene Maria Silva, Dom Francisco Javier, Pe. Luiz Alves de Lima. Gratidão por todo empenho, dinamismo, reflexão e por todo o trabalho feito pela catequese no Brasil.

Fonte: http://www.catequesedobrasil.org.br/noticia/destaques-do-3-dia-da-semana-brasileira-de-catequese

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Destaques do 2º Dia da Semana Brasileira de Catequese


2º Dia - 16 de novembro de 2018
O dia teve início com a Celebração Eucarística, às 7h, presidida por Dom Armando Bucciol, bispo da diocese de Livramento de Nossa Senhora-BA. Após o café, no auditório, Ir. Maria Aparecida acolheu e deu a palavra a Dom Leomar Antonio Brustolin, bispo auxiliar de Porto Alegre-RS, para a primeira conferência do dia sobre “O Querigma e a transmissão da fé no contexto atual”.
Alguns destaques do conteúdo apresentado:
- "Em cada nova etapa da história, a Igreja, impulsionada pelo desejo de evangelizar, não tem senão uma preocupação: quem enviar para anunciar o mistério de Jesus? Em que linguagem anunciar? Como conseguir chegar a todos?" (EN 22).
- Desafios do contexto:
-Olhar do discípulo missionário (EG 50).
-Dialogar com essa realidade que Deus deseja salvar, para que todos tenham vida e vida em abundância.
-Características deste tempo:
-Geração 4.0 (é a da inteligência artificial (digital, físico, biológico).
-Sociedade do cansaço.
-Crise de alteridade e estranheza.
-Pluralismo cultural e religioso.
-Cresce uma espiritualidade sem compromisso com a vida.
-Culto sem envolvimento com a ética.
-Religiosidade que coloca a pessoa no centro das relações com o sagrado.
- E a Fé?
Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora, tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado (PF 2). O teste de autenticidade da Iniciação à Vida Cristã(IVC) é o testemunho.
- Entre nós....
-Também cresce o espírito do fazer, organizar e planejar, mais do que o ser cristão, testemunhar a fé, viver a gratuidade, a esperança e a dor de quem segue Jesus.
-Somos tentados a mais fazer do que ser.
- Crer de forma integral
.A fé envolve todo o ser do crente: vontade, sentimento e pensamento.
.Não pode ser mero sentimentalismo ou mera explicação racional.
.A fé cristã não aceita fanatismos, nem fundamentalismos.
.Ser cristão exige seguimento de Jesus Cristo.
.Estamos formando discípulos ou adeptos?
Instrumentum Laboris do Sínodo de 2012 alertava: muitas comunidades cristãs não perceberam plenamente o alcance do desafio e a natureza da crise gerada por este ambiente cultural também no interior da Igreja.
-Chances para o querigma
.Não está acabando o cristianismo.
.A cultura atual não transmite a fé, mas liberdade religiosa.
.Os cristãos de amanhã sentirão a fé como elemento especial da Graça que favorecerá seu desenvolvimento humano.
.Viverão a fé em meio a pessoas que pensam e vivem de modo diferente deles.
.Anunciará mais pelo testemunho do que pelas palavras. É um cristianismo com mais qualidade de seguimento...
.Toda IVC sem renovação da comunidade não funciona. Não adianta. Não adianta mudar os iniciados e colocar numa comunidade não iniciada...
- O Encontro com Cristo
.Relação de proximidade, encontro e diálogo.
.Acolher o chamado de Jesus: vinde e vede.
.Jesus – presença do Eterno no meio do tempo que passa.
.Em sua vida, paixão, morte e ressurreição, encontramos o sentido da existência.
.Sua boa-nova é o amor que torna amável a vida.
- No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo (Deus Caritas Est 1).
- O encontro com o Cristo não é abstrato ou teórico, nem afasta do irmão mais pobre. A comunidade dos seguidores de Jesus é missionária.
- Quem crê anuncia
.Ser discípulo é ser missionário.
.Anunciar é afirmar, gritar, comunicar. É transmitir a fé com toda a vida. Anunciar com toda alegria.
.Não se anuncia uma mensagem fria ou apenas um corpo doutrinal.
-...E a comunidade?
.O anúncio da fé é sempre uma atitude comunitária.
.O encontro pessoal não se separa do encontro com aqueles que percorrem o mesmo caminho.
.Há uma relação entre o eu e o tu, entre a pessoa e Deus, que se relaciona com o nós.
.A fé exige que o eu se encontre no nós. A primeira catequista é a comunidade.
-Propor e repropor o Querigma
.De forma continuada e permanente.
.O primeiro anúncio não implica que este se situe apenas no início.
.É o primeiro em sentido qualitativo, porque é anúncio principal, aquele que sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar(...) em todas as suas etapas e momentos (EG 163).
- Conversão
.É preciso arrepender-se de um estilo de pastoral de manutenção para assumir nova postura missionária.
.Superar um estilo de vida que não pode ser tido como “cristão”.
.Há batizados e até agentes de pastoral que não fizeram o encontro com Jesus que muda a vida.
- Desafios
.Passar de uma religião de herança social para uma religião de opção pessoal.
.De uma sociedade unificada pela fé católica para uma sociedade constituída na liberdade democrática e no pluralismo de ideologias.
.De uma Igreja de massa a uma Igreja diferenciada e articulada em pequenas comunidades de discípulos missionários.
- O que é querigma?
.Para definir o querigma evitar tanto uma concepção muito ampla quanto uma noção reduzida.
.Ampla – afirmar que a pregação do evangelho já é um primeiro anúncio e que tudo é anúncio, significa que nada é anúncio.
.Reduzida – se limita a uma pregação calorosa.
- O querigma é anúncio
.Convite para dar os primeiros passos na fé.
.Implica na pessoa que testemunha uma atitude espiritual de esvaziamento.
.Ela não tem o poder de transmitir a fé e de converter.
.Há o imprevisto, o inesperado, o risco da liberdade.
.Tudo é graça de Deus.
.A difusão da fé é obra do Espírito Santo.
.O querigma vem de onde não esperamos. É obra do Espírito.
- O destinatário
.É também um interlocutor que se escuta.
.Que se vai aprendendo a conhecer.
.Que tem direito à palavra.
.Com quem se estabelece uma relação de amizade.
.Em meio ao pluralismo e relativismo do nosso tempo, é intolerável um anúncio imposto e fechado, sem diálogo.
- Quem realiza o querigma
.Quem fez o encontro com o Senhor.
.Se sente discípulo.
.Não faz de forma isolada, mas em nome da Igreja.
.As comunidades cristãs anunciam pelo seu estilo de vida, seu espírito, suas assembleias, suas celebrações, seus projetos e compromissos com os pobres.
- Pontos fundamentais do querigma:
.A revelação do amor de Deus que tudo criou por amor.
.O pecado humano que impede a pessoa de responder esse amor.
.Jesus Cristo é a revelação do rosto amoroso de Deus que nos salva da morte e permite ao ser humano acolher e responder ao amor de Deus.
.A resposta humana a esse amor é crer e mudar de vida, conversão.
.Quem garante essa experiência atualizada do amor de Deus é o Espírito Santo.
.Ao acolher o amor de Deus a pessoa encontra irmãos e irmãs para caminhar nesta estrada: é a comunidade eclesial – a Igreja.
-O querigma numa Igreja em saída
.Ir às periferias, sair ao encontro das diferentes periferias.
.Há muitos batizados que não vivem as exigências de seu batismo, perderam o senso de pertença à Igreja e já não sentem a consolação da fé.
.Buscar os socialmente excluídos e os moralmente perdidos, como Jesus fez.
- Querigma e sociedade: Querigma implica compromisso social. Resgatar a doutrina social da Igreja e a opção preferencial pelos pobres.
- Indicações finais
.Apresentar a boa-nova de forma alegre e propositiva - Evangelho da alegria.
.Ir ao encontro do outro já. É missão.
.Procurar manter uma maior proximidade com as pessoas. Pedagogia da presença.
.Propor o diálogo que estabelece uma verdadeira pedagogia da escuta.
.Anunciar Jesus Cristo em linguagem acessível e atual.
.Uma conversão pastoral que supere a pastoral de manutenção.
“Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DA 29)
Após o café, Pe. Thiago Faccini Paro, proferiu a segunda conferência da manhã com o tema “Celebrar e iniciar ao mistério: a Liturgia”.
Alguns destaques do conteúdo apresentado:
-Há necessidade da Iniciação na compreensão da vivência da Liturgia.
-O que nos dá identidade são também sinais e símbolos. E só pode perceber os significados deles quem foi iniciado.
-A iniciação é um conjunto de ritos, de ensinamentos orais que provocam uma transformação no estatuto religioso e social do iniciando. A iniciação realiza uma segregação, separação, um tempo de processo iniciático e a incorporação na identidade do grupo/comunidade e mudança de identidade. Entra-se de um jeito e sai-se transformado.
-Eis o mistério da fé! Fazei isto em memória de mim – É o mistério da ressurreição. Memorial. Fazer a experiência do tempo de Deus, um tempo que não nos limita. Através do rito da última ceia, fazer experiência de passar a pé enxuto no mar...
-O rito nos faz entrar noutra dimensão e celebrar a memória da libertação.
- Fazer isso em memória de mim – não é só recordar a última ceia, mas celebrar o mistério de nossa libertação: paixão, morte e ressurreição do nosso Senhor. O mistério de nossa salvação.
- A comunicação simbólico-ritual:
.Compreender a linguagem própria da liturgia.
.Os gestos simbólicos se transformam em rito.
.Os livros litúrgicos são a partitura da liturgia, mas não são a liturgia.
.A liturgia ou rito tem um ritmo que acompanha o corpo humano.
-O que é um símbolo e como funciona? Símbolo é uma representação que faz aparecer um sentido secreto, ele é a epifania (manifestação) de um mistério. São sinais sensíveis que nos permitem entrar em contato com uma realidade que não está ao alcance dos sentidos, mas que precisa da realidade sensível para se manifestar ao ser humano em busca do sentido da vida, em busca do mistério.
-Tocando os sinais sensíveis tocamos o mistério. Não existe liturgia sem ritualidade.
-O tempo da mistagogia e o método mistagógico:
.Na Igreja primitiva a catequese dos santos padres era feita a partir das celebrações. Não estavam preocupados em dar explicações e formas sistemáticas.
. Havia tempo para explicar o rito (vivenciavam o rito e depois explicavam).
- O Vaticano II restaura o catecumenato em etapas, o RICA.
- RICA é modelo inspirador que deve ser reconhecido e valorizado. O tempo e etapas são para catecúmenos...
- Inspiração catecumenal – o segredo não é criar tempos e etapas, mas ter um itinerário...
Catequese e Liturgia:
.Inicia-se pela Liturgia, pela arte de celebrar.
.Espiritualidade litúrgica.
.Ano Litúrgico.
.Eucologia (uso das orações).
.Sinais sensíveis.
.Música litúrgica.
.Espaço Litúrgico.
.Arte Litúrgica.
Em seguida, abriu-se o debate com os dois conferencistas que fizeram algumas considerações:
.A liturgia é iniciática.
.Não é possível resolver a iniciação sem o discipulado.
.Não seguir caminhos trilhados por outros que não fazem o que Jesus fez, como no caso de pregadores midiáticos.
.A geração 4.0 é carente de sentido, do sentido da vida.
.A formação de discípulos concentra-se no coração do mistério pascal.
.Inspiração é ver a essência do que está no processo. Não é simplesmente repetir os tempos e etapas do catecumenato, há pessoas já batizadas na catequese. O itinerário ainda é sacramental e não tem uma sequência. A finalidade é formar discípulos. O itinerário precisa ajudar a fazer discípulos. É preciso ter um único itinerário que gradativamente vai se encaminhando. O sacramento é parte do processo.
.Trocamos o nome para Iniciação à vida cristã, em tempos e etapas, mas não há um itinerário único, cujo fim é formar discípulos.
.O processo catecumenal não é cópia do início do cristianismo. É preciso adaptar à realidade atual.
Na parte da tarde, após o almoço, os participantes se reuniram para as 20 oficinas oferecidas. Cada um escolheu uma oficina diferente da que fez no dia anterior.
 Lucimara Trevizan e Marlene Maria Silva
Secretaria da 4ª Semana Brasileira de Catequese
Fonte: http://www.catequesedobrasil.org.br/noticia/destaques-do-2-dia-da-semana-brasileira-de-catequese