Artigos Pe. Aparecido

Artigo de Novembro 2017 do Padre Aparecido Neres Santana 


O DISCÍPULO MISSIONÁRIO MULTIPLICA OS TAELENTOS RECEBIDOS
Neste artigo Bíblico-Catequético, do 33º Domingo do Tempo Comum, refletiremos o Evangelho de Mateus 25,14-30.  Estamos no penúltimo domingo do Ano Litúrgico A, de São Mateus. Façamos algumas indagações a este texto, ou mais especificamente à comunidade de Mateus: por que este último servo enterrou o talento recebido? Porque o medo? Porque a comunidade de Mateus fez essa reflexão? A centralidade da parábola está no terceiro servo infiel, já que, os dois primeiros servos, dobraram os talentos recebidos, fazem parte do Reino, e compreenderam a dinâmica da missão. Mas o que recebeu e enterrou o único talento (um talento equivale aproximadamente a 34 quilos de ouro), não produzindo nada! Apenas conservou o que lhe foi confiado. Este recebe a condenação, mas também toda atenção do patrão, pois, o servo inútil é jogado fora, para que possa sair e produzir frutos, é a chance de voltar a participar do banquete do Reino. Ele ainda tem salvação.
 Certamente com a partida do patrão, isto é, após a ressurreição de Jesus, houve acomodamento de muitos discípulos, na expectativa da volta eminente de Jesus. Esses servos inoperantes são certamente os fiéis observantes da Lei Mosaica, que fechados no seu rigorismo, com uma mentalidade mesquinha, rejeitaram o Messias, mostrando-se assim servos infiéis.
No contexto da comunidade primitiva de Mateus o Talento é a fé Pascal no Ressuscitado dada aos discípulos. A finalidade da parábola e exortar a comunidade a viver o presente na fidelidade e com empenho. O cristão que observa simplesmente preceitos, leis, regras, torna-se infrutífero, caminha sempre na mesma trilha, com medo de errar. Não é quente nem frio, como fala o Anjo para a Igreja em Laudicéia “Conheço atua conduta: não és frio nem quente. Oxalá fosse frio ou quente, estou para te vomitar de minha boca” (Ap 3, 15-16).  Ao contrário, o servo que sai do conforto dos templos, para a missão, vai para as ruas, casas, esquinas, enfrentando doto tipo de desafios, que assumi riscos! Esse vê seus talentos multiplicarem e encontra sentido para a viva em Cristo. Aqui está a conversão pessoal e pastoral do discípulo.    




Para refletirmos: No texto de hoje está bem claro: o que Cristo nos quer fazer entender, é que nós não devemos ter medo da nossa fé. A fé ousa o que nunca acreditamos ser possível. Acreditar é ousar. Acreditar e ousar, que podemos implantar o Novo Método Catequético de Inspiração Catecumenal. Uma catequese mais, dinâmica, vibrante, acolhedora e participativa, sem medo.




Artigo de Outubro de 2017 do Padre Aparecido Neres Santana

O DISCIPULO MISSIONÁRIO NA FESTA DO REINO


Neste Artigo Catequético Bíblico-Missionário, refletiremos sobre o Evangelho de Mateus 22,1-14, do 28° Domingo do Tempo Comum. A centralidade deste texto nosabre horizontes e ajuda-nos a compreender a universalidade da Salvação. A festa, o banquete é para todos. Talvez a comunidade de Mateus, estivesse refletindo a Profecia de Isaias, que diz: “O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos um banquete...” (Is 25,6). O banquete é sinal do Reino, da abundancia, de festa e de alegria. A parábola indica que os convidados para participarem do Banquete do Reino em primeiro lugar, são os que pertencem ao povo escolhido, os judeus. No Evangelho de Marcos, uma mulher grega, isto é, pagã, implora a cura da sua filha, e Jesus diz: “Deixa que primeiro os filhos se saciem porque não é bom tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos” (Mc 7,27). Contudo, apesar destra “primazia”, os “convidados de direito, os judeus” não aceitam o convite, isto é, não aceitam Jesus, como Filho de Deus, o Messias!
A festa porém tem que continuar, então o convite é estendido a todos os povos, aos gentios, aqueles que viviam à margem, maus e bons. Este convite feito ao longo da história, primeiramente ao povo de Deus, através dos Juízes e Profetas, está bem caracterizado na parábola, como sendo os servos enviados, e que são recusados. Deus, porém, nunca desiste do seu povo. Por fim, envia seu Filho, na parábola representado pelo noivo, (típica linguagem do profetismo, em especial Oséias: “Eu te desposarei a mim para sempre... no direito, no amor e na ternura... na fidelidade” 2, 21-22). Deus, em Jesus, realiza em definitivo a nova e aliança. Aceitar, participar do banquete é ter vida. Recusar é a morte, que é ficar fora da festa do Reino, o Banquete nupcial
Continuando a parábola, temos ainda, os que aceitaram participar da festa, mas não estavam vestidos apropriadamente para a mesma, e são repreendidos. O traje de festa, é a aceitação de Jesus como Salvador. As vestes festivas, são a justiça, o amor e a misericórdia, que levam à vida. Fica claro pois, que não basta apenas, receber os sacramentos, participar da Igreja e da comunidade, para entrar na festa, no Reino de Deus. É preciso também assumir o caminho do discipulado, isto é, tornar-se um evangelizador! 

Para refletir: A Comunidade de Mateus, assim como a nossa hoje, deve enfrentar esse conflito ético e estético comunitário. A nossa Catequese de Iniciação à Vida Cristã, passa por mudanças de época, uma nova reestruturação. Temos realmente assumido esse compromisso? Como estou respondendo ao novo método catequético? Qual o meu traje de festa, em minha catequese, e junto à minha Comunidade?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de setembro 2017 - Padre Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C da Diocese de Santos



DEUS EM SUA INFINITA MISERICORDIA PERDOA SEMPRE O DISCÍPULO MISSIONÁRIO TAMBÉM



Neste Artigo Bíblico-Catequético, do 24º Domingo do Tempo Comum, refletiremos o Evangelho de São Mateus 18,21-35, que, nos faz pensar muito sobre a misericórdia Divina. Nos versos 18, 21-22, ao falar do Reino do Céus, Jesus aponta para a necessidade de perdão. O Enfoque de Mateus é propor a experiência do perdão e da reconciliação no interior da sua Comunidade. A pergunta de Pedro a Jesus é pertinente e já mostra um avanço; “Senhor, quantas vezes devo perdoar... Até sete vezes?” (Mt 18,21). A palavra de Jesus originalmente foi construída sobre o simbolismo do número sete, que no judaísmo, expressava a perfeição divina, a ilimitação. Mateus, aqui joga com o exagero (superlativo): “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18,22). Assim faz um paralelo com o texto de Gn 4,24, onde se lê – “É que Caim é vingado sete vezes, mas Lamec, setenta e sete vezes!”. Assim esse número de vezes, não deve ser entendido literalmente, mas para que fique evidente que o cristão, o discípulo missionário, não imponha limites ao perdão.
Já os versículos 18, 23-35, apresentam um Rei generoso que perdoa a dívida impagável de seu empregado (174 toneladas de ouro!), e o mesmo, não consegue perdoar a pequena dívida de seu companheiro (30 gramas de ouro), mandando-o para a prisão. “Vendo o que havia acontecido, os outros empregados... procuraram o patrão e contaram tudo. O patrão mandou chama-lo e disse... Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive de ti?” Salta aos olhos, no texto bíblico, que esse patrão generoso é Deus, que ao perdoar o empregado, devolveu-lhe novamente a vida. Mas este mesmo patrão, não aceita que o empregado, não perdoe também o seu irmão. Deus perdoa até as “entranhas”, na totalidade, como se a pessoa nunca tivesse pecado (parábola do “filho prodigo” -  cf. Lc 1511-31).  É, como rezamos o Pai Nosso - “E perdoa-nos as nossas dívidas como também nós perdoamos aos nossos devedores (Mt 6,12). Diz o papa Francisco – “A pessoas que se recusaram a perdoar os outros, acabaram doentes ou paralisadas, sem que nada funcione na sua vida. Você sabe que a falta de perdão pode causar doenças terríveis em nós?”

Para refletirmos: No texto de hoje, Jesus nos fala do Perdão, que devemos perdoar sempre, até os inimigos: “Eu, porém vós digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vós perseguem (Mt 5,44). Por que é tão difícil perdoar? Na nossa comunidade existe espaço para o perdão e a reconciliação? De que maneira?






AGENDA DO MÊS
Ø  Retiro de Catequistas e Evangelizadores – Confira a Agenda de sua Região. Mais informações em sua Paróquia ou com o Coordenador da AB-C de sua Região.
Ø  Mídias de nossa Comissão: visite e entre em contato!

 

Artigo de agosto de 2017 - Padre Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C da Diocese de Santos

MAGNIFICAT: O CÂNTICO DE MARIA, A HUMILDE SERVIDORA DE DEUS, MISSIONÁRIA ENTRE OS POBRES.


Neste Artigo, Bíblico-Catequético Missionário, de agosto, mês Vocacional, refletiremos a passagem do Evangelho de São Lucas 1, 39-56. Podemos também, vinculá-lo a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, vindo de encontro ao “Ano Nacional Jubilar Mariano”, comemorativo aos 300 anos, do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida, nas águas do Rio Paraíba, por pescadores, a qual dá o nome a cidade de Aparecida. Esta perícope, apesar de ser considerada uma unidade, tem duas partes. Primeiramente, a da visitação: “Maria pôs se a caminho... a uma cidade de Judá. ...Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?” (Lc1, 39-43). Estes versículos referentes a visitação são importantes, porque indicam que os discípulos(as), a exemplo da Mae Maria, devem visitar as famílias. É a Igreja visitando as casas. A atitude de Maria aponta que a Igreja nasceu da missão e tem que estar em missão permanente. Na sequência do texto em Lc 44, é lindo e de significado ímpar, ver o encontro das duas mães: Maria e Isabel, respectivamente com os dois Filhos, dois Profetas, o Precursor e o Salvador. Isabel e João, representando o Antigo Testamento, Maria e Jesus, o Novo Testamento. Com uma diferença, que em Jesus se encontra a síntese de toda a Sagrada Escritura, a realização da promessa salvífica. Assim, é importante fazermos um paralelo, entre o encontro das duas mães, e outro encontro, o do Rei Davi com a Arca da Aliança. Nas narrativas dos dois encontros, há a alegria e o grito! “Isabel Com um grande grito exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres... Donde me vem a mãe do meu Senhor me visite? (Lc 1, 42-43); “Davi exclama: ‘Como virá a Arca de Iahweh para ficar na minha casa?’” (2Sm 6,9). Maria, com Jesus no ventre é a portadora da nova Arca da Aliança. A segunda parte, Maria pronuncia o “Magnificat” (Lc 47-53), Cântico lírico de agradecimento, cujo o paralelo encontramos, no Cântico de Ana – “O meu coração exulta em Iahweh... O arco dos poderosos é quebrado... Levanta do pó o fraco” ... (1Sm 2, 1-10). Maria mostra-nos o agir de Deus na História. Que Deus está ao lado dos oprimidos e desprezados. Esse Cântico demostra toda a esperança messiânica. Mostra ainda, que os que aderem ao Projeto de Jesus, não são os orgulhosos, os poderosos e nem os ricos. Mas sim, os humildes, os pobres e famintos, que coincidem com todos aqueles que confiam em Deus e na sua Providência. Para refletirmos: No texto de hoje, Maria nos ensina a seguir Jesus, anunciando o Deus da Vida, da Compaixão e de Misericórdia, trabalhando pôr um mundo mais fraterno, justo e solidário! E nós? Estamos seguindo o exemplo de Maria, no serviço ao próximo, acolhendo com simplicidade, aos mais pequeninos, em nossa vida pessoal e comunitária?

AGENDA DO MÊS
  • Retiro de Catequistas e Evangelizadores – Confira a Agenda de sua Região.
  • Encontro Diocesano de Formação Bíblica da AB-C: 30/8 (Quarta-feira), das 14h às 17h – Local: Paróquia Sagrado Coração de Jesus. Assessoria do Padre Aparecido Neres Santana.
Mais informações em sua Paróquia ou com o Coordenador da AB-C de sua Região.

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C da Diocese de Santos

Artigo de julho de 2017 Padre Aparecido Neres Santana

JESUS É O SEMEADOR, O DISCÍPULO MISSIONÁRIO, 
A BOA SEMENTE

Neste Artigo Bíblico-Catequético refletiremos sobre o Evangelho de São Mateus 13, 1-23 do 15° Domingo do Tempo Comum. No capítulo 13 de Mateus narra sete parábolas. Parábola vem do grego, parabolê, verbete formado por duas palavras, que são: Pará, cujo significado é “ao lado de”, “ao longo de” e “para além de” e bolê, que significa, “jogar” “lançar”. Portanto, parábola sinaliza algo além, provoca uma busca de algo mais profundo. Ademais, as parábolas sobre o Reino, formam o terceiro discurso mais importante no Evangelho de São Mateus. Com os relatos parabólicos, Jesus pretendia explicar o tema fundamental de sua pregação, isto é, a vinda do Reino de Deus na sua pessoa e ações. As parábolas, são dirigidas para as multidões, para as pessoas simples. É por isso, que Jesus as elabora, a partir da natureza, e de elementos do cotidiano, daquelas pessoas, que provinham, na sua maioria, de uma sociedade campesina. Esta primeira parábola, a do Semeador, compara três espécies de sementes que se perderam, com uma espécie de semente fértil. As sementes se perderam porque caíram em solos ruins, isto é, à beira do caminho (v.4), em lugares pedregosos (v.5) e entre os espinhos (v.7). Mas a semente que caiu em terra boa (v.8), deu frutos. Jesus quer assim frisar, que não obstante o repetido insucesso, existe uma semente que produz fruto abundante. O semeador que espalha generosamente as sementes é o próprio Jesus. As sementes boas são os discípulos, os de casa (V.1), que aceitaram a Palavra - Aqui estamos no coração desta parábola, que é a aceitação, ou não, do Reino dos Céus. Os que compreendem a Palavra (discípulos), e os que não compreendem, ou não querem compreender esta Palavra (Fariseus, Escribas e doutores da Lei, que tinham influência sobre as multidões). Três sementes perdidas e uma frutífera. Isto mostra a dificuldade encontrada por Jesus e os discípulos no anúncio do Reino de Deus. Embora a missão tenha sofrido um duro golpe - como os discípulos que abandonaram a missão (cf. Jo 60-71) - e por conta também das perseguições, riquezas (cf. Mc 10, 17-27), ou outras razões, Jesus quer recuperar a confiança do semeador e a força da semente. A parábola do semeador, portanto, é uma advertência aos cristãos, preguiçosos e frios, que desanimam na missão, porque não conseguem frutos rapidamente. O semeador sai para semear, mas não volta para colher, porque quem colhe é Deus. Para refletirmos: O texto de hoje, mostra que nós somos ‘os de casa’ (Discípulos). Por isso, antes de sairmos como discípulos missionários ao encontro das multidões (‘os de fora’), lançando as sementes do Reino, temos que trabalhar dentro de nós, e na comunidade, para alcançar, a ‘conversão pessoal e pastoral’. Portanto, será que estamos nos fazendo presentes no meio da sociedade, no encontro com o outro, semeando o amor de Jesus nos corações das pessoas? Ou somos cristãos somente dentro da Igreja e no salão paroquial?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo do Padre Aparecido Neres Santana de junho de 2017. Diocese de Santos

Comunidade de Discípulos Missionários 


No dia 11 de junho, celebramos o Domingo da Santíssima Trindade. A Liturgia agora nos propõe a vida em Comunidade, para juntos sermos enviados em Missão. Para compreendermos melhor a Palavra de Deus que nos é apresentada será necessário situá-la no contexto do Evangelho de Mateus 9,36—10,8, referente ao 11º Domingo do Tempo Comum. O chamado de Jesus nasce da compaixão pelo povo sofrido, do “ver”, do “olhar” e do “sentir” no fundo da alma o grito do irmão pela vida: “Ao ver a multidão teve compaixão dela, porque estava cansada e abatida como ovelhas sem pastor” (Mt 9,36). Quem chama e envia para a missão é o próprio Deus, como intercede Moisés ao Senhor: “... para que a comunidade de Iahweh não seja como um rebanho sem pastor” (Nm 27,17). Quando lemos sobre Jesus, ao enviar os doze (o envio Apostólico), chama-nos a atenção o número 12, que não parece ser casual! Recorda-nos os doze filhos de Jacó (que originaram as doze tribos de Israel), significando que toda a história do Povo de Deus se realiza em Jesus. Os Apóstolos são chamados, recebem a investidura e são enviados (Apóstolos quer dizer “enviado”). São Mateus estabelece uma linha de continuidade entre a missão de Jesus e a dos Apóstolos. A prática missionária dos Apóstolos é a mesma de Jesus ao ser reconhecido como o Messias pelos discípulos de João Batista: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam as vistas os surdos ouvem...” (Mt 11,4), que são os sinais do Reino de Deus. A missão de Jesus é a missão dos Apóstolos, a pratica de Jesus é a prática dos Apóstolos. Um terceiro elemento no texto é a Gratuidade, no sentido de entrega total à missão, sem outras preocupações, que não a do amor a Deus e ao irmão. Portanto, os doze Apóstolos simbolizam todos nós (12 é ainda o número da plenitude). O cristão não pode eximir-se do ser missionário. A missão é uma realidade da qual a Igreja não pode se omitir, pois, por natureza, ela é missionária. A Igreja nasce da Missão. Como diz o Papa Francisco: “Não deixemos que roubem nosso entusiasmo missionário”. E ainda, com o testemunho da paixão missionária de Santa Terezinha: “Gostaria de plantar a Cruz de Cristo nos cinco continentes. Visto que não posso, eu serei missionária pela oração e sacrifício”.
Para refletir: Perguntemo-nos: pessoal e comunitariamente estamos nos sentindo discípulos missionários? Tenho “alma missionária”? Ao catequizar, evangelizar, procuro “fazer” discípulos missionários, atendendo ao apelo do Papa Francisco para sermos “Igreja em “saída”?


Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de Maio de 2017 - Pe. Aparecido Neres Santana, CSS

VIVER O MANDAMENTO DO AMOR, OBRA DO ESPÍRITO SANTO, NA VIDA DO DISCÍPULO MISSIONÁRIO.

Neste Artigo, Catequético Bíblico-Missionário, refletiremos sobre o Evangelho de São João, 14, 15-21, do 6° domingo da Páscoa. A centralidade do texto, está na vivencia dos mandamentos, especialmente o do Amor, além do anúncio feito pelo Senhor de enviar o Espírito Santo Paráclito. Jesus fala do “Àgape”, do Amor incondicional, do amor-caridade, “Se me amais, guardareis os meus mandamentos... e ele vós dará um outro Defensor” (Jo 14,15), o Paráclito, que em grego significa: aquele que defende, que auxilia, que infunde animo. Este trecho, encontra-se no contexto de despedida de Jesus, na Última Ceia. Ele volta para junto do Pai, mas os discípulos não ficarão órfãos, “Ainda um pouco e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis” (Jo 14,19). Aqui está implícita, a continuidade da Sua Missão pelos discípulos (a Igreja, que somos todos nós).
No contexto sócio-político, econômico e religioso em que viviam os discípulos, e das primeiras comunidades, era de exploração e perseguição em todos os níveis. Dentro desse cenário é que se compreende que o Paráclito, o Defensor, que Jesus vai mandar, vem para os discípulos, não para o mundo. O evangelista João nos apresenta uma oposição entre os discípulos e o mundo (Jo 14, 19).  Para o mundo, Jesus desaparecerá para sempre (cf. Jo 7,34; 8,21), para os discípulos não. Por isso, os discípulos receberão o Espírito Santo e o mundo não. No amor a Jesus está o querígma, o anúncio central da nossa fé. Do amor maior, o “Ágape” “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo, 15,13), que procede do Pai e do Filho e permanece no Espírito Santo.
A ressurreição, a Pascoa do Senhor, é o grito, por todo e sempre, da vida que vence a morte. Na ressurreição está ancorada e centrada a Fé cristã. Por isso, o discípulo-missionário, não pode ter medo, mas com a força da fé, anunciar com alegria o Reino da Vida.

Para refletirmos: É a Ação do Espírito Santo que nos capacita e nos envia para a Missionariedade; Será que como catequistas e evangelizadores, estamos seguindo este Caminho, proposto por Jesus? Em nossa Comunidade e no Caminho catequético, estamos levando e dando testemunho aos nossos catequizandos a seguirem o caminho de viver o Mandamento do Amor? 


Pe. Aparecido Neres Santana, Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de Abril 2017 - Pe. Aparecido Neres Santana

Páscoa: o discípulo missionário anuncia a vitória da vida
sobre a morte.



A partir do Domingo da Páscoa da Ressurreição, do Evangelho de São João 20, 1-9, refletiremos sobre o Mistério Pascal do Senhor Jesus. O início do Evangelho diz: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus” (Jo, 20,1). São João salienta a importância do “primeiro dia da semana”. Este dia tornou-se o “Dia do Senhor”, o domingo Cristão (cf. Ap 1,10). Com isso, ele nos remete ao relato da Criação em Gênesis, no “primeiro dia”, em que Deus criou o mundo (cf. Gn 1, 1-8). Nesta relação da Criação de Deus com a Ressurreição de Jesus, podemos ver que, em Cristo, somos nova criatura. Deus recria em Jesus a pessoa nova, o novo Adão. O dia da Ressurreição é o ‘dia dos dias’: “Este é o dia que o Senhor fez, exultemos e alegremo-nos nele!” (Sl 117,24). O segundo ponto a destacar é a palavra “túmulo” (que aparece sete vezes), e o verbo “ver” (que é citado quatro vezes). Vejamos: “túmulo vazio” aparece, primeiramente, como incredulidade dos discípulos, como falta de fé da comunidade e de não entendimento das “Escrituras” (Jo 20,9). Depois, num segundo momento, como ‘iluminação’: “O outro discípulo... entrou ao túmulo. Ele viu, e acreditou” (Jo 20,8). Sim! É a certeza incontestável da Ressurreição do Senhor Jesus. É a certeza de que os algozes - isto é, os poderes político, econômico e religioso -, que crucificaram o Senhor, não venceram. Que o “túmulo” agora vazio não significou a derrota nem a última palavra, porque a última palavra é de Deus. Nesta perícope tanto o “ver” de Maria Madalena - mesmo que demonstrando uma fé incipiente e tímida, com a afirmação “retiraram o Senhor do sepulcro” (Jo 20,2) -, quanto o “ver” do discípulo amado e do apóstolo Simão Pedro - “que entrou no túmulo, viu e acreditou” (Jo 20,8) -, mostram como a Comunidade vai, aos poucos, tendo a certeza de que Jesus havia ressuscitado de fato, e crescendo na fé, iluminada pela novidade da Ressurreição. Neste contexto, Maria Madalena passa a ser a primeira anunciadora da ressurreição de Jesus. Portanto, celebrar a Páscoa é celebrar a Vida que vence a morte! A Páscoa é o dia do discipulado missionário, de sair e anunciar a alegria da Vida que vence a morte! Ademais, a fé cristã nos impulsiona a “sair” (somos uma Igreja em “saída”), “ver” Jesus nos crucificados de hoje (Mt, 25,31ss) e como discípulos missionários nos colocarmos ao seu lado e gritar que o Reino de Deus e da “Vida” é para todos (Jo 10,10). Para refletirmos: Como e onde percebemos os sinais de Cristo Ressuscitado na vida pessoal, na comunidade e na sociedade? Mesmo diante das dificuldades da vida, conseguimos encontrar, na Ressurreição de Jesus, ânimo para nossa vida pessoal e missão evangelizadora? Ou vivo uma eterna “sexta feira da paixão”?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de Março de 2017 - Pe. Aparecido Neres Santana 

Encontro querigmático de Jesus com a Samaritana leva à Missão

O Evangelho do 3° DTQ relata o encontro de Jesus com a samaritana. É um encontro querigmático. Este texto é um dos mais dramáticos do Evangelho de São João, que tem como personagens Jesus, o narrador, a Samaritana, os discípulos, e o poço de Jacó, “simbolizando” o Antigo Testamento, além dos habitantes da cidade de Samaria. Jesus pôs de lado alguns preceitos e costumes muito arraigados na cultura judaica daquele tempo, ou seja: um Judeu não podia conversar com uma mulher em público e, muito menos com uma estrangeira, considerada pagã, portanto, impura. Por razões históricas, os judeus não se davam com os samaritanos. Para um judeu não havia ofensa maior do que ser comparado a um samaritano. Jesus quebra paradigmas! Ele vai utilizar um outro caminho que os judeus não costumavam usar. Depois, conversa com a mulher estrangeira, pedindo-lhe água: “Uma mulher da Samaria chegou para tirar água. Jesus lhe disse: ‘Dá-me de beber’” (Jo 4,10). Podemos ver que aqui é o Mistério de um Deus que pede, para poder dar. O Mistério está em poder conhecer quem é Jesus: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que diz: ‘Dá-me de beber’, tu é que pedirias e ele te daria água viva” (Jo, 4,10). O texto nos mostra que a verdadeira fé surge quando alguém se encontra, verdadeiramente, com Jesus. Após este encontro com Jesus, a Samaritana deixa o cântaro e vai, como discípula, anunciar na Samaria, que havia encontrado o Messias. Jesus mostra que a salvação não era somente para um povo, os judeus, mas para todos os povos. E mais: que Deus pode ser adorado em qualquer lugar, o que importa é que seja em “espírito e em verdade” (Mt 4,24b).

Reflexão: O discípulo missionário é aquele que traça um outro caminho para encontrar as “ovelhas” afastadas e dar de beber a água viva que é Jesus. Você pede desta água viva a Jesus? Você dá desta água viva ao outro?


Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Fevereiro 2017 



O Discípulo Missionário caminha nos trilhos do amor a Deus e ao irmão


Nossa reflexão continua no caminho da Missionariedade, no contexto do Evangelho de Mt 5, 17-37, do 6° Domingo do Tempo Comum, quando, após o Sermão do Montanha (as Bem-Aventuranças), Jesus começa a instruir os Apóstolos sobre as Escrituras (AT): “Não penseis que vim revogar a lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento...” (Mt 5, 17-19). Aqui temos - de um lado -, muitas pessoas, grupos (como os Fariseus, e os Escribas), que queriam que Jesus seguisse a “Torah”, isto é, a Lei, ao ‘pé da letra’, com uma interpretação meramente legalista, intimista da lei divina, observando as “Mitvot” (os seus 613 mandamentos). E, de outro lado, aqueles que gostariam que Jesus deixasse de lado toda Lei Antiga - de Moisés aos Profetas-, e desse um ensinamento novo, rompendo com a tradição rabínica e o passado. Neste embate de como cumprir a Lei e os Profetas, Jesus coloca no centro o amor ao próximo, à pessoa humana, à vida. O cumprimento pleno da Lei ocorre quando se pratica a justiça: “Eu vos asseguro que se a vossa justiça não exceder a dos Escribas e a dos Fariseus, não entrareis no reino dos céus” (Mt 5,20). Para Jesus o discípulo deve superar a prática dos Mestres da Lei e dos Fariseus. Para Ele, o Discípulo não deve somente cumprir preceitos e normas. Jesus fala do Pai, a partir da vida: “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10). A defesa da vida é mais importante do que a Lei. Aliás, nas Sagradas Escrituras, as leis são para a proteção dos mais pobres, entre os pobres, simbolizados em muitos momentos nas viúvas e nos órfãos. Assim, para Jesus, dos dois maiores mandamentos - “a Deus e ao próximo” -, “dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,40).

Reflexão: Na nossa sociedade consumista, em que as pessoas são coisificadas e descartáveis (por isso a cobiça e as mortes); onde são consideradas simples objetos; onde a vida humana, o pobre e a mulher são tratados como ‘coisas de pouco valor’, como o Discípulo Missionário deve superar essa lógica discriminatória e de morte? Como entrar na lógica do “amor ao próximo, como a si mesmo” e da defesa da vida?


Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Janeiro 2017 


Missionariedade, manifestação de Deus para a humanidade.

Missionariedade, manifestação de Deus para a humanidade Iniciando o Ano Novo Civil, nossa reflexão segue dentro do contexto do Evangelho de Mateus 2, 1-12 - com a celebração da Epifania do Senhor (do grego: ‘epiphaneia’: “a manifestação; um fenômeno miraculoso”), que tem uma ligação muito forte com a Missionariedade da Igreja. Celebrar a Epifania do Senhor, nos faz lembrar a missão evangelizadora da Igreja, que é levar a Palavra de Deus, guiados pelo Espírito Santo, para iluminar e atrair todas as pessoas ao encontro do Senhor que veio nos visitar. O tema central do texto é a manifestação divina (Epifania) destacada na pergunta, “onde está o Rei dos Judeus recém-nascido?” (Mt 2,2). Ao longo da história, Deus se manifestou de muitas maneiras à humanidade, mas a maior de todas é, por meio Jesus Cristo. Dois outros pontos de destaque são, de um lado, os magos (sábios astrólogos) e, do outro, o rei Herodes. Herodes representa o poder tirânico, (palácio, o projeto de morte, justamente por isso, é que ele, não consegue ver a Estrela (“Herodes mandou chamar secretamente os magos e procurou certificar-se com eles a respeito do tempo em que a estrela tinha aparecido” Mt 2,7). 
A Estrela era interpretada como símbolo Messiânico. Os Magos, representando os povos pagãos, a Universalidade da Salvação. Portanto, os Magos, significam, ainda, uma porta aberta para todos os povos. Assim, podemos entender que o missionário deva ser esta Estrela Guia que, ao ter a alegria da iluminação, ao fazer seu encontro pessoal com Jesus, seja compelido a levá-lo a todas as pessoas, em todos os lugares, mesmo que tenha que seguir outro “caminho”.

REFLEXÃO: 1) Como acolho a manifestação de Deus em minha vida? 2) será que encontrei a Estrada da iluminação, o Caminho desta Luz que é Cristo? 3) Certamente, não é na fila dos Shoppings que encontraremos Jesus, mas no casebre simples da periferia, na Igreja, no irmão que sofre (Cf Mt 25,31ss), em todos ao lugares onde ninguém quer ir ou fi car.

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Dezembro de 2016 - Pe. Aparecido Neres Santana

O DISCÍPULO MISSIONÁRIO É A LUZ DO SENHOR





Acabamos de iniciar o Novo Ano Litúrgico (Ano A) onde seguiremos o Evangelho segundo Mateus, e ao mesmo tempo no Brasil o Ano Jubilar Mariano, preparando assim, a celebração dos 300 anos do encontro da Imagem da Senhora Aparecida. Porem nosso caminho continuará a temática da Missionáriedade, contemplando a intercessão de Maria, a mãe que espera o menino Deus, “O Verbo Encarnado”. Nossa reflexão, segue no contexto do Evangelho de Mateus 11, 2-11 – do 3° domingo do advento, conhecido como domingo Gaudete – Alegrai-vos! “Alegrem-se o deserto e a terra seca..., ele vem para vos salvar” (Is 1.4).
O Texto se desenvolve partir da pergunta de João Batista, que envia seus discípulos a Jesus, com a indagação – “Es tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” Jesus responde-lhes: ‘Ide contar a João o que estais ouvindo vendo: os cegos recuperam as vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados’ (Mt 11, 3-5). A resposta de Jesus não é apenas teórica, como faziam os rabis e os doutores da Lei, mas prática, a partir da Vida real. É do seio da vida que percebe e reconhece o Messias. É com os olhos e os ouvidos, que O vemos no irmão chagado, ouvindo seu clamor que brada aos Céus. Ouvir e ver Jesus, não tanto com os olhos físicos, isto também é importante, mas com os olhos da fé.
João Batista, aparentemente demonstra uma certa dúvida em relação ao Messias, “Es tu aquele que há de vir...?”, talvez porque esperasse também como os demais um Messias triunfalista? Mas Jesus aponta os sinais da chegada do Reino Messiânico, que é curar evangelizar, a partir dos pobres. Segundo, a nossa missão é fazer com que, as pessoas, sejam evangelizadas e vejam Jesus no irmão que sofre.  Por isso, o discípulo missionário, ouvindo e vendo as dores do irmão, ele cura as chagas da vida.
Para refletirmos: Olhando para nós mesmos – estamos também compactuando, com as cegueiras, da sociedade consumista, especialmente neste tempo do Natal, onde o mais importante é comprar de presentes, comidas e bebidas, do que ver e ouvir as necessidades do irmão? 

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de novembro 2016 - Padre Aparecido Neres Santana - Diocese de Santos

O discípulo missionário permanece firme na fé

Estamos nas vésperas do termino do Ano Litúrgico C, (será na Festa de Cristo Rei, no dia 20/11), quando encerraremos também o Ano da Misericórdia. Iniciamos, então,  o Ano Litúrgico A, e na Igreja do Brasil, o Ano Santo Mariano, celebrando os 300 anos do encontro da imagem da Senhora da Conceição Aparecida.
 Novos tempos! Tempos de mudanças! Tempo de “dar razão da vossa esperança” (1Pd 3,15). É neste contexto, que refletiremos o Evangelho de Lucas 21, 5-19.  
Jesus entra pela última vez no Templo de Jerusalém, símbolo da antiga aliança, que foi destruído no ano 70 d.C.  O Templo era sempre do Rei e o centro religioso da vida judaica. Com sua beleza esplendorosa chamava a atenção. No Templo girava os poderes: religioso, econômico e político, isto é, a vida dependia totalmente do Templo. A partir do olhar para Templo, Jesus, olha para o mundo, e faz um discurso escatológico do fim, não somente do Templo, como do mundo, apresentando várias realidades catastróficas, numa linguagem apocalíptica: guerras, revoluções, terremotos, fomes e pestes. É o fim de uma época do plano salvífico, é uma virada no plano de Deus. “Antes, porém, que essas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos” (Lc 21,12), mas, “É permanecendo firmes na fé que ireis ganhar a vida” (Lc 21, 19).
Jesus, prepara os apóstolos, para que, ao se depararem e enfrentarem essas realidades, não desanimem, principalmente quando forem perseguidos e colocados na prisão. Passados dois mil anos, olhando para o mundo hoje, vemos tudo isso acontecer.  Por isso, mesmo diante da destruição e da desgraça, dos grandes sinais do fim do mundo, o missionário não precisa ter medo, mesmo porque o fim de uma realidade de morte, para o cristão, é o início de uma nova realidade de vida, de um mundo novo! Jesus, e os discípulos, estão apontando para esse mundo novo. Importante é perseverar firme na fé, sempre acreditando, que a partir do anuncio da Palavra de Deus, poderemos destruir sim, o mundo velho, e todas as realidades de morte, para que renasça a vida, um mundo novo. É a Pascoa: a passagem da morte para a vida em toda a sua plenitude. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). 
Para refletirmos: Diante de tantas mudanças de época: conflitos, misérias, doenças, guerras e falsos profetas. Ainda acreditamos, que e a partir da fé perseverante, que poderemos, sonhar e buscar, como discípulos missionários este mundo novo?    
Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C 

Artigo Pe. Aparecido Neres Santana, outubro 2016.

Missionariedade: A fé que salva.


A espiritualidade do discípulo missionário nasce do amor, da compaixão de Deus Pai, revelada em Jesus, que salva a pessoa humana na totalidade, isto é, cura o corpo e a alma (cf. Lc 17,13 : “Jesus, mestre, tem compaixão de nós!”). Vamos no texto Bíblico do 28° DTC, em Lc 17, 11-19, onde Jesus cura dez leprosos, dentre eles um Samaritano, que volta e se ajoelha para agradecer. Primeiro, chama a atenção o fato de os leprosos aproximarem-se de Jesus. Isto não era concebível naquele tempo! Segundo, os judeus e os samaritanos não se davam, no entanto, os dez leprosos (nove judeus e um samaritano) estão juntos pela exclusão, pela sobrevivência. Pela Lei, os leprosos eram excluídos do convívio da comunidade, porque além da doença física havia a espiritual, e eles eram considerados pecadores, o que significava duplo castigo. Eles ficavam fora das cidades, nas montanhas, com um sino no pescoço, para ninguém se aproximar. Podiam voltar ao convívio da comunidade se fossem curados e, somente após a cura, deviam apresentar-se aos sacerdotes (“Ide, mostrais-vos aos sacerdotes”), que lhes davam a garantia da cura. A tônica do texto está na volta do estrangeiro, um samaritano, para agradecer e dar glória a Deus (assim como Naamã, o Sírio, em 2Rs 5,15). Jesus questiona, fazendo a tríplice pergunta: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão?” Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro? O samaritano, que volta e se joga aos pés de Jesus, glorificando a Deus em alta voz, obtém, não somente a cura física, mas também a cura espiritual, ele é curado na totalidade. E disse-lhe Jesus: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. O que Lucas quer ressaltar, talvez mais do que a cura da lepra e a gratidão, é a fé que salva, a importância de voltar-se para Jesus. “Voltar” é um verbo que indica a conversão, de tornar-se discípulo de Jesus, que é a fonte da vida.

Reflexão: Hoje são tantas as lepras que atingem as pessoas, na sociedade em que vivemos: as doenças, as drogas, vícios, a fome de poder e de sucesso, corrupção, desemprego, entre outros. Como curar todas as lepras? Em nosso Plano Diocesano de Evangelização, encontramos na Urgência 5 vários projetos que ajudam a curar as pessoas. Como colocá-los em prática? Vamos dar uma olhada?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C


Artigo de setembro de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana

MISERICÓRDIA: CORAÇÃO DA MISSIONARIEDADE

Na trilha da MISSIONARIEDADE daremos ênfase, no amor misericordioso de Deus-Pai, que é como deve ser o amor misericordioso de todo discípulo-missionário. No texto bíblico do 24° DTC, Lucas 15, 1-32, apresenta, as três das parábolas sobre a bondade acolhedora de Deus, que alcança o ponto alto, na parábola do “filho prodigo”. O Deus que olha com ternura do coração para a miséria humana. O binômio perdido e encontrado nas três parábolas, mostram o tema da alegria e do amor-misericordioso de Deus Pai em Jesus. A centralidade está no discípulo acolhedor e no discípulo que se fecha no legalismo da Lei judaica (irmão mais velho), excluindo os pecadores do banquete da vida, isto é da comunidade. Nas duas parábolas gêmeas, isto é, da “ovelha perdida” (14,4) e da “moeda de prata” (15,8), o tema é o da alegria por encontrar a vida em Deus. A alegria do pastor é a alegria de Deus, é festa no céu, por encontrar a ovelha perdida. O gesto é muito forte, procurar a ovelha, encontrando-a, colocá-la nos ombros, e carregá-la com alegria de volta. Assim deve ser a postura do discípulo, ir atrás de todos os afastados da comunidade. Na mulher que tem dez moedas e perde uma, talvez essa moeda fazia parte do seu dote, (valor), perdendo a moeda, estava perdendo, não um valor monetário, mas a chance de casar-se. E por último, a parábola do “filho prodigo”. A centralidade da parábola, não está no desperdício de bens materiais, pelo filho mais novo (novos cristãos), mas sobre o amor misericordioso do Pai para com os dois filhos. Toda a iniciativa é do Pai, acolhe o que estava perdido, abraça, coloca anel no dedo, e faz festa. Conversa com o filho mais velho (Judeus, fiéis da comunidade), que também estava, precisando da misericórdia de Deus-Pai, para participar da alegria do reencontro, dos que estavam afastados da comunidade dos discípulos-missionários. Para refletirmos: No contexto do Ano Santo da Misericórdia e do Mês da Bíblia, deveria ser vivida e recomendada, a prática da meditação diária, ou ao menos duas ou três vezes por semana, além da Lectia Divina. Não se pode ficar somente na teoria literária e explicativa, é preciso sentir as parábolas, colocando-se em pessoa dentro dela. - Será que agimos como o filho mais novo e abandonamos o Pai e a sua casa? Como estamos reagindo com aqueles (as) que retornam à casa do Pai?


Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de agosto de 2016 - Pe. Aparecido Neres Santana

VOCAÇÃO MISSIONÁRIA–CHAMADO AO DISCIPULADO


“De todos os cantos e de todos os jeitos, somos catequistas!
Nossa missão é sermos missionários”.
Parabéns Catequistas!

Neste Artigo, ênfase é à Vocação Missionária. Até porque, toda vocação, partindo do paradigma cristão, deve ser missionária. Neste mês de agosto, celebraremos nos domingos, os chamados bem específicos: aos Sacerdotes; à Família; à Vida Consagrada e Religiosa e aos Leigos(as).
No Evangelho do 20° domingo, Jesus afirma – “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso” ... e a “divisão” (Lc 12, 49-51). Nesta última etapa da vida terrena, Jesus fala em “lançar fogo sobre a terra”. Primeiro, O fogo é o símbolo do Espírito Santo (At 2, 3-4), que queima os corações com o ardor missionário, faz apaixonar-se pela missão. Como também a imagem do batismo (Lc 3,16).  Segundo, há que se tomar partido pró ou contra Jesus, isto é, pró ou contra, os mais pobres, pró ou contra o Reino, pró ou contra a vida. A pessoa chamada a seguir Jesus, o discípulo-missionário deve fazer opção pelo Reino de Deus. Fazer opção é deixar as práticas antigas, seja políticas, econômicas e especialmente as religiosas do judaísmo. Terceiro, a “urgência” do Reino, “como gostaria que já estivesse aceso”, é o tempo da decisão, sem possibilidades de adiamentos e demoras, como afirma o Papa Francisco – “É vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo” (EG 23).  
Finalmente, nos evangelhos, o chamado de Jesus não é coisa de um só momento, mas para a vida toda. Acolher o chamado exige, renúncia, decisão e compromisso. Mas a tônica do chamado, não está na renúncia, mas no amor que dá sentido à vida. Ademais, não importa a pastoral ou movimento em que participe, o cristão é missão (?). A vocação é sempre missionária, o chamado é pra missão.
Aprofundamento: Será que estou entendendo o real significado do “lançar fogo sobre a terra” de Jesus, que faz brotar em mim, uma vocação madura, me tornando um verdadeiro discípulo missionário seguidor de Jesus?













Artigo de julho de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana



O missionário se faz próximo do necessitado


Continuamos nossa reflexão ainda no trilha da missionariedade. Até porque não há outro caminho para o cristão, a não ser calçar as sandálias, “cingir os rins” (posição e disposição de discípulo) e “pé na estrada”, conforme Lc 10, 25-37, do 15° Domingo do Tempo Comum. Nesta parábola do Bom Samaritano - com a pergunta provocativa do doutor da lei: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” - Jesus responde, perguntando sobre a Lei. A resposta é correta: "Amar a Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo!" (10,27). A frase vem do Deuteronômio (Dt 6,5) e do Levítico (19,18). Jesus aprova a resposta e diz: "Faze isto e viverás!” (10,28). Para justificar-se, o doutor da lei continua a provocação, perguntado: “E quem é o meu próximo?” Jesus responde, dando como exemplo, para o doutor da lei, um Samaritano, que era desprezado em todos os níveis pelas leis judaicas, especialmente na questão religiosa. Ele vê o homem caído na beira da estrada, chega perto, toca, cuida das feridas, e o coloca numa pensão, assumindo toda responsabilidade. Não foram os “religiosos” - o sacerdote e o Levita, que também viram o homem caído, mas passaram adiante -, que se tornaram próximo. Eles não podiam “se contaminar”, tinham pressa pra chegar ao Templo. Mas o Samaritano, o desprezado, sentiu compaixão e ajudou o homem caído. Por isso, ele se fez próximo. O próximo não está somente ligado à raça, ou ao clã como no Judaísmo. O próximo é sempre o irmão necessitado como diz o Documento do Vaticano II (1404), onde se lê: “Em nossos dias, ainda é maior a necessidade de considerar os outros nossos próximos e servi-los de maneira eficaz, quer se trate de idoso abandonado, do trabalhador migrante desprezado, dos exilados, das crianças sem família, dos injustamente perseguidos, dos que passam fome, de todos que nos interpelam a consciência, lembrando a palavra do Senhor: ‘Todas as vezes que o fizeste a um de meus irmãos pequeninos, a mim fizeste (Mt 25,40)’”. O próximo é a revelação de Deus para mim. Conversão pessoal e pastoral: 

Qual é a minha atitude, quando me deparo com meu próximo caído no chão, vítima de uma sociedade preconceituosa? Será que estou enxergando e tendo a coragem de ir ao encontro, acolhendo-o como verdadeiro missionário; tocar nas feridas, tanto da sociedade, como do irmão, sentir o sofrimento ou a dificuldade que o meu próximo está vivendo?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C









Artigo de junho de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana
Comunidade de discípulos, lugar do amor e perdão.

Em continuidade ao ‘caminho do discipulado’, apresentado nos últimos artigos, refletiremos neste à luz do Evangelho de Lucas 7, 36-50, referente ao 11° Domingo do Tempo Comum. Este Evangelho nos apresenta uma cena querigmática bastante forte: “Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora... trouxe um frasco de alabastro com perfume, e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com perfume” (Lc 37-38). Esta mulher tomou a decisão de encontrar-se com Jesus. A ação é toda dela. O ato de ajoelhar-se (postura de pecadora) mostra a confiança total, no perdão de Jesus. Jesus a acolhe dizendo: “Os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela mostrou muito amor” (Lc 7,47). A rigor, Jesus quebra a regra do legalismo religioso. Na lei judaica o homem não podia falar com uma mulher, e menos ainda com uma pecadora publica, isto é, uma prostituta. Jesus provoca respostas fortes de amor, como na parábola do Filho Pródigo, onde o Pai não pergunta pelos pecados do filho, mas o acolhe com beijos (Lc 15,20), assim também Jesus não faz questionamentos! E mais surpreendente ainda, Jesus a coloca como exemplo para o religioso Simão, que se achava um “homem justo”, ele que era Fariseu (que quer dizer separado, que não se mistura, que discrimina segundo o legalismo da lei judaica do puro e impuro). Jesus o adverte: “Ela me banhou os pés, enxugou-os com os cabelos, beijou meus pés e ungiu com perfume, e você não fez nada disso” (Lc 7, 44-46). Percebemos assim a importância, na comunidade dos discípulos, de não se fechar, de não excluir ninguém e não julgar – “Se ele soubesse que é uma pecadora...” (Lc 7,39) - mas acolher por inteiro o outro, no sentido de deixá-lo assumir tarefas na comunidade, de estar sempre a serviço para “lavar, banhar e enxugar os pés”, ter sempre a postura de servo, do discípulo-missionário. Acolher o irmão mais novo, que chega na comunidade, é abrir não somente a porta do templo, mas de “ajoelhar-se e beijar-lhe os pés”, abrir-lhe a porta do coração e fazê-lo irmão, discípulo missionário.

Aprofundamento a partir da palavra de Deus: Somente a pessoa que se sente amada, acolhida e perdoada é capaz de assumir atitudes novas em sintonia com o Projeto de Jesus (Cf. Lc 4,16ss). Diante dessa temática, analisando nossa vivência comunitária, qual é a real situação em que nos encontramos: nossas atitudes são da mulher pecadora que se converte ou de Simão, o Fariseu? E em nossa comunidade, quais são as atitudes que mais causam exclusão nos dias de hoje?


Padre Aparecido Neres Santana, CSS - Assessor Eclesiastico da Comissão para à Animação Bíblico-Catequetica Diocese de Santos



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Artigo de Maio de 2016 - Pe. Aparecido Neres Santana

Pentecostes: Discípulos com a força do Espírito Santo

Começo este Artigo, com o envio missionário ordenado por Jesus: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio, recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 21-22). No tempo em que estamos vivendo, isto é, no hoje da nossa história, “Kairós”, é o “dia de Pentecostes”. Pentecostes é a realização plena no processo salvífico do Mistério da Santíssima Trindade, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. É a Unicidade divina das Três Pessoas: “a Família Trinitária”. Unidade de um despojamento e entrega total, sem ciúmes ou reservas. O Pai entrega tudo ao Filho, menos o fato de ter gerado o Filho. O Filho, por sua vez, entrega tudo ao Pai, menos o fato de ter Sigo gerado pelo Pai. O Pai e o Filho entregam tudo ao Espírito Santo, menos o fato de que o Pai e o Filho, espiram o Espirito Santo. Relação de amor pleno e entrega total.
“No Pentecostes, o Espírito faz os Apóstolos saírem de si mesmos, transforma-os em anunciadores das maravilhas de Deus... o Espírito Santo infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia...” (EG 259). “...animados pelo Espírito Santo, Espírito vivificador, alma e vida da Igreja. Ele, que foi derramado em nossos corações, geme e intercede por nós e com seus dons nos fortalece em nosso caminho de discípulos missionários” (DAp 23).  
Pentecostes, com a linguagem do Amor e da unidade, dos humildes, simples, dos pobres de Javé, que penetra o coração e a alma, esta alicerçado no Projeto de Jesus (Lc 4, 16ss), na construção do Reino da Vida. Portanto, Pentecostes, se contrapõem, a Torre Babel, (Gn 11, 1-9), no sentido da múltipla linguagem, da dispersão, do império excludente, do ódio, da exploração dos mais pobres, especialmente dos camponeses.
         Portanto, neste dia (tempo) em que vivemos é por excelência o “dia da Missão”. É o dia de abrir as portas da Igreja, do coração e, sem medo, sair e anunciar, com a guia do Espírito, o Cristo Ressuscitado, gritar bem alto que a Vida vence a morte. Tempo de destruir todos os sinais de morte e anunciar o Reino da vida. É  tempo da missão, da Igreja em saída missionária. Não tenha dúvida de que você é chamado e enviado a levar adiante, com e na comunidade eclesial este Projeto de esperança e vida.
         Aprofundamento a partir da Palavra de Deus: Na Solenidade de Pentecostes, vamos refletir os versículos de Jo 20, 21-22. Será que, realmente, estou vivendo o meu Batismo, me deixando ser transformado pelo Espirito Santo, para ser anunciador dos ensinamentos de Jesus, em minha comunidade e em meus trabalhos catequéticos?

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Artigo de Abril de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana,CSS



Caminho Pascal do Discipulado

Queremos neste Artigo, em continuidade com o de março, finalizado com o Evangelho “Eu sou o caminho a verdade e a vida” (Jo 14,6), mostrar que a vida do cristão-discípulo, não se resume a alguns momentos, especialmente daqueles celebrativos, mas percebê-la como um processo, um itinerário permanente. Pascoa é o tempo do discipulado por excelência, da vitória da vida sobre a morte. Não é o caminho dos derrotados - volta para casa, como os discípulos de Emaús -, mas é o caminho alegre, da certeza do encontro com o ressuscitado, como testemunhas fiéis do amor de Deus.  É o tempo da Luz resplandecente, que dissipa as trevas da morte e do pecado. É o tempo de missão, de descobrir e fazer o Caminho. E tempo de superarmos os nossos medos, de abrirmos as portas e colocarmo-nos no Caminho: “Ao anoitecer daquele dia, ...estando fechadas as portas por medo dos judeus” (Jo 20,19), vencendo a apatia e o comodismo.
No Livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos a palavra Caminho com letra maiúscula, várias vezes: “...com mais exatidão, expuseram-lhe o Caminho” (At,18,26); “Alguns... falavam mal do Caminho”, (At 19,9); “Houve um tumulto grave a respeito do Caminho” (At, 19,23); “Persegui de morte este Caminho” (At 22,4);” ...é segundo o Caminho, a que chamam de seita, que eu sirvo ao Deus de meus pais” (At 24,14). Como vemos, os Apóstolos, os Discípulos, os primeiros Cristãos, entendiam “Caminho”, como viver e anunciar o Evangelho. Constatamos, que, a    Igreja em “Saída”, apontada pelo Papa Francisco, é uma Igreja que está no Caminho da missionariedade, do Ser/Fazer discípulos, com a mesma força dos primeiros cristãos.
É por essa razão que a Igreja, destaca em seus documentos, a formação dos cristãos em todos os níveis, especialmente na Catequese Permanente, com Inspiração Catecumenal e para a missão. Ademais, neste tempo Pascal, tempo da missão, o Papa Francisco afirma que, “Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo a ação do Espírito Santo” (EG 259). Com coragem, devem ir as periferias humanas e sociais, e tocar nas “chagas de Cristo” (Mt 25, 31-46), no irmão que sofre.
Reflexão e aprofundamento: Implementar a Catequese de Inspiração Catecumenal é um trabalho em conjunto com toda a comunidade eclesial. Sua comunidade já está seguindo este trabalho em conjunto? E você, está aberto a seguir este caminho, aceitando as novas propostas para enriquecer suas experiências pessoais ao acolhimento missionário e assim trabalhar para o Reino de Deus?


Desejamos a todos que estão no Caminho uma feliz Páscoa!

Padre Aparecido Neres Santana, CSS 
Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C Diocese de Santos- SP


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Artigo de Março de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana,CSS

Cristão: Identidade do discípulo Missionário

Começo este Artigo com algumas questões em relação à “identidade” do cristão. O que é ser cristão? À priori, a pergunta parece ser de fácil resposta. Seria seguir Jesus Cristo? Como? É o mesmo que ser discípulo? Na literatura bíblica, no primeiro século da Era Cristã, os cristãos eram chamados de “Nazarenos”. O nome “cristão” surge pela primeira vez na cidade de Antioquia em referência aos discípulos de Jesus. “E foi em Antioquia que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados de “cristãos” (At 11,26b). E, “Ainda um pouco e, por teus raciocínios, fazes de mim um cristão” (At 26,28), pediu o rei Agripa. E finalmente, o termo aparece em 1Pedro, “mas se sofre como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus por esse nome” (1Pd 4,16). Vemos que a “identidade” do cristão, ou o “DNA” (como diríamos hoje) está ligado a Jesus Cristo, à sua Pessoa, à sua Missão. Por isso, ser, ou tornar-se cristão, diz o Documento de Aparecida “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, é com isso, uma orientação decisiva” (DAp 243). Diz ainda, que “a própria natureza do cristianismo consiste, portanto, em reconhecer a presença de Jesus Cristo e segui-lo” (DAp 244). Portanto, ser cristão, primeiramente é encontrar-se com a Pessoa de Jesus, na totalidade do seu Ser. Segundo, assumir por completo a missão do cristão, que é ser discípulo missionário. Aí está a “identidade” do cristão, como diz o Papa Francisco: “A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida... É algo que não posso arrancar do meu ser, se não quero me destruir... Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo” (EG 273). Entende-se que identificar-se e ser imitadores de Cristo, como aponta o Apostolo Paulo, é ser, fazer e refazer a vida a partir do paradigma missionário, de levar Jesus, a Sua Palavra a todas as pessoas, especialmente àquelas que estão vivendo nas periferias sociais e humanas. Finalmente, ser cristão é estar inserido na comunidade dos discípulos, neste encontro de fé e de amor com Cristo e com os irmãos é estar no “Caminho”: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). 

Após refletir este texto, eu me questiono: será que sou (identidade) um verdadeiro cristão? Se tenho este DNA de cristão, realmente estou assumindo ser um discípulo missionário, seguidor de Jesus Cristo, em e com toda a minha vida e principalmente em minha comunidade?

Pe. Aparecido Neres Santana,CSS - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C


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Artigo Fevereiro - 2016 Padre Aparecido Neres Santana CSS - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C.



Ele está no meio de nós!


              Ainda na Trilha do discipulado, Jesus dá a garantia da sua presença no meio dos discípulos – “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”! (Mt 28, 20b). Refletimos, nos dois últimos Artigos, sobre o mandato final do ressuscitado: “Fazei discípulos, batizai e ensinai”. Agora, nestas últimas palavras no Evangelho de Mateus, Jesus garante que estará presente por meio do Espírito Santo, na vida e nos corações dos seus seguidores, animando-os em todos os sentidos.
              É a mesma garantia de Deus a Moisés, quando o envia em missão para libertar o povo da escravidão no Egito: “Eu estarei contigo” (Ex. 3, 12a). Ou ainda, quando anuncia pela boca do profeta Isaías (7,14): “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho (celebramos no Natal), e o chamarão com o nome de Emanuel, o que traduzido significa ‘Deus conosco’” (Mt. 1, 23).
           Em Jesus Cristo se realiza a presença permanente de Deus com seu povo. Desta forma  o ressuscitado, garante sua presença continua nas pessoas, principalmente nos pobres, (Cf. discurso escatológico Mt 25, 31-46), e na comunidade dos discípulos(as) – “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18, 20). Como mostra o texto bíblico, essa é uma palavra de promessa, a garantia para os discípulos de que nunca estarão sozinhos. Esta certeza da presença de Jesus com os que são e se tornarão discípulos(as), não é uma palavra isolada, mas ligada e condicionada à obediência do mandato: o que vem antes da garantia da presença, que é “ser discípulo”(a) e “fazer discípulos”(as). 
           Por isso, com a certeza da presença de Jesus, não devemos ter medo, como disse Jesus a Pedro: “Avança para as águas mais profundas e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5, 4). Portanto, o discípulo(a), não pode ter medo e deve sempre, em obediência à Palavra de Deus, fazer mais um esforço, “jogar as redes” mais uma vez, nunca desanimar.
          Finalmente, o discípulo(a), deve estar sempre pronto a deixar o comodismo e sair, como pede o papa Francisco para ser “uma Igreja em Saída missionária” (EG 20), para “pescar”, lançar as redes, isto é, evangelizar, e depois pastorear, “fazer discípulos”(as).  

Perguntas:
1-Diante dessa realidade, temos que nos perguntar: será que estamos percebendo a presença de Jesus em nosso meio? Será que em nossas atitudes cotidianas, estamos realmente fazendo a opção de ser discípulos(as) de Jesus?


Padre Aparecido Neres Santana- Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C.


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Artigo de Janeiro de 2016 


Missionariedade: Missão do Batizado


Neste Artigo, no Ano da Misericórdia, seguimos a sequência do Artigo anterior, que abordou o tema, “Exercitando a Missionariedade”. Queremos assim, continuar a temática, no mesmo caminho, até porque não há outro.
No Evangelho de (Mt 28, 19), onde se lê - “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei”. Destaca-se o binômio, “batizando e ensinando”. Quando a pessoa é batizada, é mergulhada, não somente no símbolo da “agua do batismo”, mas no mar da vida. E mergulhada no Mistério Salvífico de Jesus, passa a fazer parte do corpo místico de Cristo, da Igreja, da comunidade Cristã.
“Batizar e ensinar”, são duas partes do mesmo objeto. Entendemos que, não podemos ficar somente na primeira, isto é, só no ato de batizar, mas deve-se ensinar, instruir, catequizar e formar. A Igreja primitiva vivia essa prática, “batizar e ensinar”: “Disse então o Espírito a Filipe: adianta-te e aproxima-te da carruagem”. Filipe correu e ouviu que o Eunuco, lia o profeta Isaías. Então, perguntou-lhe; “Entendes o que estás lendo? Como, disse ele, se alguém não me explicar!”.
Como vemos “batizar e ensinar”, é estar no caminho do Reino de Deus, é lançar-se como discípulos missionários de Jesus, comprometidos com o Evangelho que nos conduz ao compromisso de batizados, levando a Palavra para o nosso irmão, batizado ou não, porém, que se encontra disperso, sem formação, sem entender a Palavra de Deus, e a Doutrina da Igreja, no sentido religioso, econômico e político, “como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34).
Essa realidade deve arder, queimar, os nossos corações. A liturgia enfoca, tanto no final como no início de Ano, a Epifania com o Batismo de Jesus. Portanto, meus irmãos e irmãs é com este foco, misericordioso, que deixemos a Trindade Santa, manifestar em nossos corações, na família, na Igreja o nosso ser missionário. Feliz Ano Novo a todos.

Perguntas:
Será que estamos levando a sério nossa responsabilidade de evangelizadores Batizados, sendo discípulos missionários de Jesus? Estamos realmente conseguindo levar as pessoas a assumirem Jesus e seu projeto de mundo fraterno e misericordioso onde todos possam viver dignamente?








Artigo Dezembro de 2015 - Padre Aparecido Neres Santana, CSS


Exercitando a Missionareidade




Não querendo mudar o estilo, o método anterior, partimos de um olhar catequético-missionário, do versículo paradigmático (Mt 28,19), que diz “Ide portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulas, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Neste versículo, temos o centro a “Didaquê”, isto é, do ensino, da instrução na Palavra de Deus e da Doutrina Cristã. Aqui está o paradigma-missionário da Sagrada Escritura. A missão consiste em colocar em chave missionaria toda atividade habitual da Igreja Particular, isto é, todas as atividades, de uma forma especial a catequese, seja adulto , juvenil e infantil  deve ter a centralidade na missão.
Recordamos que a Igreja nasce missionária, nas estradas (Atos dos Apóstolos), nas catacumbas, nas casas. Ela não nasce encastelada, fechada somente em um templo, entre as quatro paredes. O Papa Francisco disse: “procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual” (EG). Com toda certeza, não temos outro caminho, está ai a Sagrada Escritura, os documentos da Igreja, todas as Conferencias Episcopais, especialmente a de Aparecida, toda versada, apontando para a missionariedade. 
Portanto, vemos que o DNA da Igreja é missionário, o cristão tem que ter a alma missionária. Por isso, temos que tirar as sandálias do comodismo, da mesmice, da apatia que adoece e enferruja, para colocar as sandálias da humildade e da busca incessante, da perseverança e dos olhos fixos em Jesus peregrino e caminhar com entusiasmo na evangelização de todos.
 Ademais, que neste tempo do Advento, tempo de orar e vigiar deixemo-nos, ser conduzidos pelo Espírito do Senhor, para que o menino Jesus possa fazer renascer a chama da missionariedade em nossos corações. Feliz e Santo Natal.
                                                                                                                                                                                     
1)Quais são as dificuldades em exercer a missionareidade em nossas comunidades?

2)Como colocar todas as nossas atividades em chave missionária?

Padre Aparecido Neres Santana, CSS - ASSESSOR ECLESIÁSTICO para Animação Bíblico – Catequética da Diocese de Santos


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