Artigos Pe. Aparecido

ARTIGO DE NOVEMBRO 2019 - PADRE APARECIDO NERES SANTANA, CSS


“Felizes os que são pobres no espírito porque deles é o Reino dos Céus” 


Neste Artigo Bíblico-Catequético-Missionário, inspirados no Evangelho da Solenidade de Todos os Santos, refletiremos as Bem- -aventuranças no Evangelho segundo Mateus 5, 1-12a. Todas as pessoas são chamadas à santidade, a fim de serem bem-aventuradas: "Sede santos, porque eu, Javé vosso Deus, sou santo" (Lv 19,2). A comunidade de Mateus faria uma releitura desse chamado da seguinte forma: "Sede perfeitos, como o Pai celeste é perfeito" (Mt 5,48). Antes de Mateus apresentar as oito Bem-Aventuranças, como caminho de santidade para a comunidade dos crentes, Jesus sobe ao monte. A referência a “subir ao monte” faz paralelo com Moisés, que escreveu as palavras da Lei, no Monte Sinai: “Moisés escreveu nas tábuas as palavras da Aliança, as dez palavras” (Êx 34,28). Jesus é apresentado como o “novo Moisés”. As Bem-Aventuranças não são simplesmente um catálago moralista, mas orientações concretas que inserem em um processo eclesial, pela procura de uma fé autêntica e não redutiva a rituais de pureza, como era alicerçada a Lei Judaica. O ponto alto das Bem-Aventuranças está no início, isto é, na primeira Bem-Aventurança; e na oitava - que é a Justiça e o Reino dos Céus -, até porque a última apresenta um sentido escatológico, diferenciada das demais. Talvez a primeira Bem-Aventurança dá seguimento às demais no sentido orientativo da comunidade de Mateus: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céus”, (Mt 5,3). Provavelmente, os “pobres em espírito” seja uma preocupação, de fato, com os pobres que assumem o projeto dos poderosos, isto é, são pobres na vida concreta, mas com o coração e a mente impregnados com o espírito de riqueza. A chamada de atenção é para viver com o espírito do próprio Deus. Podemos perceber, ainda, que as Bem-Aventuranças remetem ao discurso inaugural de Jesus, quando Ele apresenta o seu “Projeto de Vida” no Evangelho de Lucas, onde os pobres, humildes e oprimidos são postos no centro, como o ano da graça do Senhor (cf. Lc 4, 16ss). As Bem-Aventuranças são a felicitação a todos os discípulos que levam adiante a construção do Reino a partir dos pobres, mansos, aflitos, os que têm sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz e os que são perseguidos por causa da justiça. Finalmente, a última Bem-Aventurança está no contexto de perseguição do Império Romano aos cristãos. Por isso, ela apresenta um significado consolador aos discípulos perseguidos.

PE. APARECIDO NERES SANTANA - ASSESSOR ECLESIÁSTICO DA COMISSÃO AB-C




ARTIGO DE SETEMBRO 2019 – PE. APARECIDO NERES SANTANA, CSS

“PORQUE QUEM SE ELEVA SERÁ HUMILHADO
E QUEM SE HUMILHA SERÁ ELEVADO”

Neste Artigo Bíblico-Catequético-Missionário, do 22º Domingo do Tempo Comum, refletiremos a passagem do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas 14, 1.7-14. Este Evangelho nos apresenta Jesus na casa de um dos chefes dos fariseus, sentado à mesa com eles. Por que Jesus está na casa sentado à mesa? Na casa acontecia o ensinamento, a catequese e as celebrações. Nesta catequese ao redor da mesa, Jesus apresenta dois ensinamentos. O primeiro, tem seu ponto de partida nas regras de etiqueta sugerida pelos mestres judaicos, como “Não te vanglories na frente do rei, nem ocupes o lugar dos grandes; pois é melhor que te digam: ‘Sobe aqui!’, do que seres humilhados na frente de um nobre” (Pr 25, 6-7). Jesus se serve deste costume para catequisar, observando a busca frenética dos convidados em ocupar os lugares de destaque na mesa. Jesus mostra que o estilo de Deus é completamente oposto, apresentando um novo critério, um novo olhar e uma nova prática. Mostra que o Reino é a partir dos que não estão na casa e, muito menos ao redor da mesa. O segundo ensinamento tem no seu centro as relações sociais, onde a regra era estar junto com os ricos e poderosos, especialmente nas festas, nos banquetes. Jesus coloca os pobres no centro. A escolha dos pobres, os que não contam, significa assumir plenamente a sua causa: “Quando deres uma festa, chama os pobres, estropiados, coxos, cegos” (Lc 14,13). E, ainda, a escolha preferencial pelos pobres não deve ser demagógica, a partir de um mero assistencialismo, para calar a consciência, mas assumir plenamente a sua causa, como vemos no Projeto de Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre mim... para evangelizar os pobres...” (Lucas 4, 16ss), ou ainda: “Vinde, benditos do meu Pai... Pois tive fome me deste de comer...” (Lucas 25, 31ss). No coração do Evangelho estão os pobres os que vivem à margem da sociedade. Dentro desse critério, o Papa Francisco fala de uma ‘Igreja em saída’ num dinamismo missionário: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida” por defender os pobres; “não tanto aos amigos e vizinhos ricos, mas sobretudo os pobres e os doentes, aqueles que são desprezados e esquecidos” (EG n° 48-49). Por último, a fidelidade ao Evangelho brota da gratuidade de Deus que nos precede com seu Amor, gerando relações de igualdade, de justa fraternidade, onde os mais vulneráveis ocupam os primeiros lugares no banquete do Reino.


Para refletir: No interior da comunidade cristã, na pratica catequética, na evangelização como discípulos, exaltamos, valorizamos e servimos com esse novo critério, de um olhar para com os que mais precisam, da nossa caridade, atenção, carinho e amor?


AGENDAS Retiro Diocesano para Discípulos Missionários: Catequistas e Evangelizadores. Este retiro acontecerá em todas as cidades de nossa Diocese. Mais informações com a equipe da Iniciação à Vida Cristã Paroquial de sua Paróquia, ou com o coordenador de sua região.




Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C. 




ARTIGO DE AGOSTO DE 2019
O VALOR DA VIDA

Neste Mês Vocacional, no artigo Bíblico Catequético-Missionário do 18º Domingo do Tempo Comum, refletiremos a passagem do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas 12,13-21. O texto inicia-se com o grito de um jovem do meio da multidão, preocupado com seus bens terrenos. Ele ordena a Jesus: “Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança” (Lc 13,1). A resposta de Jesus é o centro do texto: “Mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada por seus bens” (Lc 13,15). Para a compreensão dos discípulos e do povo, Jesus conta a parábola de um jovem rico. Se olharmos o que vem antes e depois do nosso texto, constataremos que a parábola é dirigida mais aos discípulos do que ao povo: “Começou a dizer, em primeiro lugar, aos discípulos” (Lc 12,1), e ainda: “Não vos preocupeis com a vida, com o que haveis de comer e beber...”, “...Pelo contrário, buscai o seu Reino, e essas coisas vos serão acrescentadas” (Lc 12, 22-32). A parábola começa com o monólogo do homem rico. Após uma grande colheita, entra num dilema sobre o que fazer, já que não tinha lugar pra acumular tanta quantidade de bens. Neste monólogo o homem rico só pensa em si e na sua riqueza, nos seus bens. O monólogo decorre sempre na primeira pessoa do singular: “O que hei de fazer? Onde guardar a minha colheita... meus celeiros... meu trigo... meus bens... minha alma...” (13. 16-20). Não entram pessoas na sua vida. Aonde estão a mulher, filhos, pais, parentes, amigos? A vida vale mais do que as coisas que a sustentam! E mais: o Reino é um dom do Pai entregue à comunidade dos discípulos, mesmo se pequena, ameaçada e indefesa como um pequeno rebanho (Lc 12,32). Segundo, o Reino começa a se implantar lá onde os bens dos discípulos são postos à disposição dos pobres” (Lc 12, 33-34). Após resolver o seu dilema, o homem rico, na conclusão da parábola, depara-se com Deus, que diz: “Insensato, nessa mesma noite ser-te-á reclamada a alma. E as coisas que acumulaste, de quem serão? Assim acontece àquele que ajunta tesouros para si mesmo, e não é rico para Deus” (Lc 13, 20-21). Ademais, a libertação do discípulo da angústia cotidiana é uma abertura confiante e total ao Reino, que na prática é um discernimento de si mesmo para caminhar com todas as forças na construção do mundo da justiça, da caridade, da vida e da paz.

Para refletirmos: Se houver preocupação pelo Reino todos terão o necessário, pois a Comunidade estará organizada a partir da solidariedade e da partilha. Será que, para nós, o Reino de Deus está sendo o centro de toda a nossa preocupação? De que valerá a vida senão a orientarmos para Aquele que nos criou e deu a vida para a salvação de todos?

AGENDA - Retiro Diocesano para Discípulos Missionários: Catequistas e Evangelizadores. Este retiro acontecerá em todas as cidades de nossa Diocese. - 27/8 - 15h30 - Tarde Mariana - Na Catedral Diocesana. - Estudo Bíblico 2019. Mais informações com a equipe da Iniciação à Vida Cristã Paroquial de sua Paróquia, ou com a Coordenação de sua região.
Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C


ARTIGO DE JULHO DE 2019

A MISSÃO NÃO É INDIVIDUAL.

Neste Artigo Bíblico-Catequético Missionário, do 14ª Domingo do Tempo Comum, refletiremos o Evangelho de Jesus Cristo, segundo, São Lucas 10,1- 12.17-20. O centro do texto é o envio dos 72 discípulos missionários. Chama a atenção o número 72: primeiro, provavelmente, se quer indicar um grupo amplo, bem superior aos doze Apóstolos. Segundo, de fato, na tradição judaica, as nações da terra que tinham ouvido a promulgação da Lei no Sinai eram 70 (cf. Gn 10). A ampliação do número de discípulos e, especialmente os números 70 ou 72, indicam totalidade, a universalidade, isto é, os discípulos assumem a responsabilidade de irem a todas as nações da face da terra. A compreensão de totalidade implica, no anúncio do Evangelho do Reino, as nações pagãs. Na seguência do texto tem-se o “manual missionário”, que são as orientações práticas de toda ação missionária dos discípulos. Neste “manual missionário”, a primeira orientação é sair dois a dois: isso remete para a Comunidade. O envio de duas pessoas juntas já é a célula de uma Comunidade. A missão não é individual, mas comunitária, até porque a missão não é fácil, pelo contrário, é difícil e perigosa. “Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros entre lobos” (Lc 10,3): aqui estão as perseguições e a crucificação dos discípulos como, de fato, aconteceu. Na sequência do “manual missionário” está a simplicidade: “Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias, (Lc 10,4); a hospitalidade a comunhão e a partilha de vida, “Permanecei nessa casa, comei e bebei, do que tiverem...” (Lc 10,7). O discípulo deve confiar plenamente em Deus. Finalmente, o conteúdo da missão é levar a paz e curar os enfermos, os que sofrem, isto é, levar vida para todas as pessoas. Este é o sinal do Reino de Deus. Por isso, a Sagrada Escritura - assim como todos os Documentos da Igreja, especialmente o Documento da V Conferência de Aparecida, a Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho) e as Diretrizes Gerais da Evangelização da Igreja no Brasil - mostra que a vocação da Igreja é missionária, ela nasce missionária. E como disse o Papa Francisco: “Não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário, a alegria da evangelização!”.

Para refletirmos: Vemos nas novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019 – 2023: “Para a formação de discípulos missionários, a Iniciação à Vida Cristã deve ser ‘assumida com decisão, coragem e criatividade. Ela renova a vida comunitária e desperta seu caráter missionário” (DGAE, 89). Será que estamos catequizando em “chave missionária”, assumindo o processo catequético, dinâmico, criativo, favorecendo uma Igreja em “Saída”, como pede o Papa Francisco, formando verdadeiros discípulos missionários?

Mídias de nossa Comissão: visite e entre em contato: www.abcdiocesedesantos.blogspot.com.br;
E-mail: abcdiocesedesantos@gmail.com
Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C


ARTIGO DE JUNHO DE 2019

ANUNCIAR O EVANGELHO A PARTIR DA VIDA.

Neste artigo Bíblico-Catequético Missionário refletiremos o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 24, 46-53). O Evangelista Lucas é o único que tem o relato da Ascensão. Na verdade tem dois relatos: (Lc 24,50-53) e (At 1,1-11). No Evangelho, a Ascensão é o clímax da obra de Jesus. Nos Atos dos Apóstolos é o prelúdio da missão da Igreja. O sentido do nosso texto tem relação com o anterior, onde sê lê: “Era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes a mente para que entendessem as Escrituras” (Lc 24, 44-450). Aí fica evidente a importância da Sagrada Escritura, ela faz a comunidade dos discípulos abrir os olhos e perceber que Jesus havia ressuscitado. Assim se confirma a “promessa” do Pai: “Mas recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas (At 1,8). A centralidade do texto está na compreensão da fé pascal dos apóstolos, dos discípulos e da comunidade primitiva de que há uma perfeita identidade entre o Crucificado e o Ressuscitado. Com a ressurreição, abrem-se as portas para o futuro e estabelecem-se as estruturas que sustentam a missão cristã, tendo como ponto de referência Jesus. No entanto, a missão cristã, que nasce da fé pascal, não é somente um olhar para a História Salvífica de um acontecimento do passado, mas abre-se para o futuro, com a certeza da libertação que aponta para uma nova realidade: a de sair do próprio passado de fatalismo e medo, que gera violência escravidão e injustiça. É isto que significa dizer “conversão e o perdão dos pecados”. Por isso, o núcleo do querigma é: “Jesus Cristo morto e ressuscitado”, que nos apresenta a releitura das Escrituras em chave Cristológica e o convite à conversão, e os tornam discípulos, testemunhas vivas e corajosas, pela ação do Espírito Santo. A última cena do Evangelho, a Ascensão, a glorificação de Jesus, não é um afastamento do Senhor com os discípulos. A bênção de Jesus indica que Ele lhes transmite a missão e promete a sua assistência permanente, gerando grande alegria. A alegria de que a missão continua. Enfim, a Ascensão, mais do que olhar para o céu, estaticamente, é olhar para a terra, com olhar de discípulo que busca o sentido último, ver e ouvir as necessidades dos irmãos e irmãs, buscando fazer com que a vida vença a morte.

Para refletirmos: Portanto, quem age para ajudar a compreender todo o Mistério da Ressurreição de Jesus em nossas vidas, após a Ascensão do Senhor, é o Espírito Santo. É ele que nos torna testemunhas do Evangelho da Ressurreição de Jesus pelo testemunho de vida. E nós? Discípulos missionários que já recebemos o Espírito Santo no Batismo e na Confirmação, estamos em condições de testemunhar o Evangelho com nosso modo de viver, na catequese em nossa Comunidade?

Mídias de nossa Comissão: visite e entre em contato: www.abcdiocesedesantos.blogspot.com.br;
E-mail: abcdiocesedesantos@gmail.com
Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

ARTIGO DE MAIO DE 2019 - PADRE APARECIDO NERES SANTANA, CSS

A confiança e a fé na Palavra de Jesus.

Neste Artigo Bíblico-Catequético-Missionário, do 3° Domingo da Pascoa do Ano C, refletiremos o Evangelho de Jesus Cristo, segundo São João (Jo 21,1-19): o encontro de Jesus Ressuscitado com alguns dos seus apóstolos junto ao lago da Galileia. Este encontro está descrito com clara intenção catequética. É o último diálogo de Jesus com os discípulos, num encontro celebrativo, marcado pela ternura e pelo carinho: “Simão, fi lho de João, tu me amas mais do que estes”? (Jo 21,15). A chave de leitura está no simbolismo da pesca no meio do mar. Nota-se aqui que apenas a presença de Jesus Ressuscitado pode dar eficácia ao trabalho evangelizador dos discípulos. Podemos perceber que o teor do texto não está ancorado na Cristologia, mas na Eclesiologia. Na primeira parte (Jo 1-14) temos duas cenas: a pesca milagrosa e a refeição (simbolismo do banquete). É uma cena convivial, isto é, comunitária. Entre os vários discípulos presente na cena, destacam-se Pedro e João. Pedro, toma a iniciativa – “vou pescar” (Jo 21,3), e João reconhece Jesus - “é o Senhor” (Jo 21,70. Destaca-se primeiro a fi gura de Pedro – Ele toma a iniciativa de ir pescar (v.3), é o primeiro a correr ao encontro do Senhor (v.7) e traz para a praia a rede cheia de peixes (v.11). Como salientado acima, o tema central da perícope é o sentido eclesiológico da pesca. Aqui temos 3 elementos que chamam atenção: o contraste entre o esforço estéril dos discípulos (nada conseguiram pescar), entregues a si mesmo (v.3), e a abundância da pesca realizada a convite do Senhor (v.7); o simbolismo dos 153 peixes grandes (v.11) e a observação de que, apesar do grande número de peixes, a rede não rasgou (v.11). Portanto, o significado eclesiológico é claro: o milagre da pesca alude à Missão. A semelhança entre a “pesca milagrosa” e a “missão da Igreja” deve ser vista em nível profundo. É a confiança e a fé na Palavra do Senhor que fez a rede se encher, isto é, a comunidade crescer. É a semente da Palavra do Senhor que dá eficácia ao trabalho apostólico dos discípulos. “Lançai a rede mais uma vez’ (Lc 21,6), e mesmo cansado, o discípulo deve acreditar e fazer mais um esforço. É no limite das forças humanas que entra a Palavra do Senhor, é neste momento que vem os resultados. 

Para refletirmos: No fi m, Jesus chamou Pedro e perguntou três vezes: "Você me ama?" Só depois de ter recebido, por três vezes, a mesma resposta afirmativa é que Jesus deu a Pedro a missão de tomar conta das ovelhas. Para poder trabalhar na comunidade, Jesus não pergunta se sabemos muito. O que ele pede é que tenhamos muito amor! Será que o amor que Jesus nos ensina, está sendo vivido em nossa comunidade, na catequese? 

Padre Aparecido Neres Santana, CSS
Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C Diocese de Santos.

AGENDA DO MÊS - 

Vem aí a Semana Catequética 2019. - Formações para Discípulos Missionários: Catequistas e Evangelizadores. 

Mais informações com o Coordenador da Catequese de sua Paróquia. 

Mídias de nossa Comissão: visite e entre em contato: 

Blog: www.abcdiocesedesantos.blogspot.com.br 
Facebook: www.facebook.com/abcsantos E-mail: abcdiocesedesantos@gmail.com

ARTIGO DE ABRIL DE 2019 - PADRE APARECIDO NERES SANTANA, CSS




O CORAÇÃO MISERICORDIOSO DO DISCÍPULO GERA A
VIDA.

QUEM DE VOCÊS NÃO TIVER PECADO, ATIRE NELA A PRIMEIRA PEDRA” (JO 8,7).


Neste Artigo Bíblico-Catequético-Missionário, do 5° Domingo da Quaresma do Ano C, refletiremos o Evangelho de Jesus Cristo, segundo São João (Jo.8,1-11). Estamos terminando a Quaresma, entrando na Semana Santa, tempo de conversão, de reconciliação e do amor misericordioso de Deus em Jesus.  Esse trecho do Evangelho, tem sua centralidade no perdão e na misericórdia do Deus da vida.  Na tradição judaica, a Lei de Moisés pune de morte a mulher e o homem que cometem adultério - “Se um homem for pego em flagrante, deitado com uma mulher casada, ambos serão mortos, o homem que se deitou com a mulher e a mulher” (Dt 22,22).  Neste trecho, ela paga por seu pecado de maneira definitiva e seletiva, pois nada atinge o homem com quem ela cometeu adultério e que deveria ser tão responsável quanto ela segundo a Lei. Chama a atenção aqui os dois grupos religiosos, os escribas e fariseus, que dirigem a Jesus, não com sinceridade de coração, e sim para pô-lo a prova. Eles não estavam preocupados como “santos”, que se achavam, com o pecado da mulher e do homem, que não estava presente, mas sim em encontrar um pretexto para condenar Jesus, isto é, não estão procurando e muito menos preocupados com a verdade, mas apenas com um motivo jurídico para acusa-lo e condená-lo a morte. A resposta de Jesus à pergunta dos dois grupos, surpreende: envolve-os no assunto. Jesus não nega o juízo de Deus, mas quer que cada um o aplique em primeiro lugar a si mesmo – “Quem dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra!” (Jo 8,7).Adúlteros ou não, todos somos pecadores, necessitados de conversão e de perdão. Jesus deixa claro que o juízo divino seja de Deus, não do homem. Só Deus tem o poder de julgar. O juízo de Jesus referente a mulher, é um juízo feito de perdão e de convite à conversão.
Os discípulos entenderam que Deus não quer a morte física do pecador, mas a morte do pecado, e que este se converta e viva. Os fariseus e os escribas, sentem-se puros, porque seguem a Lei, mas eram também adúlteros, porque usavam da lei, para explorar os pobres – “Não imiteis suas ações, pois dizem, mas não fazem” ... (Mt 23, 3ss). Somos adúlteros, quando traímos o Projeto de Deus em Jesus, na busca do mundo justo e fraterno. Sem misericórdia não há justiça, mas tirania. Quem não consegue perdoar o irmão é o que mais necessita do perdão.



Para refletirmos: – Só quem se reconhece nessa mulher pode sentir como dirigidas a si mesmo as palavras do Senhor: "Eu, o único que tem o direito de te condenar, não te condeno”. Fortalecidos com esse perdão, retomamos o caminho rumo ao Senhor e à Sua Páscoa, com o coração misericordioso. Como discípulo missionário, sabemos perdoar o nosso próximo? Tenho confessado ao menos uma vez por ano? Já reconcilie-me com o meu irmão?  

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C.

ARTIGO DE MARÇO DE 2019 - PADRE APARECIDO NERES SANTANA, CSS




O DISCÍPULO MISSIONÁRIO É MISERICORDIOSO

Neste Artigo Bíblico-Catequético-Missionário, do 8° Domingo do Tempo Comum do Ano C, refletiremos o Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas 6, 39-45.  Jesus orienta seus discípulos e discípulos a iluminar o olhar de suas vidas com a luz do Evangelho, para produzir os bons frutos do Reino de Deus no meio da sociedade. Apesar de Lucas iniciar esta seção, afirmando que se trata de uma parábola- “Disse-lhes ainda uma parábola: ...” (Lc 6,39ª), mas, na realidade pelo estilo literário, percebe-se que aproxima-se mais da literatura sapiencial bíblica, isto é, são provérbios, que retratam a vida cotidiana do povo, como conclusão do “Sermão das Bem-aventuranças”. O texto é composto por quatro provérbios (parábolas) a saber: “a guia de um cego” - “a trave-cisco no olho” – “a arvore e os frutos” – “o tesouro (a palavra) do coração”. O centro do texto, está em escolher ou não o caminho certo, a palavra, o messias, no seguimento do único mestre, Jesus Cristo. As duas primeiras comparações são aproximadas por um tema chave: a guia de um cego e a correção por parte de quem tem uma trave no olho (Lc 6, 40-42).    A primeira comparação era dirigida originalmente contra os fariseus, os guias espirituais que desencaminhavam o povo, como - “Que estás convencido de ser o guia dos cegos, a luz dos que andam nas trevas...” (Rm 2, 19-24). A segunda comparação, a imagem da trave no olho, chama a atenção daquele que pretende ser juiz do seu irmão. Muitas vezes os membros da comunidade eclesial em seus julgamentos, se colocam acima do Mestre. “Não existe discípulo superior ao mestre; todo o discípulo perfeito deverá ser como o mestre” (Lc 6,40).   A dificuldade aqui não é tanto o cisco ou a trave no olho, mas na realidade, é não enxergar a trave no próprio olho. A crítica é direcionada as pessoas que estão na comunidade sempre com o dedo em riste para o outro, faz com isso o papel de juiz condenador do irmão. Por isso, que esta parábola apela para a necessidade de autocritica do discípulo e da vivência da misericordioso. Ademais, os Evangelhos contêm em cada página, um aceno a misericórdia. Os Evangelhos são demonstração do coração misericordioso de Deus. Lucas quer que a comunidade, mais que julgar, exerça a misericórdia. A correção de um irmão começa no altar do coração misericordioso.   O discípulo enxerga a vida com a luz do Evangelho e isto lhe possibilita uma visão diferente da realidade. Ele não é conduzido por outro cego — pelo olhar do mundo — mas pelo olhar do seu Mestre, por sua palavra de vida e esperança.
         





Para refletirmos: – Nós como discípulos missionários: catequistas e evangelizadores somos responsáveis na condução de muitos catequizandos!  – Como pessoas comprometidas temos conseguido ser um exemplo a ser seguido, com o nosso testemunho de vida? Como temos vivenciado o Sacramento da Penitência? Que tipo de “clima” criamos ao nosso redor, com nossas palavras? Acolhida, amizade ou rejeição, hostilidade e julgamentos?
Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C.

ARTIGO DE FEVEREIRO 2019 - PADRE APARECIDO NERES SANTANA, CSS


HOJE SE CUMPRIU ESSA PASSAGEM DA ESCRITURA.


Neste Artigo Bíblico-Catequético-Missionário, do 4° Domingo do Tempo Comum do Ano C, refletiremos o Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas 4, 21-30. A narrativa deste Evangelho é de uma dramaticidade sem limites. Não poderemos entender esse texto, sem mencionar o texto anterior, Lucas 4, 16-20, que é um texto do profeta Isaías 61,1-2. Lucas 4, 21-30, e que só existe por conta do anterior que é: “O Espírito do Senhor me ungiu para anunciar a boa notícia aos pobres...” (Lc 4,16-20). Este texto é o Programa de Jesus. Aqui está a razão da missão de Jesus. É o anuncio definitivo aos deportados, marginalizados, oprimidos, doentes, assim como os escravos endividados e libertados no ano da graça do Senhor. O texto inicia-se com a atualização do texto citado de Isaías – “Hoje, esta passagem da Escritura encontra o seu cumprimento diante de vós que a estais ouvindo” (Lc 4,21). Hoje, tão certo quanto vocês escutam ou   leem este anúncio de libertação para todos os oprimidos, esta boa nova para os pobres, é uma realidade. A partir dessa proclamação de Jesus, inicia-se a desconfiança - “Não é este o filho de José?” (Lc 4,22) e a perseguição a Jesus – “...arrastaram-no para fora da cidade e levaram até um despenhadeiro ...para jogá-lo abaixo” (Lc 4,29). Essa perseguição encerra-se com a morte na cruz de Jesus. Aqui está a centralidade do texto, que é a perseguição a Jesus, como foi com todos os profetas: “Amós é expulso de Betel... Amasias disse a Amós; ‘Vidente, vai foge para a terra de Judá’...” (Am, (7,10-13); “Os sacerdotes e os profetas dissera... Este homem merece a morte...” (Jr, 26,11). Por isso, que a comunidade de Lucas, compreende que, se os judeus, o povo de Israel, obviamente a sua elite, não aceitam o programa de Jesus, a palavra deve ser anunciada para outros povos, chamados pagãos. O profetismo escolhe os de fora, vai levar a salvação aos longínquos, aos estrangeiros, como demonstra o caso dos dois profetas do Antigo Testamento – Elias e Elizeu (Lc, 4,25-27).  Por isso, não basta admirarmos Jesus e até afirmar que O amamos, se rejeitarmos o seu Projeto, que é de vida para todos.             




Para refletirmos: Sigamos o caminho que Jesus nos mostra. Ele não fica preso ao sofrimento da rejeição, à dureza de seus conterrâneos, Ele continua... Ainda tem muito para fazer, os pobres esperam a libertação. Como enfrentamos as dificuldades na missão? Especialmente, para a implantação do novo modelo catequético de inspiração catecumanal? E nós, estamos parados ou a caminho? Somos verdadeiros discípulos missionários?



Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C.

Artigo de Janeiro de 2019 - Padre Aparecido Neres Santana,CSS


EPIFANIA – MANIFESTAÇÃO DE JESUS A TODOS OS POVOS!



Neste primeiro Artigo Bíblico-Catequético-Missionário de 2019 (no contexto do Ano Vocacional), refletiremos no Evangelho de Jesus segundo Mateus 2,1-12, que é uma das grandes festas do Ciclo de Natal - A Manifestação do Senhor (“Epifania” em grego), onde comemoramos o fato de Jesus manifestar-se, não somente ao seu próprio povo, mas a todos os povos, representados pelos Magos do Oriente. O texto é altamente teológico e simbólico, usa uma técnica da literatura judaica chamada “Midrash”, ou seja, uma releitura de passagens bíblicas, com o intuito de atualizá-las o cotidiano da vida do povo. No texto refletido, a intenção da comunidade de Mateus é enfatizar, a universalidade da salvação, a partir da releitura do profetismo, como em Isaías - “Uma horda de camelos te invadirá, os camelinhos de Madiã e Efa; todos virão de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando os louvores de Iahweh” (Is 60,6). Em Jesus realiza-se toda profecia. Por isso o centro do texto, está na MISSIANIDADE de Jesus. A cidade de Belém tem um significado importante, está ligada também à profecia, como em Miquéias – “Mas tu, (Belém), Éfrate, embora o menor dos clãs de Judá, de ti sairá par mim aquele que será dominador em Israel (Mq 5,1). A estrela é sinal da vinda do messias, prevista na profecia de Balaão – “Eu o vejo – mas nãoagora[VC1] , eu o contemplo – mas não de perto: Um astro procedente de Jácó se torna chefe, um cetro se levanta, procedente de Israel” (Nm 24,17).
Entende-se que o Messias, repelido pelo seu povo, é reconhecido por quem está distante. São os pagãos que o acolheram a alegre mensagem cristã, entrando na Igreja (comunidade de Mateus). Jesus é o Messias de Israel sim, mas também salvador dos que estão distantes, especialmente os excluídos, os incircuncisos, isto é, os gentios. O ato de prostração dos astrólogos (reis magos), é na verdade, o reconhecimento de fé dos crentes, vindos do paganismo, que confessam, na comunidade cristã, a divindade de Cristo. A festa de hoje é altamente missionária, pois é a manifestação de Jesus as nações. Os magos saem, caminham, assim deve ser a Igreja do Papa Francisco, uma Igreja em “saída”, que coloque todas as atividades em “chave missionária”.


Para refletirmos: Deus em sua infinita misericórdia nos ama e vem ao nosso encontro na pessoa de Jesus, o verbo encarnado, e infunde seu Espírito em nós para que, iluminados pela sua presença, possamos livremente, sair de nosso comodismo e ir ao encontro dos nossos irmãos, anunciando em Jesus o Reino da vida! Estamos sendo discípulos missionários anunciadores de Jesus, além dos muros da Igreja? A Iniciação à Vida Crista, está em chave missionária?


Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Dezembro 2018 - Padre Aparecido Neres Santana


“MAGNIFICA - O CÂNTICO DOS POBRES”



Neste Artigo Bíblico-Catequético, do Ano Litúrgico C, do Evangelista de Lucas, refletiremos o quarto e último Domingo do Advento, Lucas 1,39-45.Desde o início do Advento nos preparamos para celebrar condignamente o Natal, este acontecimento único na história da humanidade, e especialmente para todos os cristãos. O texto está dividido em duas partes bem distintas: A visitação de Maria a Isabel e o cântico do Magnificat. Teologicamente não importa muito para a Comunidade de Lucas, a distância percorrida pôr Maria e o serviço prestado à sua parenta Isabel. Mas, importa bastante o Caminho feito, e o sentido do encontro dessas duas mães e as duas crianças. Isabel e João Batista representam o Primeiro Testamento, a Primeira Aliança, Maria e Jesus o Segundo Testamento, a Segunda Testamento, a Segunda Aliança. A bem da verdade Jesus representa não somente a Nova Aliança, mas toda a Sagrada Escritura, isto é, a única e definitiva Aliança. Ademais, Maria representa, as comunidades, a jovem Igreja, Isabel representa a Sinagoga e as antigas práticas do judaísmo, com os seus 613 normas ou mandamentos. A acolhida que Isabel faz a Maria, é a acolhida, de todos os povos, de todos os tempos, em especial os mais pobres. Isabel acolhe Maria “em alta voz”, como o povo de Deus acolheu a Arca da Aliança, a presença de Deus, com fortes aclamações, “Davi exclamou: “Como poderá vir a mim a arca do Senhor?” (2Sm 6,9).
A segunda parte, O Magnificat, é um cântico de alegria e agradecimento. Esse cântico de Maria inspira-se no cântico de Ana, “O meu coração exulta em Iahweh, a minha força se exalta em meu Deus...” (2Sm 1ss). Lucas mostra o agir de Deus na história do povo. Mostra que o que conta para Deus, são os que levam a frente o projeto de justiça, e não os orgulhosos, os poderosos e ricos, mas os humildes, os famintos, que coincidem com os que confiam plenamente em Deus. Por isso, o Magnificat pode expressar bem a oração dos pobres, que se associam em alegre esperança a Maria de Nazaré, a humilde serva do Senhor.  Na Exortação Apostólica - A Alegria do Evangelho, do Papa Francisco, lemos: “Deriva da nossa fé em Cristo, que Se fez pobre e sempre Se aproximou dos pobres e marginalizados, a preocupação pelo desenvolvimento integral dos mais abandonados da sociedade. Cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo. (...) Ficar surdo a este clamor, quando somos os instrumentos de Deus para ouvir o pobre, coloca-nos fora da vontade do Pai e do seu projeto.” (EG 186-187).
        



Para refletirmos: Portanto, todos nós, e toda a Igreja nos encontramos grávidos da presença de Cristo, para dá-lo ao mundo. Esta é a nossa missão de discípulos missionários: de anunciar aos não católicos a presença de Cristo Ressuscitado. Eis aqui o sentido da festa de Natal, que nós celebramos nesta semana. Estamos grávidos de Cristo? Estamos dispostos como discípulos missionários seguidores de Cristo, a mostrar a sua presença ao mundo de hoje?



Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de novembro 2018 - Padre Aparecido Neres Santana, CSS


"MEU REINO NÃO É COMO OS REINOS DESTE MUNDO" (JOÃO 18,36). 



Neste Artigo Bíblico-Catequético Missionário, 34º Domingo do Tempo Comum, Solenidade de Cristo Rei do Universo e último domingo do Ano Litúrgo-B, refletiremos o Evangelho de Jesus, segundo João, 18, 33-37, que apresenta o confronto entre dois projetos: O de Jesus e os Apóstolos e o do Império Romano, representado pelas autoridades judaicas e Pilatos. O texto discorre sobre o reinado de Jesus, com a indagação de Pilatos a Jesus: “Tu és o rei dos Judeus” (Jo 18,33), e a sua resposta - “O meu reinado não é deste mundo” (Jo 18,36). Percebe-se, que o centro do relato, está na realeza de Jesus e do seu juízo sobre o mundo que o condena. A partir do caminho catequético, com o tema da realeza, podemos perguntar: qual o sentido preciso da realeza de Jesus? E qual é a razão pela qual, as autoridades judaicas e Pilatos o acusam? Qual foi o seu crime? As autoridades judaicas são os acusadoras e Pilatos o Juiz. Mas a ação toda é de Jesus. Na realidade é Jesus o acusador e o Juiz, ao mesmo tempo. No diálogo eles, os acusadores, são obrigados, a reconhecerem a realeza de Jesus. “Pilatos lhe disse: então, tu és rei”? Respondeu Jesus: ‘Tu o dizes eu sou rei’” (Jo 18,37) e ainda, “Es o vosso rei (Jo 19,14). A parir dessa premissa, constata-se que a realeza de Jesus é compreendida no contexto da sua paixão, da sua entrega total.
O Reino de Jesus não é a imagem das organizações políticas do Império Romano, onde há sempre escravos, explorados e os oprimidos. Por isso Ele disse – “Meu reino não é deste mundo (Jo 18,36), isto é, do mundo de Pilatos e daqueles que o acusavam num processo fraudulento, montado na mentira, até porque a verdade vem de Jesus – “Eu vim ao mundo: para dar testemunho da verdade” (18,37). A verdade Bíblica é sinônimo de fidelidade a aliança de Deus, com todo o seu Povo eleito, principalmente, os pobres, os pequenos, os feridos da vida, os sem voz e vez, literalmente excluídos! Por isso, Jesus é um rei servidor, um rei pastor, um rei dos pobres, “Pois tive fome e me destes de comer. Tive sede, e me destes de beber...” (Mt 25,31ss). E, para entrar nesse Reino Jesus promete, que é preciso lutar para que os menos favorecidos, se tornem, “reis e rainhas”, no sentido de vida plena. Enfim, o reino de Jesus não sendo do mundo dos acusadores, obviamente é do mundo de Pedro, de Paulo, de João, isto é, de todos aqueles(as) que se empenham pela vida. É neste mundo de amor e de solidariedade, que Jesus quer reinar.







Para refletirmos: Hoje comemoramos o “Dia dos Leigos/as”. E também concluímos a caminhada do Ano Nacional do Laicato: Cristãos Leigos e Leigas, na Igreja e na Sociedade. Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5,13-14).  Como Discípulos e Discípulas Missionários seguidores de Cristo, sendo Sal da Terra e luz do mundo, assumimos um compromisso em favor da Vida! Diante desta afirmação, estamos sendo Testemunhas da Verdade, acolhendo o mais necessitado, com o amor incondicional, conduzindo-os para o Reinado de Deus no mundo?



Artigo de outubro 2018 - Padre Aparecido Neres Santana


O VERDADEIRO DISCÍPULO MISSIONÁRIO, HOUVE O GRITO DO POBRE!

Neste Artigo Bíblico-Catequético, do mês de outubro, dedicado às Missões Missionário, no 30º Domingo do Tempo Comum, refletiremos o Evangelho de Marcos 10,46-52. Este Evangelho nos faz compreender que não podemos nos acomodar, temos que ir ao encontro do Mestre, para vê-lo e segui-Lo em busca de Vida Plena. O cego Bartimeu está sentado à beira da estrada, como muitos, não pode participar da caminhada que acompanha Jesus. Mas ele grita, invocando a ajuda de Jesus: “Filho de Davi! Tem compaixão de mim!” (Mc 10,51). O grito do pobre incomoda. Os que estão no caminho, tentam abafá-lo. Mas “Ele, porém, gritava mais ainda!” (Mc10,48). E Jesus, o que faz? Ele escuta o grito, para, e manda chamá-lo! Os que queriam abafar o grito incômodo do pobre, agora, a pedido de Jesus, são obrigados a ajuda-lo chegar até Jesus.
O centro deste relato é o seguimento de Jesus, isto é, do discipulado, que é muito caro no Evangelho de Marcos. O cego curado se torna o modelo do verdadeiro discípulo, e o milagre resume, num pequeno drama, a mudança radical que se opera naquele que está disposto a seguir verdadeiramente a Jesus. Bartimeu larga tudo e vai até Jesus. Não tem muito. Apenas um manto. Mas era o que tinha para cobrir o seu corpo, como em Êxodo “Se tomares o manto do teu próximo em penhor, tu lho restituirás antes do pôr-do-sol. Porque é com ele que se cobre, é a veste do seu corpo: em que se deitaria? Se clamar a mim, eu ouvirei, porque sou compassivo” (Ex 22,25-26). Era a sua segurança, o seu chão! Jesus pergunta: “Que queres que eu te faça?” (Mc 10,51). Não basta gritar. Tem que saber por que grita! “Mestre, que eu possa ver novamente!” (v. 51). Ele Soube entregar sua vida aceitando Jesus sem impor condições. Jesus lhe disse: “‘Tua fé te curou! (Mc 10,52’. No mesmo instante, o cego recuperou a vista. Largou tudo e seguiu Jesus no caminho para o Calvário (v. 52). Nesta decisão de caminhar com Jesus estão a fonte da coragem e a semente da vitória sobre a cruz. Pois a cruz não é uma fatalidade, nem uma exigência de Deus, ela é a consequência do compromisso assumido com Deus de servir aos irmãos, na construção do Reino, em especial com “os cegos da vida”, aos doentes, aos oprimidos, enfim, todos os que sofrem no corpo e na alma as chagas do crucificado, em busca da liberdade e de vida. Esta é a razão pela qual, discípulo-missionário, não pode ficar sentado, como um cego, na beira do caminho ou em cadeira de balanço, “deitado em berço esplendido”, como no hino cívico do Brasil, mas levantar-se e sair pelos caminhos, indo às periferias sociais e humanas, como no banquete, em Lucas - “Quando deres uma festa chama, os pobres, estropiados, coxos, cegos...” (Lc 14,13).

Padroeira do Brasil: A festa de Nossa Senhora Aparecida, neste ano de 2018, compromete a Igreja a ser propositora do Evangelho, como caminho da restauração social e restauração da Vida pessoal. Quem enxerga o que diz a Palavra do Evangelho restaura a Vida com um sabor existencial; sem comparação. Tornando-se Sal da Terra e Luz do Mundo.

Para refletirmos: Podemos perguntar-nos hoje qual é nossa capacidade para escutar os gritos de todas as pessoas que estão na beira do caminho? Estamos sendo discípulos de Jesus, indo ao encontro de tantos outros cegos que estão atirados nas ruas, nas casas, praças e vilas? No novo processo de Catequese de Iniciação à Vida Cristã, estamos assumindo como pede a Igreja, ou estamos acomodados e cegos?


AGENDA DO MÊS
Ø Retiro de Catequistas e Evangelizadores Discípulos Missionários – Confira a Agenda de sua Região. Mais informações em sua Paróquia ou com o Coordenador da AB-C de sua Região.

Ø Região Guarujá –
Ø Cidade de Bertioga – 18 de outubro às 19h30.
Ø Cidade do Guarujá – 25 de outubro às 19h30.
Ø Região Litoral Centro -
Ø Cidades de Praia Grande e Mongaguá – 27 de outubro às 8h30.

Ø Mídias de nossa Comissão: visite e entre em contato!






















Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C



Artigo de setembro 2018 - Padre Aparecido Neres Santana 


SE ALGUÉM QUER SER O PRIMEIRO, DEVERÁ SER O ÚLTIMO.


Neste Artigo Bíblico-Catequético Missionário, do 25º Domingo do tempo Comum, refletiremos o Evangelista Marcos 9,30-37, este Evangelho nos faz pensar muito sobre um aspecto importantíssimo de nossa vida que está bastante presente no nosso dia-a-dia, que são as dificuldades da missão e vivência na Comunidade.  O Evangelho inicia apresentando em sua primeira parte, Jesus ensinando os seus discípulos/as enquanto caminham, atravessando a Galileia, lugar onde desenvolveu sua atividade missionária. Jesus compreende o seu destino, como o de todo profeta, que vai rumo à morte, na linha dos perseguidos por causa da fidelidade a Deus e ao Reino. É importante entender que para a Comunidade primitiva, a compreensão da morte violenta de Jesus, pelas elites dominantes, é expressada neste relato do segundo anúncio da paixão. “Eles, porém, não compreendiam essa palavra e tinham medo de interroga-lo (Mc 9,32).
A segunda, parte, que é o centro do texto, e com certeza da comunidade primitiva, especialmente da comunidade de Marcos, pós-paixão, é a disputa pelo poder, o mal da ambição, “Pelo caminho vinham discutindo sobre qual era o maior” (Mc 9,34). Jesus, está ensinando os discípulos, sobre a paixão e a cruz, as dificuldades do discípulo missionário, e os mesmos discutindo, sobre quem seria o maior ou o primeiro, a disputa pelo poder. Jesus, pacientemente, vai dizer: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9,35). A ação simbólica da criança colocada no meio dos doze e acolhida com amor, simbolizava, não somente o pequeno, mas os marginalizados. Lembrando, que na cultura israelense as crianças eram criaturas insignificantes, tanto assim, que os essênios, um grupo religioso muito estimado em Israel, não aceitavam as crianças. Enfim, com esse gesto, Jesus mostra que o maior, o mais importante, não são os prestigiados, homenageados, ou os que obtinham um papel social relevante, mas os importantes são os que acolhem, solidarizam com os últimos, os sem prestígios, considerados escravos na sociedade elitista. Por isso, o discípulo missionário deve ser um servo a serviço de todos, especialmente, dos pequenos, dos pobres e excluídos da sociedade.




Estamos no Mês da Bíblia, podemos perceber como a Bíblia é atual, como a Bíblia ilumina nossa realidade social, especialmente as nossas comunidades eclesiais. Hoje refletimos sobre o símbolo do Caminho que, na Bíblia, é símbolo de Vida. A Bíblia, não deve ser lida de forma Fundamentalista, ela deve ser vivida, temos que ter a prática da meditação diária, utilizando o método da Lectia Divina.

Para refletirmos: Jesus, se fez servo em sentido pleno: até dar sua própria vida. Seus discípulos "deverão" passar pela cruz, para chegar à ressurreição, pessoal e comunitária. Então ser discípulo/a, é acolher a Jesus como o Messias servidor que enfrenta a morte para comunicar vida para todos. E nós como discípulo/a estamos seguindo o caminho do Mestre? Estamos dispostos/as a viver e servir como Jesus, até as últimas consequências?

AGENDA DO MÊS
Ø Retiro de Catequistas e Evangelizadores – Confira a Agenda de sua Região. Mais informações em sua Paróquia ou com o Coordenador da AB-C de sua Região.
Ø Região Centro I-II e Orla – 22 de setembro 8h.

Ø Formação para Evangelizadores na Mídia: Educar para o Digital – dias 14,15 e 16 de setembro, mais informações Centro de Pastoral.

Ø Mídias de nossa Comissão: visite e entre em contato!

















Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de agosto 2018 - Padre Aparecido Neres Santana


A OPÇÃO POR JESUS NÃO É NEGOCIAR.

Neste Artigo Bíblico-Catequético-Missionário, refletiremos o Evangelho de João 6,60-69. Aqui temos a conclusão do grande discurso sobre o Pão da Vida. Neste texto do Evangelho de João, fica claro que diante de Jesus e da Palavra d’Ele, o ouvinte, isto é, o verdadeiro discípulo, tem que tomar uma decisão radical. Não existe neutralidade. Está a favor de Jesus, do Reino da vida, ou contra Jesus, a favor do reino da morte. Percebe-se que a incredulidade e o abandono de muitos discípulos (6,66), e a confirmação da fé, revelada por Pedro, dos doze apóstolos (6,68), costura o texto. Jesus pede um gesto de fé: crer ou não crer nele... aceitar ou não a sua proposta.
 Com a crise, Jesus obriga os doze a tomar posição (6,67). Fica evidente a incredulidade dos discípulos que deixam a missão, e a fé dos doze, que se torna mais madura. Importante compreender, que a crise nasce por conta do discurso de Jesus sobre o “Pão da Vida”, que é praticamente todo o capítulo sexto, onde se lê – “Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: ‘Esta palavra é dura! Quem pode escutá-la’” (Jo 6,60). A crise e a divisão, não se dá aos de fora, aos judeus, mas aos de dentro, aos discípulos, isto é, o desapontamento não se limita aos judeus, envolve também os discípulos. O discurso de Jesus é duro de acatar, porque o discípulo não pode “pensar somente em si”, (Jo 6,26), na carne, só a presença do Espírito de Deus pode fazer renascer a pessoa humana, e abrir-se para novos horizontes, que é viver segundo o “Espírito”, indo ao encontro de Jesus e dos que sofrem, que é “sair de si” e caminhar como discípulos missionários. Jesus não muda a linguagem, exige fé. A fé pode ser aceita ou recusada, mas não” negociada”. 
Finalmente, podemos dizer, que esse texto, retrata a experiência da Igreja nascente, em especial da comunidade de João, com muitos dos seus membros abandonando-a, por conta da força profética da Palavra de Jesus, que exigia tomada de posição mais firme e corajosa diante das exigências do Reino. Jesus demonstra que o mais importante não é o número de pessoas, mas a coerência com o Evangelho. Chama a atenção, para as pregações que reduz a religião a mero sentimentalismo sem consequências sociais.  

Para refletirmos:

O texto nos convida a uma conversão, que nos questiona: estamos sendo verdadeiros Discípulos Missionários seguidores de Cristo? Diante do processo de implementação da Iniciação à Vida Cristã, estamos dando o melhor de nós?   

Dia Nacional do Catequista
Comemora-se, neste último Domingo de Agosto, o Dia Nacional do Catequista. Parabéns Catequistas, “Discípulos Missionários seguidores de Jesus Cristo”, força, coragem e inspirados pelo espírito, para sempre reafirmar a disposição de continuar no serviço ao Senhor. 

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Julho 2018- Padre Aparecido Neres Santana 



JESUS NOS ENSINA A REPOUSAR JUNTO DELE, NO DESERTO, ANTES DE SAIRMOS EM MISSÃO.


Neste Artigo Bíblico-Catequético-Missionário, refletiremos o Evangelho de Marcos 6,30-34, relatado, no contexto da missão confiada aos doze. Marcos 6.30 relata que os apóstolos voltaram à presença de Jesus, depois da sua primeira atividade missionária. O termo apóstolos, derivado do verbo apostellein, enviar (6.7), denota o envio e a atividade dos doze (6.12).  A missão dos doze é descrita com os mesmos termos com os quais é apresentada a missão de Jesus. Os apóstolos contam a Jesus, com alegria, tudo o que tinham feito e ensinado. Aqui são muito importantes os verbos fazer e ensinar, colocados aqui no infinitivo. O fazer está ligado ao ensino e à cura de todos os males. O ensino está ligado ao fazer. A missão dos discípulos é Ensinar, isto é, formar, orientar, guiar o povo de Deus ao Reino dos Céus, a verdadeira vida. Marcos destaca ainda, o movimento do grupo de Jesus e seus discípulos e o da multidão.
Neste contexto missionário, Jesus convida os discípulos para descansar, fazer como que um shabat, cessar, repousar: “Vinde vós sozinhos, a um lugar deserto e descansai um pouco ...e não tinham tempo nem para comer” (Mc 6,31). A atitude de Jesus é pastoral e pedagógica. Aqui é bom enfatizar a importância do descanso do discípulo-missionário, não apenas corporal, mas repousar no espírito. As tarefas e as exigências são tantas, que muitas vezes não repousamos. Isso pode atrapalhar a missão. Descansar para rezar e partilhar a missão, o repouso do espírito, onde somos alimentados pelo próprio Senhor. Os dois movimentos são importantes e de igual valor, “o envio e a volta”, o fluxo e o refluxo. A comunidade de discípulos deve estar unida e valorizar os dois momentos.
Finalmente, diante da multidão faminta da palavra e de pão, e a da urgência do Reino, Jesus sente compaixão da multidão: “porque eram como ovelhas sem pastor”. Por isso, a urgência, hoje, da comunidade de discípulos-missionários, terem esse mesmo olhar misericordioso de Jesus, para as necessidades do povo. Ademais, dentro do Ano do laicato, sermos “Sujeitos Eclesiais: Discípulos Missionários e Cidadãos do Mundo. O Reino acontece no mundo, não somente dentro da Igreja. Precisamos compreender melhor a “simbiose”, o movimento entre  Igreja e Mundo, como campo de missão, com todas as suas múltiplas variantes.     
 

   

Para refletirmos:
Como estamos nos preparando para nossos encontros catequéticos de iniciação à vida cristã?  Estamos tendo um tempo para nós mesmos, para refletirmos como está nossa caminhada, como discípulos missionários? O grupo dos catequistas, está reunindo-se para preparar os encontros?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Junho 2018 - Padre Aparecido Neres Santana


JOÃO BATISTA, O PRECURSOR DE CRISTO: “É PRECISO QUE ELE CRESÇA E EU DIMINUA” (JO 3,30).


Neste Artigo Bíblico-Catequético-Missionário, refletiremos o Evangelho de Lucas 1,57-66.80, que relata, a Natividade de São João Batista e seu ministério.   Com o nascimento de João, conclui-se o Primeiro Testamento, e abrem-se as portas do Segundo Testamento. João é o último profeta da Primeira Aliança, e o Primeiro da Segunda Aliança, isto é, ele faz a transição da Primeira à Segunda e definitiva Aliança. João Batista significa “aquele que batiza com a graça de Deus”. É um nome composto por dois nomes, João e Batista. João tem origem no hebraico, composto pela união dos elementos Yah, que significa “Javé, Deus” e hannah, que quer dizer “graça”. Significa, “Deus é gracioso, agraciado por Deus”. A graça e misericórdia de Deus, Deus perdoa”. Batista tem origem grega, que quer dizer “submergir”, “mergulhar”, e é atribuído ao significado de “o que batiza”. A narrativa do anúncio do nascimento de João Batista e marcada pela alegria. O clima, a cena principal é de alegria, de uma festa que se transmite e contagia. A alegria foi tamanha, que Zacarias, pai de João, que havia ficado mudo, confirma o nome dado por Isabel, e solta um bonito cântico, “No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus” (Lc 1,64).
O Papa Francisco destaca que a primeira vocação de João Batista, foi “preparar o povo, preparar o coração do povo, para o encontro com o Senhor”. O texto da narrativa, encerra-se com João Batista no deserto, sua morada solitária, como um “eremita”, lugar do encontro com Deus. No deserto da vida, nos arredores do Jordão, no meio da mata, ele batizava e pedia a “metanóia”, a mudança de vida, a conversão dos pecados, e a olhar para a Luz que é Jesus. João surge, talvez, no momento mais crítico, da história do povo de Israel, sob a dominação romana, e pela ausência de profetas. Finalmente, destaca-se a humildade de João Batista, que foi confundido com o Messias: “Como o povo estivesse na expectativa e todos cogitassem em seus corações se João seria o Cristo (Lc 3,15), ele diz “eu não sou digno de desatar as correia das sandálias; ele vos batizara com o Espírito Santo e com fogo” (Lc 3, 15ss). “È preciso que ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). E, Ainda, João Batista, anunciava a conversão na sua totalidade, no sentido de voltar o olhar para os pobres, pois quando perguntado sobre o que se devia fazer ‘respondia-lhes; ‘Quem tiver duas túnicas, reparta-as com aquele que não tem, e quem tiver o que comer, faça o mesmo’” (Lc 3,10ss).  
   

Para refletirmos:
Pela graça do Batismo cada um de nós é profeta. Todos os batizados têm a missão de abrir a boca como Zacarias, como João Batista, para apontar o Messias, Jesus Cristo. E nós como discípulos e missionários seguidores de Jesus, estamos destravando a nossa boca, anunciando a Palavra de Deus, sendo profetas da Boa Notícia?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Maio 2018 - Padre Aparecido Neres Santana


COMO JESUS INAUGUROU A CATOLICIDADE DA IGREJA:  ENVIOU SEUS DISCÍPULOS “IDE E FAZEI DISCÍPULOS MEUS TODOS OS POVOS, BATIZANDO-OS EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO”.

Neste Artigo Bíblico-Catequético refletiremos o Evangelho de Mateus 28, 16-20. Cada ano, após Pentecostes, desde o século XIV, celebramos a festa da Trindade Santa: a festa de Deus, o Deus único e Trino, o Deus em pessoas. De fato, Deus é relação e comunhão com a sua criação, conosco. Estamos diante de um texto cristológico e eclesiológico, pós-pascal. O texto inicia-se com o lugar indicado por Jesus, na Galiléia, sobre o monte. “Galiléia” significa mais do que o local geográfico! Lugar do início da vida pública (Mt 4,23ss), lugar da missão de Jesus, onde ele serviu os pobres e marginalizados do império romano. O monte é o lugar onde se revela o Deus da vida (Ex 3,1ss). Esse texto, tem três partes bem delimitadas. Primeira: Jesus declara solenemente que o Pai lhe deu um poder ilimitado e universal Jesus se aproximou e lhe disse: Foi me dado por Deus todo poder no céu e na terra” (Mt 28,18). Segunda: há uma ordem explícita, que tem como objetivo a missão da Igreja no mundo: “Ide e fazei discípulos todos os povos...” (Mt 28,19).  Terceira: há uma palavra de promessa, que assegura sua presença entre os discípulos “E eu estarei convosco para sempre, até o fim do mundo” (Mt 28,20).
   A centralidade do texto está, no mandato missionário. Continuar a missão de Jesus, passando a responsabilidade, para a Igreja, a comunidade dos discípulos. A missão é Católica, isto é, Universal. É permanente, para disseminar o Reino de Deus, para que todas as culturas, raças, etnias, cheguem ao conhecimento da verdadeira face de Deus. Assim, Mateus, mostra que a Igreja é missionária pela sua natureza. A missão vem por primeiro: a Igreja nasce da missão. E, uma Igreja, que nãé missionária, mas estagnada, acomodada, está traindo a sua natureza e identidade. Não existe outra alternativa. Missão nãé proselitismo, nãésimplesmente, angariar novos adeptos para a Igreja, mas é continuar a missão de Jesus, cuja mensagem tem como foco a chegada do Reino de Deus. Portanto, somos chamados a sairmos dos limites visíveis das nossas comunidades, em um diálogo profético com todas as pessoas de boa vontade, e assim colaboremos com a vinda do Reino de Deus. Ser profeta hoje, é ser discípulos-missionários do Deus da Vida, curando e libertando as pessoas de todos os males.



Para refletirmos: No Evangelho destaca-se o mandato missionário de Jesus: “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos...” Mt 19). O Documento 107 da CNBB, com o título “Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para formar discípulos missionários”, nos dá orientações para a missão. Será que estamos sendo missionários, catequizando, formando, discípulos missionários como pede Jesus?
Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Abril 2018 - Padre Aparecido Neres Santana



JESUS, O BOM PASTOR, QUE DÁ A VIDA PELAS SUAS OVELHAS.


Neste Artigo, Catequético Bíblico-Missionário, refletiremos o Evangelho de São João, 10, 11-18, do 4° domingo da Páscoa, tempo do ressuscitado. É dentro deste contexto, que a comunidade joanina, entende que Jesus é O Bom Pastor, instruindo, curando, perdoando e acolhendo o povo em geral, principalmente os pobres e excluídos. No tempo de Jesus, os pastores estavam presentes por a toda parte na Palestina. Eram uma figura vastamente conhecida, em especial pelo povo camponês. Por conta da identidade que tinham com as ovelhas, muitas vezes estas, ficavam não no redil, mas dentro da casa, junto com a família.
Com a afirmação de Jesus - “Eu sou o bom Pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,1), João aponta para o centro da perícope. A tradução melhor seria - Eu sou o “pastor verdadeiro”. A forma “Eu sou”, não indica uma simples revelação, mas uma promessa e um compromisso. Dê um lado o Cristo é o único e exclusivo pastor, e do outro, “o mercenário, que não é pastor” (Jo 10,12), os chefes judaicos, sobretudo os religiosos, que são os falsos pastores. João aponta porque diferentemente do mercenário, Jesus dá a vida pelas ovelhas, “Ninguém tem maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). O amor de Cristo-Pastor, não tem limites e não faz distinção entre (vv. 16-17), judeus e pagãos que são co-envolvidos no mesmo amor. Na universalidade da salvação. Jesus dá a vida por sí mesmo, com plena liberdade. Apesar dos poderes, político, econômico e especialmente o religioso, assassinarem Jesus, a ação é toda de Jesus. Ele se entrega totalmente na radicalidade, com plena liberdade, despojando-se de tudo, da condição humana, e mesmo sendo divino, não se apegou nem mesmo a essa condição. Isto faz com que, o que está sendo julgado e condenado, apesar da morte na cruz, não é Jesus, mas sim os seus algozes. A morte de Jesus é salvífica, livre, gesto do amor maior, em obediência ao Pai. Portanto, todas as pessoas devem reencontrar-se em um só rebanho, em torno de um só pastor. Não é um só redil, mas um só pastor e um só rebanho. Ao chamar as ovelhas pelo nome, faz com que elas “saiam”, faz com que elas façam um êxodo, do redil às pastagem abertas, à liberdade, à vida plena. “Saída missionária” em busca das ovelhas.

Para refletirmos:E nós como discípulos missionários, seguidores de Jesus, estamos acolhendo bem os que chegam a nossa Comunidade?
E como catequistas evangelizadores, estamos indo atrás de nossos catequizandos, quando eles, recebem a 1ª Eucaristia e não voltam mais, ficando fora do rebanho, deixando de buscar a Cristo?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de março de 2018 - Padre Aparecido Neres Santana


DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR: MORTE-RESSURREIÇÃO DE
CRISTO
Neste domingo de Ramos, também chamado Domingo da Paixão do Senhor, temos dois textos tirados do Evangelho, escrito por Marcos, que nos preparam a vivenciarmos a Semana Santa, a qual nos faz recordar, o evento central e fundante da nossa vida cristã: a Morte-Ressurreição de Cristo; é neste contexto, nos dois textos, de Marcos, 11, 1-10 e 15, 1-39, que vamos refletir o caminho de cruz, de ontem e de hoje. O paradoxo dessa solenidade se expressa através da contradição da multidão que, por momentos, aclama (Mc 11,9-10) o Cristo como rei, com ramos nas mãos, e por outro, grita pedindo que o (Mc 15,13-14) crucifiquem como a um bandido. Mais uma vez, isso faz parte da nossa realidade humana.
A Solenidade de Ramos tem origem na festa judaica das Tendas ou dos Tabernáculos, onde os judeus, no mês de setembro, faziam grandes procissões com os ramos nas mãos no intuito de celebrar o fim das colheitas e para se lembrarem da estadia dos Israelitas por 40 anos no deserto. A entrada triunfal em Jerusalém, não é feita numa carruagem ladeada por soldados, guardas, fortemente armados, mas montando um jumentinho, transporte dos pobres, ladeado pelo povo simples, os desvalidos. É o confronto entre o poder imperial e Jesus, defensor dos pobres de Javé. Com esta ação simbólica, Jesus apresenta-se a cidade de Jerusalém como o Messias, o enviado de Deus, portador da paz e salvação.
O texto bíblico, de Mc 15, 1-39, descreve o processo do julgamento de Jesus, o servo justo, o mártir fiel, o servo sofredor, remete à imagem do “terceiro canto do servo” em Isaías (cf. Is, 50, 4-9), defensor dos pobres, que foi assassinado, pelos que detinham o poder, político, econômico e religioso, representados pelas autoridades judaicas e pelo governador romano, Pôncio Pilatos. A centralidade deste Evangelho está na proclamação de que Jesus é o Filho de Deus: à pergunta de Caifás, o sumo sacerdote – “ES tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?” (Mc 14, 61), a resposta de Jesus – ‘Eu sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do poderoso...” (Mc 14,62). Esta é a compreensão dos discípulos, que apesar do aparente fracasso da morte violenta de Jesus, e da humilhação da cruz, nasce a esperança, da ressurreição. Da derrota nasce a força do amor fiel do Pai em Jesus, e alimenta a missão dos discípulos, a retomada da caminhada!
Ademais, faz necessário enfatizar, que a morte de Jesus, apesar da violência praticada, teologicamente, Jesus a transforma em vitória, porque entrega sua vida para a salvação de todos. Não são eles que tiram, mas, Jesus a entrega. E, mais, a sua paixão, seu sofrimento e a sua morte, os fazem tomar consciência que, através de Jesus, Deus se solidariza conosco, com as nossas paixões, com os nossos sofrimentos e mortes.
Para refletirmos: A Paixão de Cristo continua ainda hoje, sob nossos olhos, da mesma forma que a sua Ressurreição... Qual é nosso papel, como Leigos e Leigas na sociedade e na Igreja, diante desta entrega de Jesus na cruz? Quais são hoje as cruzes as mortes

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Vem aí a Semana Catequética - Tema: Iniciação à Vida Cristã – Formação para Discípulos(as) Missionários.

Artigo de Fevereiro 2018 - Padre Aparecido Neres Santana

 JESUS TRANSFIGURADO: PRESENÇA LIBERTADORA ENTRE NÓS. 

Neste, Artigo Bíblico-Catequético, refletiremos o Evangelho de Jesus, em Marcos 9, 2-10, que corresponde ao 2º Domingo da Quaresma, é um texto mais conhecido como a transfiguração de Jesus no monte. Este relato da transfiguração no monte, dentro de uma leitura pós-pascal, faz parte das instruções após o primeiro anúncio da paixão. Com o anúncio da paixão, os Apóstolos entram em crise de fé. “Pedro, chamando-o de lado, começou a recrimina-lo” (cf. Mc 8,32). Para os judeus, ser pendurado numa árvore, ter o corpo exposto de forma humilhante, como malfeitor era um escanda-lo. A pessoa condenada era visto como maldita de Deus (cf. Dt 21, 22-23). A crise é a dificuldade em aceitar Jesus como o Messias, o Filho de Deus, que foi pregado na Cruz.
 Dentro desse ambiente de crise, Jesus leva consigo ao Monte, os três discípulos, Pedro, João e Tiago. Os três, representam, os apóstolos e a comunidade primitiva. A cena da transfiguração segue o esquema das teofanias bíblicas, com várias realidades do mundo celeste, como – vestes brancas, luminosidade, a nuvem e a voz. As vestes brancas e resplandecentes, são um sinal do mundo divino, de alegria e vitória (cf. Ap 3,4; Mc 16,4). A nuvem é um dos símbolos na Bíblia para falar da presença de Deus (cf. Êx 16,10). A luminosidade, a luz, símbolo da fé em Jesus ressuscitado. A voz,este é o meu Filho amado; ouvi-o” (Mc 9,7); como no batismo de Jesus, “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo” (Mc 1,11) é a razão da manifestação no monte, é o Pai confirmando para os discípulos a missão do Filho. Trata-se de acolher as palavras de Jesus, na vida dos discípulos e da comunidade.
 E ainda, a presença de Elias e Moisés, representantes maiores do Primeiro Testamento: Elias, simboliza o profetismo e Moises, que também subiu no monte Sinai, (Êx 19,18), simboliza, não somente o Êxodo, mas o Pentateuco (os 5 primeiros livros), a Torá, toda Lei. A conclusão do texto Bíblico é clara, Jesus, simboliza, não só Elias e Moisés, mas toda a Sagrada Escritura. Por isso, não podemos ficar somente no monte, temos que descer da montanha, isto é, como discípulos-missionários, temos que sair dos templos e irmos ao encontro dos irmãos, nas ruas, casas, especialmente nas periferias sócias e humanas, pra encontramos com o Cristo da cruz (cf. (Mt 25, 31ss).         






Para refletirmos: Do deserto nós subimos ao monte. O monte hoje, são as comunidades eclesiais, as Igrejas, os lugares de orações. O monte pode ser ainda o seu coração. O monte é o lugar da nossa transfiguração: para podermos ajudar a mudar o mundo da dor, e sofrimento, para o mundo de vida e de esperança. Será que estamos nos transfigurando para melhor? Estamos transfigurando a nossa catequese, em uma catequese viva, alegre e acolhedora? Diante de tantas provações, será que realmente estamos nos preparando neste tempo quaresmal para uma conversão pastoral e pessoal em nossas Vidas que nos leve a uma verdadeira Transfiguração?

AGENDA DO MÊS
Ø  Semana Catequética -  Tema: Iniciação à Vida Cristã – Formação para Discípulos(as) Missionários(as).

Artigo de Janeiro de 2018 - Padre Aparecido Neres Santana

O Discípulo-missionário anuncia Jesus, Palavra que liberta de todos os males.

Neste primeiro Artigo Bíblico-Catequético de 2018 (no contexto do Ano do Laicato), refletiremos o 4º Domingo do Tempo Comum, do Evangelho de Marcos 1,21-28. (Nota: No ano de 2017, refletimos mensalmente o Evangelho do 3º Domingo do mês, já em 2018, refletiremos o 4º Domingo). O ambiente desta perícope é a Sinagoga de Cafarnaum, cidadezinha à beira do Lago da Galileia, onde Pedro pôde hospedar Jesus em sua casa (Mc, 1,29). A primeira ação desse dia, e o primeiro milagre no Evangelho de Marcos, é a cura de um endemoninhado. São dois aspectos centrais neste texto: primeiro, Jesus ensina com autoridade; segundo, com a libertação de um endemoninhado, Ele dá início ao seu projeto de libertação. Aqui há uma diferença entre o ensinamento de Jesus e dos escribas: “Ele ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mc 1,22). Os escribas ensinavam baseados apenas na Lei escrita e normas religiosas, alicerçadas no “puro/impuro”. Era a religião da pureza ritual “espírito impuro” (Mc 1,23). Jesus, pelo contrário, enfoca outra legitimidade com uma prática nova, onde mais importante é a misericórdia, a libertação da pessoa de todos os “males”, de toda escravidão, dominação e da alienação. A figura do demônio no mundo antigo era a ‘fonte’ dos males físicos, das desgraças e doenças. Podemos notar que Evangelho e o próprio Jesus não se interessam por satanás, enquanto personagem em si, mas à medida que atrapalha a realização do Reino. O “tempo Messiânico” é o tempo da vitória sobre satanás, isto é, sobre todo mal que assola e destrói a vida humana. Teologicamente é bom esclarecer que o Monoteísmo não tolera seres “concorrentes” ao lado de Deus, como diz a canção popular: “Na casa de Senhor não existe satanás”. Ademais, até satanás reconhece que Jesus é o Messias: “Sei quem tu és; o Santo de Deus” (Mc 1,24). Porém, não basta reconhecer Jesus, é preciso vivenciá-Lo na defesa da vida de forma concreta. Nota-se que a autoridade de Jesus advém da força do seu anúncio. Só a palavra de Jesus, sem mediações “mágicas” e rituais, liberta a pessoa do poder demoníaco e o reintegra à sua dignidade humana. Portanto, mais do que ficarmos admirados, extasiados com os milagres de Jesus, Marcos quer que a sua comunidade, (e hoje) fique atenta à Palavra, mesmo quando ela for menos empolgante. A religião não deve ser espetaculosa, mágica, mas de entusiasmo missionário, na defesa da vida ferida e machucada.
Para refletirmos: No texto de hoje, vimos que Jesus ensina com autoridade, fala com autoridade porque Vive o que fala. E nós, como leigos/as discípulos/as missionários/as do Pai, estamos ouvindo a Palavra e colocando-a em prática com o nosso Testemunho de Vida? Vem aí a Semana Catequética - Tema: Iniciação à Vida Cristã – Formação para Discípulos(as) Missionários.

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C


Vem aí a Semana Catequética - Tema: Iniciação à Vida Cristã – Formação para Discípulos(as) Missionários.

Artigo de Dezembro 2017 - Padre Aparecido Neres Santana

O DISCÍPULO MISSIONÁRIO, COMO JOÃO BATISTA, É A TESTEMUNHA DE JESUS.



Estamos no Início do Ano Litúrgico B, do Evangelista São Marcos. Neste Artigo Bíblico-Catequético, refletiremos o Evangelho de João 1,6-8.19-28. O Terceiro Domingo do Advento é o Domingo da Alegria “Domingo Gaudete”, um tempo de vigiar, de orar, de voltar mais para a Palavra de Deus, em que todos são chamados a viver a alegria da proximidade do nascimento do Verbo de Deus, que assumiu a nossa humanidade. Esse texto está inserido no Prólogo do Evangelho de São João, no sentido de esclarecer, à Comunidade Joanina, de que a verdadeira Luz é Jesus: “João não era a luz” (Jo 1,8a). Portanto, não era o Messias: “Eu não sou o Messias” (Jo 1,20b). Nos Evangelhos Sinóticos, isto é, nos três primeiros Evangelhos, João Batista é apresentado como “o precursor”. No Evangelho de São João, o Batista é apresentado como Testemunha de Jesus. A missão central de João é, portanto, o Testemunho. O Batista é aquele que vê e sabe quem é Jesus, e O anuncia, suscitando discípulos para Cristo. O ver não é somente um ver físico (os judeus viram, mas não acreditaram), mas um ver que reconhece Jesus como o Filho de Deus, o Messias ou Cristo e passa a testemunhá-lo como um discípulo. João Batista anuncia não um messias vindouro, mas um Messias que está no meio de nós. Não é tempo de esperar, mas de testemunhar, e apontar para O Cristo, que já se encontra especialmente nos pobres e sofredores (cf. Mt 25, 31-44). Numa sociedade discriminadora, onde a religião estava de certa forma submetida ao Império Romano, já não havia mais profetas. João Batista, se define, dizendo: “Eu sou a voz que grita no deserto... Aplainai o caminho do Senhor”’ (Jo, 1,23). Portanto, a missão do discípulo missionário é ser profeta da vida, ser testemunha do Reino, apontando para Jesus. Os cristãos devem ser os verdadeiros profetas. Segundo Isaías, o verdadeiro profeta é aquele que restaura a Justiça de Deus em favor dos pobres, dos pequenos, dos excluídos e dos feridos pela Vida (cf. Is 61, 1-11). De acordo com São João, o verdadeiro profeta é também aquele que é o mensageiro, o porta-voz de Deus, que testemunha o Cristo como Luz.


Para refletirmos: Como o Batista, nós também somos chamados para sermos testemunhas de Cristo, na construção do Reino de Deus. Chamados a sermos discípulos e discípulas missionários (as) de uma nova esperança. Dentro do processo de Iniciação à Vida Cristã, estamos sendo os Introdutores dos irmãos e irmãs que estão afastados da Comunidade?

Padre Aparecido Neres Santana, Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C Diocese de Santos/SP. 

Artigo de Novembro 2017 do Padre Aparecido Neres Santana 


O DISCÍPULO MISSIONÁRIO MULTIPLICA OS TALENTOS RECEBIDOS
Neste artigo Bíblico-Catequético, do 33º Domingo do Tempo Comum, refletiremos o Evangelho de Mateus 25,14-30.  Estamos no penúltimo domingo do Ano Litúrgico A, de São Mateus. Façamos algumas indagações a este texto, ou mais especificamente à comunidade de Mateus: por que este último servo enterrou o talento recebido? Porque o medo? Porque a comunidade de Mateus fez essa reflexão? A centralidade da parábola está no terceiro servo infiel, já que, os dois primeiros servos, dobraram os talentos recebidos, fazem parte do Reino, e compreenderam a dinâmica da missão. Mas o que recebeu e enterrou o único talento (um talento equivale aproximadamente a 34 quilos de ouro), não produzindo nada! Apenas conservou o que lhe foi confiado. Este recebe a condenação, mas também toda atenção do patrão, pois, o servo inútil é jogado fora, para que possa sair e produzir frutos, é a chance de voltar a participar do banquete do Reino. Ele ainda tem salvação.
 Certamente com a partida do patrão, isto é, após a ressurreição de Jesus, houve acomodamento de muitos discípulos, na expectativa da volta eminente de Jesus. Esses servos inoperantes são certamente os fiéis observantes da Lei Mosaica, que fechados no seu rigorismo, com uma mentalidade mesquinha, rejeitaram o Messias, mostrando-se assim servos infiéis.
No contexto da comunidade primitiva de Mateus o Talento é a fé Pascal no Ressuscitado dada aos discípulos. A finalidade da parábola e exortar a comunidade a viver o presente na fidelidade e com empenho. O cristão que observa simplesmente preceitos, leis, regras, torna-se infrutífero, caminha sempre na mesma trilha, com medo de errar. Não é quente nem frio, como fala o Anjo para a Igreja em Laudicéia “Conheço atua conduta: não és frio nem quente. Oxalá fosse frio ou quente, estou para te vomitar de minha boca” (Ap 3, 15-16).  Ao contrário, o servo que sai do conforto dos templos, para a missão, vai para as ruas, casas, esquinas, enfrentando doto tipo de desafios, que assumi riscos! Esse vê seus talentos multiplicarem e encontra sentido para a viva em Cristo. Aqui está a conversão pessoal e pastoral do discípulo.    




Para refletirmos: No texto de hoje está bem claro: o que Cristo nos quer fazer entender, é que nós não devemos ter medo da nossa fé. A fé ousa o que nunca acreditamos ser possível. Acreditar é ousar. Acreditar e ousar, que podemos implantar o Novo Método Catequético de Inspiração Catecumenal. Uma catequese mais, dinâmica, vibrante, acolhedora e participativa, sem medo.

Artigo de Outubro de 2017 do Padre Aparecido Neres Santana

O DISCIPULO MISSIONÁRIO NA FESTA DO REINO


Neste Artigo Catequético Bíblico-Missionário, refletiremos sobre o Evangelho de Mateus 22,1-14, do 28° Domingo do Tempo Comum. A centralidade deste texto nosabre horizontes e ajuda-nos a compreender a universalidade da Salvação. A festa, o banquete é para todos. Talvez a comunidade de Mateus, estivesse refletindo a Profecia de Isaias, que diz: “O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos um banquete...” (Is 25,6). O banquete é sinal do Reino, da abundancia, de festa e de alegria. A parábola indica que os convidados para participarem do Banquete do Reino em primeiro lugar, são os que pertencem ao povo escolhido, os judeus. No Evangelho de Marcos, uma mulher grega, isto é, pagã, implora a cura da sua filha, e Jesus diz: “Deixa que primeiro os filhos se saciem porque não é bom tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos” (Mc 7,27). Contudo, apesar destra “primazia”, os “convidados de direito, os judeus” não aceitam o convite, isto é, não aceitam Jesus, como Filho de Deus, o Messias!
A festa porém tem que continuar, então o convite é estendido a todos os povos, aos gentios, aqueles que viviam à margem, maus e bons. Este convite feito ao longo da história, primeiramente ao povo de Deus, através dos Juízes e Profetas, está bem caracterizado na parábola, como sendo os servos enviados, e que são recusados. Deus, porém, nunca desiste do seu povo. Por fim, envia seu Filho, na parábola representado pelo noivo, (típica linguagem do profetismo, em especial Oséias: “Eu te desposarei a mim para sempre... no direito, no amor e na ternura... na fidelidade” 2, 21-22). Deus, em Jesus, realiza em definitivo a nova e aliança. Aceitar, participar do banquete é ter vida. Recusar é a morte, que é ficar fora da festa do Reino, o Banquete nupcial
Continuando a parábola, temos ainda, os que aceitaram participar da festa, mas não estavam vestidos apropriadamente para a mesma, e são repreendidos. O traje de festa, é a aceitação de Jesus como Salvador. As vestes festivas, são a justiça, o amor e a misericórdia, que levam à vida. Fica claro pois, que não basta apenas, receber os sacramentos, participar da Igreja e da comunidade, para entrar na festa, no Reino de Deus. É preciso também assumir o caminho do discipulado, isto é, tornar-se um evangelizador! 


Para refletir: A Comunidade de Mateus, assim como a nossa hoje, deve enfrentar esse conflito ético e estético comunitário. A nossa Catequese de Iniciação à Vida Cristã, passa por mudanças de época, uma nova reestruturação. Temos realmente assumido esse compromisso? Como estou respondendo ao novo método catequético? Qual o meu traje de festa, em minha catequese, e junto à minha Comunidade?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de setembro 2017 - Padre Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C da Diocese de Santos



DEUS EM SUA INFINITA MISERICORDIA PERDOA SEMPRE O DISCÍPULO MISSIONÁRIO TAMBÉM



Neste Artigo Bíblico-Catequético, do 24º Domingo do Tempo Comum, refletiremos o Evangelho de São Mateus 18,21-35, que, nos faz pensar muito sobre a misericórdia Divina. Nos versos 18, 21-22, ao falar do Reino do Céus, Jesus aponta para a necessidade de perdão. O Enfoque de Mateus é propor a experiência do perdão e da reconciliação no interior da sua Comunidade. A pergunta de Pedro a Jesus é pertinente e já mostra um avanço; “Senhor, quantas vezes devo perdoar... Até sete vezes?” (Mt 18,21). A palavra de Jesus originalmente foi construída sobre o simbolismo do número sete, que no judaísmo, expressava a perfeição divina, a ilimitação. Mateus, aqui joga com o exagero (superlativo): “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18,22). Assim faz um paralelo com o texto de Gn 4,24, onde se lê – “É que Caim é vingado sete vezes, mas Lamec, setenta e sete vezes!”. Assim esse número de vezes, não deve ser entendido literalmente, mas para que fique evidente que o cristão, o discípulo missionário, não imponha limites ao perdão.
Já os versículos 18, 23-35, apresentam um Rei generoso que perdoa a dívida impagável de seu empregado (174 toneladas de ouro!), e o mesmo, não consegue perdoar a pequena dívida de seu companheiro (30 gramas de ouro), mandando-o para a prisão. “Vendo o que havia acontecido, os outros empregados... procuraram o patrão e contaram tudo. O patrão mandou chama-lo e disse... Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive de ti?” Salta aos olhos, no texto bíblico, que esse patrão generoso é Deus, que ao perdoar o empregado, devolveu-lhe novamente a vida. Mas este mesmo patrão, não aceita que o empregado, não perdoe também o seu irmão. Deus perdoa até as “entranhas”, na totalidade, como se a pessoa nunca tivesse pecado (parábola do “filho prodigo” -  cf. Lc 1511-31).  É, como rezamos o Pai Nosso - “E perdoa-nos as nossas dívidas como também nós perdoamos aos nossos devedores (Mt 6,12). Diz o papa Francisco – “A pessoas que se recusaram a perdoar os outros, acabaram doentes ou paralisadas, sem que nada funcione na sua vida. Você sabe que a falta de perdão pode causar doenças terríveis em nós?”

Para refletirmos: No texto de hoje, Jesus nos fala do Perdão, que devemos perdoar sempre, até os inimigos: “Eu, porém vós digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vós perseguem (Mt 5,44). Por que é tão difícil perdoar? Na nossa comunidade existe espaço para o perdão e a reconciliação? De que maneira?






AGENDA DO MÊS
Ø  Retiro de Catequistas e Evangelizadores – Confira a Agenda de sua Região. Mais informações em sua Paróquia ou com o Coordenador da AB-C de sua Região.
Ø  Mídias de nossa Comissão: visite e entre em contato!

 

Artigo de agosto de 2017 - Padre Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C da Diocese de Santos

MAGNIFICAT: O CÂNTICO DE MARIA, A HUMILDE SERVIDORA DE DEUS, MISSIONÁRIA ENTRE OS POBRES.


Neste Artigo, Bíblico-Catequético Missionário, de agosto, mês Vocacional, refletiremos a passagem do Evangelho de São Lucas 1, 39-56. Podemos também, vinculá-lo a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, vindo de encontro ao “Ano Nacional Jubilar Mariano”, comemorativo aos 300 anos, do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida, nas águas do Rio Paraíba, por pescadores, a qual dá o nome a cidade de Aparecida. Esta perícope, apesar de ser considerada uma unidade, tem duas partes. Primeiramente, a da visitação: “Maria pôs se a caminho... a uma cidade de Judá. ...Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?” (Lc1, 39-43). Estes versículos referentes a visitação são importantes, porque indicam que os discípulos(as), a exemplo da Mae Maria, devem visitar as famílias. É a Igreja visitando as casas. A atitude de Maria aponta que a Igreja nasceu da missão e tem que estar em missão permanente. Na sequência do texto em Lc 44, é lindo e de significado ímpar, ver o encontro das duas mães: Maria e Isabel, respectivamente com os dois Filhos, dois Profetas, o Precursor e o Salvador. Isabel e João, representando o Antigo Testamento, Maria e Jesus, o Novo Testamento. Com uma diferença, que em Jesus se encontra a síntese de toda a Sagrada Escritura, a realização da promessa salvífica. Assim, é importante fazermos um paralelo, entre o encontro das duas mães, e outro encontro, o do Rei Davi com a Arca da Aliança. Nas narrativas dos dois encontros, há a alegria e o grito! “Isabel Com um grande grito exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres... Donde me vem a mãe do meu Senhor me visite? (Lc 1, 42-43); “Davi exclama: ‘Como virá a Arca de Iahweh para ficar na minha casa?’” (2Sm 6,9). Maria, com Jesus no ventre é a portadora da nova Arca da Aliança. A segunda parte, Maria pronuncia o “Magnificat” (Lc 47-53), Cântico lírico de agradecimento, cujo o paralelo encontramos, no Cântico de Ana – “O meu coração exulta em Iahweh... O arco dos poderosos é quebrado... Levanta do pó o fraco” ... (1Sm 2, 1-10). Maria mostra-nos o agir de Deus na História. Que Deus está ao lado dos oprimidos e desprezados. Esse Cântico demostra toda a esperança messiânica. Mostra ainda, que os que aderem ao Projeto de Jesus, não são os orgulhosos, os poderosos e nem os ricos. Mas sim, os humildes, os pobres e famintos, que coincidem com todos aqueles que confiam em Deus e na sua Providência. Para refletirmos: No texto de hoje, Maria nos ensina a seguir Jesus, anunciando o Deus da Vida, da Compaixão e de Misericórdia, trabalhando pôr um mundo mais fraterno, justo e solidário! E nós? Estamos seguindo o exemplo de Maria, no serviço ao próximo, acolhendo com simplicidade, aos mais pequeninos, em nossa vida pessoal e comunitária?

AGENDA DO MÊS
  • Retiro de Catequistas e Evangelizadores – Confira a Agenda de sua Região.
  • Encontro Diocesano de Formação Bíblica da AB-C: 30/8 (Quarta-feira), das 14h às 17h – Local: Paróquia Sagrado Coração de Jesus. Assessoria do Padre Aparecido Neres Santana.
Mais informações em sua Paróquia ou com o Coordenador da AB-C de sua Região.

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C da Diocese de Santos

Artigo de julho de 2017 Padre Aparecido Neres Santana

JESUS É O SEMEADOR, O DISCÍPULO MISSIONÁRIO, 
A BOA SEMENTE

Neste Artigo Bíblico-Catequético refletiremos sobre o Evangelho de São Mateus 13, 1-23 do 15° Domingo do Tempo Comum. No capítulo 13 de Mateus narra sete parábolas. Parábola vem do grego, parabolê, verbete formado por duas palavras, que são: Pará, cujo significado é “ao lado de”, “ao longo de” e “para além de” e bolê, que significa, “jogar” “lançar”. Portanto, parábola sinaliza algo além, provoca uma busca de algo mais profundo. Ademais, as parábolas sobre o Reino, formam o terceiro discurso mais importante no Evangelho de São Mateus. Com os relatos parabólicos, Jesus pretendia explicar o tema fundamental de sua pregação, isto é, a vinda do Reino de Deus na sua pessoa e ações. As parábolas, são dirigidas para as multidões, para as pessoas simples. É por isso, que Jesus as elabora, a partir da natureza, e de elementos do cotidiano, daquelas pessoas, que provinham, na sua maioria, de uma sociedade campesina. Esta primeira parábola, a do Semeador, compara três espécies de sementes que se perderam, com uma espécie de semente fértil. As sementes se perderam porque caíram em solos ruins, isto é, à beira do caminho (v.4), em lugares pedregosos (v.5) e entre os espinhos (v.7). Mas a semente que caiu em terra boa (v.8), deu frutos. Jesus quer assim frisar, que não obstante o repetido insucesso, existe uma semente que produz fruto abundante. O semeador que espalha generosamente as sementes é o próprio Jesus. As sementes boas são os discípulos, os de casa (V.1), que aceitaram a Palavra - Aqui estamos no coração desta parábola, que é a aceitação, ou não, do Reino dos Céus. Os que compreendem a Palavra (discípulos), e os que não compreendem, ou não querem compreender esta Palavra (Fariseus, Escribas e doutores da Lei, que tinham influência sobre as multidões). Três sementes perdidas e uma frutífera. Isto mostra a dificuldade encontrada por Jesus e os discípulos no anúncio do Reino de Deus. Embora a missão tenha sofrido um duro golpe - como os discípulos que abandonaram a missão (cf. Jo 60-71) - e por conta também das perseguições, riquezas (cf. Mc 10, 17-27), ou outras razões, Jesus quer recuperar a confiança do semeador e a força da semente. A parábola do semeador, portanto, é uma advertência aos cristãos, preguiçosos e frios, que desanimam na missão, porque não conseguem frutos rapidamente. O semeador sai para semear, mas não volta para colher, porque quem colhe é Deus. Para refletirmos: O texto de hoje, mostra que nós somos ‘os de casa’ (Discípulos). Por isso, antes de sairmos como discípulos missionários ao encontro das multidões (‘os de fora’), lançando as sementes do Reino, temos que trabalhar dentro de nós, e na comunidade, para alcançar, a ‘conversão pessoal e pastoral’. Portanto, será que estamos nos fazendo presentes no meio da sociedade, no encontro com o outro, semeando o amor de Jesus nos corações das pessoas? Ou somos cristãos somente dentro da Igreja e no salão paroquial?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo do Padre Aparecido Neres Santana de junho de 2017. Diocese de Santos

Comunidade de Discípulos Missionários 


No dia 11 de junho, celebramos o Domingo da Santíssima Trindade. A Liturgia agora nos propõe a vida em Comunidade, para juntos sermos enviados em Missão. Para compreendermos melhor a Palavra de Deus que nos é apresentada será necessário situá-la no contexto do Evangelho de Mateus 9,36—10,8, referente ao 11º Domingo do Tempo Comum. O chamado de Jesus nasce da compaixão pelo povo sofrido, do “ver”, do “olhar” e do “sentir” no fundo da alma o grito do irmão pela vida: “Ao ver a multidão teve compaixão dela, porque estava cansada e abatida como ovelhas sem pastor” (Mt 9,36). Quem chama e envia para a missão é o próprio Deus, como intercede Moisés ao Senhor: “... para que a comunidade de Iahweh não seja como um rebanho sem pastor” (Nm 27,17). Quando lemos sobre Jesus, ao enviar os doze (o envio Apostólico), chama-nos a atenção o número 12, que não parece ser casual! Recorda-nos os doze filhos de Jacó (que originaram as doze tribos de Israel), significando que toda a história do Povo de Deus se realiza em Jesus. Os Apóstolos são chamados, recebem a investidura e são enviados (Apóstolos quer dizer “enviado”). São Mateus estabelece uma linha de continuidade entre a missão de Jesus e a dos Apóstolos. A prática missionária dos Apóstolos é a mesma de Jesus ao ser reconhecido como o Messias pelos discípulos de João Batista: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam as vistas os surdos ouvem...” (Mt 11,4), que são os sinais do Reino de Deus. A missão de Jesus é a missão dos Apóstolos, a pratica de Jesus é a prática dos Apóstolos. Um terceiro elemento no texto é a Gratuidade, no sentido de entrega total à missão, sem outras preocupações, que não a do amor a Deus e ao irmão. Portanto, os doze Apóstolos simbolizam todos nós (12 é ainda o número da plenitude). O cristão não pode eximir-se do ser missionário. A missão é uma realidade da qual a Igreja não pode se omitir, pois, por natureza, ela é missionária. A Igreja nasce da Missão. Como diz o Papa Francisco: “Não deixemos que roubem nosso entusiasmo missionário”. E ainda, com o testemunho da paixão missionária de Santa Terezinha: “Gostaria de plantar a Cruz de Cristo nos cinco continentes. Visto que não posso, eu serei missionária pela oração e sacrifício”.
Para refletir: Perguntemo-nos: pessoal e comunitariamente estamos nos sentindo discípulos missionários? Tenho “alma missionária”? Ao catequizar, evangelizar, procuro “fazer” discípulos missionários, atendendo ao apelo do Papa Francisco para sermos “Igreja em “saída”?


Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de Maio de 2017 - Pe. Aparecido Neres Santana, CSS

VIVER O MANDAMENTO DO AMOR, OBRA DO ESPÍRITO SANTO, NA VIDA DO DISCÍPULO MISSIONÁRIO.

Neste Artigo, Catequético Bíblico-Missionário, refletiremos sobre o Evangelho de São João, 14, 15-21, do 6° domingo da Páscoa. A centralidade do texto, está na vivencia dos mandamentos, especialmente o do Amor, além do anúncio feito pelo Senhor de enviar o Espírito Santo Paráclito. Jesus fala do “Àgape”, do Amor incondicional, do amor-caridade, “Se me amais, guardareis os meus mandamentos... e ele vós dará um outro Defensor” (Jo 14,15), o Paráclito, que em grego significa: aquele que defende, que auxilia, que infunde animo. Este trecho, encontra-se no contexto de despedida de Jesus, na Última Ceia. Ele volta para junto do Pai, mas os discípulos não ficarão órfãos, “Ainda um pouco e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis” (Jo 14,19). Aqui está implícita, a continuidade da Sua Missão pelos discípulos (a Igreja, que somos todos nós).
No contexto sócio-político, econômico e religioso em que viviam os discípulos, e das primeiras comunidades, era de exploração e perseguição em todos os níveis. Dentro desse cenário é que se compreende que o Paráclito, o Defensor, que Jesus vai mandar, vem para os discípulos, não para o mundo. O evangelista João nos apresenta uma oposição entre os discípulos e o mundo (Jo 14, 19).  Para o mundo, Jesus desaparecerá para sempre (cf. Jo 7,34; 8,21), para os discípulos não. Por isso, os discípulos receberão o Espírito Santo e o mundo não. No amor a Jesus está o querígma, o anúncio central da nossa fé. Do amor maior, o “Ágape” “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo, 15,13), que procede do Pai e do Filho e permanece no Espírito Santo.
A ressurreição, a Pascoa do Senhor, é o grito, por todo e sempre, da vida que vence a morte. Na ressurreição está ancorada e centrada a Fé cristã. Por isso, o discípulo-missionário, não pode ter medo, mas com a força da fé, anunciar com alegria o Reino da Vida.

Para refletirmos: É a Ação do Espírito Santo que nos capacita e nos envia para a Missionariedade; Será que como catequistas e evangelizadores, estamos seguindo este Caminho, proposto por Jesus? Em nossa Comunidade e no Caminho catequético, estamos levando e dando testemunho aos nossos catequizandos a seguirem o caminho de viver o Mandamento do Amor? 


Pe. Aparecido Neres Santana, Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de Abril 2017 - Pe. Aparecido Neres Santana

Páscoa: o discípulo missionário anuncia a vitória da vida
sobre a morte.



A partir do Domingo da Páscoa da Ressurreição, do Evangelho de São João 20, 1-9, refletiremos sobre o Mistério Pascal do Senhor Jesus. O início do Evangelho diz: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus” (Jo, 20,1). São João salienta a importância do “primeiro dia da semana”. Este dia tornou-se o “Dia do Senhor”, o domingo Cristão (cf. Ap 1,10). Com isso, ele nos remete ao relato da Criação em Gênesis, no “primeiro dia”, em que Deus criou o mundo (cf. Gn 1, 1-8). Nesta relação da Criação de Deus com a Ressurreição de Jesus, podemos ver que, em Cristo, somos nova criatura. Deus recria em Jesus a pessoa nova, o novo Adão. O dia da Ressurreição é o ‘dia dos dias’: “Este é o dia que o Senhor fez, exultemos e alegremo-nos nele!” (Sl 117,24). O segundo ponto a destacar é a palavra “túmulo” (que aparece sete vezes), e o verbo “ver” (que é citado quatro vezes). Vejamos: “túmulo vazio” aparece, primeiramente, como incredulidade dos discípulos, como falta de fé da comunidade e de não entendimento das “Escrituras” (Jo 20,9). Depois, num segundo momento, como ‘iluminação’: “O outro discípulo... entrou ao túmulo. Ele viu, e acreditou” (Jo 20,8). Sim! É a certeza incontestável da Ressurreição do Senhor Jesus. É a certeza de que os algozes - isto é, os poderes político, econômico e religioso -, que crucificaram o Senhor, não venceram. Que o “túmulo” agora vazio não significou a derrota nem a última palavra, porque a última palavra é de Deus. Nesta perícope tanto o “ver” de Maria Madalena - mesmo que demonstrando uma fé incipiente e tímida, com a afirmação “retiraram o Senhor do sepulcro” (Jo 20,2) -, quanto o “ver” do discípulo amado e do apóstolo Simão Pedro - “que entrou no túmulo, viu e acreditou” (Jo 20,8) -, mostram como a Comunidade vai, aos poucos, tendo a certeza de que Jesus havia ressuscitado de fato, e crescendo na fé, iluminada pela novidade da Ressurreição. Neste contexto, Maria Madalena passa a ser a primeira anunciadora da ressurreição de Jesus. Portanto, celebrar a Páscoa é celebrar a Vida que vence a morte! A Páscoa é o dia do discipulado missionário, de sair e anunciar a alegria da Vida que vence a morte! Ademais, a fé cristã nos impulsiona a “sair” (somos uma Igreja em “saída”), “ver” Jesus nos crucificados de hoje (Mt, 25,31ss) e como discípulos missionários nos colocarmos ao seu lado e gritar que o Reino de Deus e da “Vida” é para todos (Jo 10,10). Para refletirmos: Como e onde percebemos os sinais de Cristo Ressuscitado na vida pessoal, na comunidade e na sociedade? Mesmo diante das dificuldades da vida, conseguimos encontrar, na Ressurreição de Jesus, ânimo para nossa vida pessoal e missão evangelizadora? Ou vivo uma eterna “sexta feira da paixão”?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de Março de 2017 - Pe. Aparecido Neres Santana 

Encontro querigmático de Jesus com a Samaritana leva à Missão

O Evangelho do 3° DTQ relata o encontro de Jesus com a samaritana. É um encontro querigmático. Este texto é um dos mais dramáticos do Evangelho de São João, que tem como personagens Jesus, o narrador, a Samaritana, os discípulos, e o poço de Jacó, “simbolizando” o Antigo Testamento, além dos habitantes da cidade de Samaria. Jesus pôs de lado alguns preceitos e costumes muito arraigados na cultura judaica daquele tempo, ou seja: um Judeu não podia conversar com uma mulher em público e, muito menos com uma estrangeira, considerada pagã, portanto, impura. Por razões históricas, os judeus não se davam com os samaritanos. Para um judeu não havia ofensa maior do que ser comparado a um samaritano. Jesus quebra paradigmas! Ele vai utilizar um outro caminho que os judeus não costumavam usar. Depois, conversa com a mulher estrangeira, pedindo-lhe água: “Uma mulher da Samaria chegou para tirar água. Jesus lhe disse: ‘Dá-me de beber’” (Jo 4,10). Podemos ver que aqui é o Mistério de um Deus que pede, para poder dar. O Mistério está em poder conhecer quem é Jesus: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que diz: ‘Dá-me de beber’, tu é que pedirias e ele te daria água viva” (Jo, 4,10). O texto nos mostra que a verdadeira fé surge quando alguém se encontra, verdadeiramente, com Jesus. Após este encontro com Jesus, a Samaritana deixa o cântaro e vai, como discípula, anunciar na Samaria, que havia encontrado o Messias. Jesus mostra que a salvação não era somente para um povo, os judeus, mas para todos os povos. E mais: que Deus pode ser adorado em qualquer lugar, o que importa é que seja em “espírito e em verdade” (Mt 4,24b).

Reflexão: O discípulo missionário é aquele que traça um outro caminho para encontrar as “ovelhas” afastadas e dar de beber a água viva que é Jesus. Você pede desta água viva a Jesus? Você dá desta água viva ao outro?


Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Fevereiro 2017 



O Discípulo Missionário caminha nos trilhos do amor a Deus e ao irmão


Nossa reflexão continua no caminho da Missionariedade, no contexto do Evangelho de Mt 5, 17-37, do 6° Domingo do Tempo Comum, quando, após o Sermão do Montanha (as Bem-Aventuranças), Jesus começa a instruir os Apóstolos sobre as Escrituras (AT): “Não penseis que vim revogar a lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento...” (Mt 5, 17-19). Aqui temos - de um lado -, muitas pessoas, grupos (como os Fariseus, e os Escribas), que queriam que Jesus seguisse a “Torah”, isto é, a Lei, ao ‘pé da letra’, com uma interpretação meramente legalista, intimista da lei divina, observando as “Mitvot” (os seus 613 mandamentos). E, de outro lado, aqueles que gostariam que Jesus deixasse de lado toda Lei Antiga - de Moisés aos Profetas-, e desse um ensinamento novo, rompendo com a tradição rabínica e o passado. Neste embate de como cumprir a Lei e os Profetas, Jesus coloca no centro o amor ao próximo, à pessoa humana, à vida. O cumprimento pleno da Lei ocorre quando se pratica a justiça: “Eu vos asseguro que se a vossa justiça não exceder a dos Escribas e a dos Fariseus, não entrareis no reino dos céus” (Mt 5,20). Para Jesus o discípulo deve superar a prática dos Mestres da Lei e dos Fariseus. Para Ele, o Discípulo não deve somente cumprir preceitos e normas. Jesus fala do Pai, a partir da vida: “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10). A defesa da vida é mais importante do que a Lei. Aliás, nas Sagradas Escrituras, as leis são para a proteção dos mais pobres, entre os pobres, simbolizados em muitos momentos nas viúvas e nos órfãos. Assim, para Jesus, dos dois maiores mandamentos - “a Deus e ao próximo” -, “dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,40).

Reflexão: Na nossa sociedade consumista, em que as pessoas são coisificadas e descartáveis (por isso a cobiça e as mortes); onde são consideradas simples objetos; onde a vida humana, o pobre e a mulher são tratados como ‘coisas de pouco valor’, como o Discípulo Missionário deve superar essa lógica discriminatória e de morte? Como entrar na lógica do “amor ao próximo, como a si mesmo” e da defesa da vida?


Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Janeiro 2017 


Missionariedade, manifestação de Deus para a humanidade.

Missionariedade, manifestação de Deus para a humanidade Iniciando o Ano Novo Civil, nossa reflexão segue dentro do contexto do Evangelho de Mateus 2, 1-12 - com a celebração da Epifania do Senhor (do grego: ‘epiphaneia’: “a manifestação; um fenômeno miraculoso”), que tem uma ligação muito forte com a Missionariedade da Igreja. Celebrar a Epifania do Senhor, nos faz lembrar a missão evangelizadora da Igreja, que é levar a Palavra de Deus, guiados pelo Espírito Santo, para iluminar e atrair todas as pessoas ao encontro do Senhor que veio nos visitar. O tema central do texto é a manifestação divina (Epifania) destacada na pergunta, “onde está o Rei dos Judeus recém-nascido?” (Mt 2,2). Ao longo da história, Deus se manifestou de muitas maneiras à humanidade, mas a maior de todas é, por meio Jesus Cristo. Dois outros pontos de destaque são, de um lado, os magos (sábios astrólogos) e, do outro, o rei Herodes. Herodes representa o poder tirânico, (palácio, o projeto de morte, justamente por isso, é que ele, não consegue ver a Estrela (“Herodes mandou chamar secretamente os magos e procurou certificar-se com eles a respeito do tempo em que a estrela tinha aparecido” Mt 2,7). 
A Estrela era interpretada como símbolo Messiânico. Os Magos, representando os povos pagãos, a Universalidade da Salvação. Portanto, os Magos, significam, ainda, uma porta aberta para todos os povos. Assim, podemos entender que o missionário deva ser esta Estrela Guia que, ao ter a alegria da iluminação, ao fazer seu encontro pessoal com Jesus, seja compelido a levá-lo a todas as pessoas, em todos os lugares, mesmo que tenha que seguir outro “caminho”.

REFLEXÃO: 1) Como acolho a manifestação de Deus em minha vida? 2) será que encontrei a Estrada da iluminação, o Caminho desta Luz que é Cristo? 3) Certamente, não é na fila dos Shoppings que encontraremos Jesus, mas no casebre simples da periferia, na Igreja, no irmão que sofre (Cf Mt 25,31ss), em todos ao lugares onde ninguém quer ir ou fi car.

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C

Artigo de Dezembro de 2016 - Pe. Aparecido Neres Santana

O DISCÍPULO MISSIONÁRIO É A LUZ DO SENHOR





Acabamos de iniciar o Novo Ano Litúrgico (Ano A) onde seguiremos o Evangelho segundo Mateus, e ao mesmo tempo no Brasil o Ano Jubilar Mariano, preparando assim, a celebração dos 300 anos do encontro da Imagem da Senhora Aparecida. Porem nosso caminho continuará a temática da Missionáriedade, contemplando a intercessão de Maria, a mãe que espera o menino Deus, “O Verbo Encarnado”. Nossa reflexão, segue no contexto do Evangelho de Mateus 11, 2-11 – do 3° domingo do advento, conhecido como domingo Gaudete – Alegrai-vos! “Alegrem-se o deserto e a terra seca..., ele vem para vos salvar” (Is 1.4).
O Texto se desenvolve partir da pergunta de João Batista, que envia seus discípulos a Jesus, com a indagação – “Es tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” Jesus responde-lhes: ‘Ide contar a João o que estais ouvindo vendo: os cegos recuperam as vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados’ (Mt 11, 3-5). A resposta de Jesus não é apenas teórica, como faziam os rabis e os doutores da Lei, mas prática, a partir da Vida real. É do seio da vida que percebe e reconhece o Messias. É com os olhos e os ouvidos, que O vemos no irmão chagado, ouvindo seu clamor que brada aos Céus. Ouvir e ver Jesus, não tanto com os olhos físicos, isto também é importante, mas com os olhos da fé.
João Batista, aparentemente demonstra uma certa dúvida em relação ao Messias, “Es tu aquele que há de vir...?”, talvez porque esperasse também como os demais um Messias triunfalista? Mas Jesus aponta os sinais da chegada do Reino Messiânico, que é curar evangelizar, a partir dos pobres. Segundo, a nossa missão é fazer com que, as pessoas, sejam evangelizadas e vejam Jesus no irmão que sofre.  Por isso, o discípulo missionário, ouvindo e vendo as dores do irmão, ele cura as chagas da vida.
Para refletirmos: Olhando para nós mesmos – estamos também compactuando, com as cegueiras, da sociedade consumista, especialmente neste tempo do Natal, onde o mais importante é comprar de presentes, comidas e bebidas, do que ver e ouvir as necessidades do irmão? 

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de novembro 2016 - Padre Aparecido Neres Santana - Diocese de Santos

O discípulo missionário permanece firme na fé

Estamos nas vésperas do termino do Ano Litúrgico C, (será na Festa de Cristo Rei, no dia 20/11), quando encerraremos também o Ano da Misericórdia. Iniciamos, então,  o Ano Litúrgico A, e na Igreja do Brasil, o Ano Santo Mariano, celebrando os 300 anos do encontro da imagem da Senhora da Conceição Aparecida.
 Novos tempos! Tempos de mudanças! Tempo de “dar razão da vossa esperança” (1Pd 3,15). É neste contexto, que refletiremos o Evangelho de Lucas 21, 5-19.  
Jesus entra pela última vez no Templo de Jerusalém, símbolo da antiga aliança, que foi destruído no ano 70 d.C.  O Templo era sempre do Rei e o centro religioso da vida judaica. Com sua beleza esplendorosa chamava a atenção. No Templo girava os poderes: religioso, econômico e político, isto é, a vida dependia totalmente do Templo. A partir do olhar para Templo, Jesus, olha para o mundo, e faz um discurso escatológico do fim, não somente do Templo, como do mundo, apresentando várias realidades catastróficas, numa linguagem apocalíptica: guerras, revoluções, terremotos, fomes e pestes. É o fim de uma época do plano salvífico, é uma virada no plano de Deus. “Antes, porém, que essas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos” (Lc 21,12), mas, “É permanecendo firmes na fé que ireis ganhar a vida” (Lc 21, 19).
Jesus, prepara os apóstolos, para que, ao se depararem e enfrentarem essas realidades, não desanimem, principalmente quando forem perseguidos e colocados na prisão. Passados dois mil anos, olhando para o mundo hoje, vemos tudo isso acontecer.  Por isso, mesmo diante da destruição e da desgraça, dos grandes sinais do fim do mundo, o missionário não precisa ter medo, mesmo porque o fim de uma realidade de morte, para o cristão, é o início de uma nova realidade de vida, de um mundo novo! Jesus, e os discípulos, estão apontando para esse mundo novo. Importante é perseverar firme na fé, sempre acreditando, que a partir do anuncio da Palavra de Deus, poderemos destruir sim, o mundo velho, e todas as realidades de morte, para que renasça a vida, um mundo novo. É a Pascoa: a passagem da morte para a vida em toda a sua plenitude. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). 
Para refletirmos: Diante de tantas mudanças de época: conflitos, misérias, doenças, guerras e falsos profetas. Ainda acreditamos, que e a partir da fé perseverante, que poderemos, sonhar e buscar, como discípulos missionários este mundo novo?    
Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C 

Artigo Pe. Aparecido Neres Santana, outubro 2016.

Missionariedade: A fé que salva.


A espiritualidade do discípulo missionário nasce do amor, da compaixão de Deus Pai, revelada em Jesus, que salva a pessoa humana na totalidade, isto é, cura o corpo e a alma (cf. Lc 17,13 : “Jesus, mestre, tem compaixão de nós!”). Vamos no texto Bíblico do 28° DTC, em Lc 17, 11-19, onde Jesus cura dez leprosos, dentre eles um Samaritano, que volta e se ajoelha para agradecer. Primeiro, chama a atenção o fato de os leprosos aproximarem-se de Jesus. Isto não era concebível naquele tempo! Segundo, os judeus e os samaritanos não se davam, no entanto, os dez leprosos (nove judeus e um samaritano) estão juntos pela exclusão, pela sobrevivência. Pela Lei, os leprosos eram excluídos do convívio da comunidade, porque além da doença física havia a espiritual, e eles eram considerados pecadores, o que significava duplo castigo. Eles ficavam fora das cidades, nas montanhas, com um sino no pescoço, para ninguém se aproximar. Podiam voltar ao convívio da comunidade se fossem curados e, somente após a cura, deviam apresentar-se aos sacerdotes (“Ide, mostrais-vos aos sacerdotes”), que lhes davam a garantia da cura. A tônica do texto está na volta do estrangeiro, um samaritano, para agradecer e dar glória a Deus (assim como Naamã, o Sírio, em 2Rs 5,15). Jesus questiona, fazendo a tríplice pergunta: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão?” Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro? O samaritano, que volta e se joga aos pés de Jesus, glorificando a Deus em alta voz, obtém, não somente a cura física, mas também a cura espiritual, ele é curado na totalidade. E disse-lhe Jesus: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. O que Lucas quer ressaltar, talvez mais do que a cura da lepra e a gratidão, é a fé que salva, a importância de voltar-se para Jesus. “Voltar” é um verbo que indica a conversão, de tornar-se discípulo de Jesus, que é a fonte da vida.

Reflexão: Hoje são tantas as lepras que atingem as pessoas, na sociedade em que vivemos: as doenças, as drogas, vícios, a fome de poder e de sucesso, corrupção, desemprego, entre outros. Como curar todas as lepras? Em nosso Plano Diocesano de Evangelização, encontramos na Urgência 5 vários projetos que ajudam a curar as pessoas. Como colocá-los em prática? Vamos dar uma olhada?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C


Artigo de setembro de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana

MISERICÓRDIA: CORAÇÃO DA MISSIONARIEDADE

Na trilha da MISSIONARIEDADE daremos ênfase, no amor misericordioso de Deus-Pai, que é como deve ser o amor misericordioso de todo discípulo-missionário. No texto bíblico do 24° DTC, Lucas 15, 1-32, apresenta, as três das parábolas sobre a bondade acolhedora de Deus, que alcança o ponto alto, na parábola do “filho prodigo”. O Deus que olha com ternura do coração para a miséria humana. O binômio perdido e encontrado nas três parábolas, mostram o tema da alegria e do amor-misericordioso de Deus Pai em Jesus. A centralidade está no discípulo acolhedor e no discípulo que se fecha no legalismo da Lei judaica (irmão mais velho), excluindo os pecadores do banquete da vida, isto é da comunidade. Nas duas parábolas gêmeas, isto é, da “ovelha perdida” (14,4) e da “moeda de prata” (15,8), o tema é o da alegria por encontrar a vida em Deus. A alegria do pastor é a alegria de Deus, é festa no céu, por encontrar a ovelha perdida. O gesto é muito forte, procurar a ovelha, encontrando-a, colocá-la nos ombros, e carregá-la com alegria de volta. Assim deve ser a postura do discípulo, ir atrás de todos os afastados da comunidade. Na mulher que tem dez moedas e perde uma, talvez essa moeda fazia parte do seu dote, (valor), perdendo a moeda, estava perdendo, não um valor monetário, mas a chance de casar-se. E por último, a parábola do “filho prodigo”. A centralidade da parábola, não está no desperdício de bens materiais, pelo filho mais novo (novos cristãos), mas sobre o amor misericordioso do Pai para com os dois filhos. Toda a iniciativa é do Pai, acolhe o que estava perdido, abraça, coloca anel no dedo, e faz festa. Conversa com o filho mais velho (Judeus, fiéis da comunidade), que também estava, precisando da misericórdia de Deus-Pai, para participar da alegria do reencontro, dos que estavam afastados da comunidade dos discípulos-missionários. Para refletirmos: No contexto do Ano Santo da Misericórdia e do Mês da Bíblia, deveria ser vivida e recomendada, a prática da meditação diária, ou ao menos duas ou três vezes por semana, além da Lectia Divina. Não se pode ficar somente na teoria literária e explicativa, é preciso sentir as parábolas, colocando-se em pessoa dentro dela. - Será que agimos como o filho mais novo e abandonamos o Pai e a sua casa? Como estamos reagindo com aqueles (as) que retornam à casa do Pai?


Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C

Artigo de agosto de 2016 - Pe. Aparecido Neres Santana

VOCAÇÃO MISSIONÁRIA–CHAMADO AO DISCIPULADO


“De todos os cantos e de todos os jeitos, somos catequistas!
Nossa missão é sermos missionários”.
Parabéns Catequistas!

Neste Artigo, ênfase é à Vocação Missionária. Até porque, toda vocação, partindo do paradigma cristão, deve ser missionária. Neste mês de agosto, celebraremos nos domingos, os chamados bem específicos: aos Sacerdotes; à Família; à Vida Consagrada e Religiosa e aos Leigos(as).
No Evangelho do 20° domingo, Jesus afirma – “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso” ... e a “divisão” (Lc 12, 49-51). Nesta última etapa da vida terrena, Jesus fala em “lançar fogo sobre a terra”. Primeiro, O fogo é o símbolo do Espírito Santo (At 2, 3-4), que queima os corações com o ardor missionário, faz apaixonar-se pela missão. Como também a imagem do batismo (Lc 3,16).  Segundo, há que se tomar partido pró ou contra Jesus, isto é, pró ou contra, os mais pobres, pró ou contra o Reino, pró ou contra a vida. A pessoa chamada a seguir Jesus, o discípulo-missionário deve fazer opção pelo Reino de Deus. Fazer opção é deixar as práticas antigas, seja políticas, econômicas e especialmente as religiosas do judaísmo. Terceiro, a “urgência” do Reino, “como gostaria que já estivesse aceso”, é o tempo da decisão, sem possibilidades de adiamentos e demoras, como afirma o Papa Francisco – “É vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo” (EG 23).  
Finalmente, nos evangelhos, o chamado de Jesus não é coisa de um só momento, mas para a vida toda. Acolher o chamado exige, renúncia, decisão e compromisso. Mas a tônica do chamado, não está na renúncia, mas no amor que dá sentido à vida. Ademais, não importa a pastoral ou movimento em que participe, o cristão é missão (?). A vocação é sempre missionária, o chamado é pra missão.
Aprofundamento: Será que estou entendendo o real significado do “lançar fogo sobre a terra” de Jesus, que faz brotar em mim, uma vocação madura, me tornando um verdadeiro discípulo missionário seguidor de Jesus?













Artigo de julho de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana



O missionário se faz próximo do necessitado


Continuamos nossa reflexão ainda no trilha da missionariedade. Até porque não há outro caminho para o cristão, a não ser calçar as sandálias, “cingir os rins” (posição e disposição de discípulo) e “pé na estrada”, conforme Lc 10, 25-37, do 15° Domingo do Tempo Comum. Nesta parábola do Bom Samaritano - com a pergunta provocativa do doutor da lei: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” - Jesus responde, perguntando sobre a Lei. A resposta é correta: "Amar a Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo!" (10,27). A frase vem do Deuteronômio (Dt 6,5) e do Levítico (19,18). Jesus aprova a resposta e diz: "Faze isto e viverás!” (10,28). Para justificar-se, o doutor da lei continua a provocação, perguntado: “E quem é o meu próximo?” Jesus responde, dando como exemplo, para o doutor da lei, um Samaritano, que era desprezado em todos os níveis pelas leis judaicas, especialmente na questão religiosa. Ele vê o homem caído na beira da estrada, chega perto, toca, cuida das feridas, e o coloca numa pensão, assumindo toda responsabilidade. Não foram os “religiosos” - o sacerdote e o Levita, que também viram o homem caído, mas passaram adiante -, que se tornaram próximo. Eles não podiam “se contaminar”, tinham pressa pra chegar ao Templo. Mas o Samaritano, o desprezado, sentiu compaixão e ajudou o homem caído. Por isso, ele se fez próximo. O próximo não está somente ligado à raça, ou ao clã como no Judaísmo. O próximo é sempre o irmão necessitado como diz o Documento do Vaticano II (1404), onde se lê: “Em nossos dias, ainda é maior a necessidade de considerar os outros nossos próximos e servi-los de maneira eficaz, quer se trate de idoso abandonado, do trabalhador migrante desprezado, dos exilados, das crianças sem família, dos injustamente perseguidos, dos que passam fome, de todos que nos interpelam a consciência, lembrando a palavra do Senhor: ‘Todas as vezes que o fizeste a um de meus irmãos pequeninos, a mim fizeste (Mt 25,40)’”. O próximo é a revelação de Deus para mim. Conversão pessoal e pastoral: 

Qual é a minha atitude, quando me deparo com meu próximo caído no chão, vítima de uma sociedade preconceituosa? Será que estou enxergando e tendo a coragem de ir ao encontro, acolhendo-o como verdadeiro missionário; tocar nas feridas, tanto da sociedade, como do irmão, sentir o sofrimento ou a dificuldade que o meu próximo está vivendo?

Pe. Aparecido Neres Santana - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C









Artigo de junho de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana
Comunidade de discípulos, lugar do amor e perdão.

Em continuidade ao ‘caminho do discipulado’, apresentado nos últimos artigos, refletiremos neste à luz do Evangelho de Lucas 7, 36-50, referente ao 11° Domingo do Tempo Comum. Este Evangelho nos apresenta uma cena querigmática bastante forte: “Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora... trouxe um frasco de alabastro com perfume, e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com perfume” (Lc 37-38). Esta mulher tomou a decisão de encontrar-se com Jesus. A ação é toda dela. O ato de ajoelhar-se (postura de pecadora) mostra a confiança total, no perdão de Jesus. Jesus a acolhe dizendo: “Os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela mostrou muito amor” (Lc 7,47). A rigor, Jesus quebra a regra do legalismo religioso. Na lei judaica o homem não podia falar com uma mulher, e menos ainda com uma pecadora publica, isto é, uma prostituta. Jesus provoca respostas fortes de amor, como na parábola do Filho Pródigo, onde o Pai não pergunta pelos pecados do filho, mas o acolhe com beijos (Lc 15,20), assim também Jesus não faz questionamentos! E mais surpreendente ainda, Jesus a coloca como exemplo para o religioso Simão, que se achava um “homem justo”, ele que era Fariseu (que quer dizer separado, que não se mistura, que discrimina segundo o legalismo da lei judaica do puro e impuro). Jesus o adverte: “Ela me banhou os pés, enxugou-os com os cabelos, beijou meus pés e ungiu com perfume, e você não fez nada disso” (Lc 7, 44-46). Percebemos assim a importância, na comunidade dos discípulos, de não se fechar, de não excluir ninguém e não julgar – “Se ele soubesse que é uma pecadora...” (Lc 7,39) - mas acolher por inteiro o outro, no sentido de deixá-lo assumir tarefas na comunidade, de estar sempre a serviço para “lavar, banhar e enxugar os pés”, ter sempre a postura de servo, do discípulo-missionário. Acolher o irmão mais novo, que chega na comunidade, é abrir não somente a porta do templo, mas de “ajoelhar-se e beijar-lhe os pés”, abrir-lhe a porta do coração e fazê-lo irmão, discípulo missionário.

Aprofundamento a partir da palavra de Deus: Somente a pessoa que se sente amada, acolhida e perdoada é capaz de assumir atitudes novas em sintonia com o Projeto de Jesus (Cf. Lc 4,16ss). Diante dessa temática, analisando nossa vivência comunitária, qual é a real situação em que nos encontramos: nossas atitudes são da mulher pecadora que se converte ou de Simão, o Fariseu? E em nossa comunidade, quais são as atitudes que mais causam exclusão nos dias de hoje?


Padre Aparecido Neres Santana, CSS - Assessor Eclesiastico da Comissão para à Animação Bíblico-Catequetica Diocese de Santos



-------------------------------------------------------------------------------------------

Artigo de Maio de 2016 - Pe. Aparecido Neres Santana

Pentecostes: Discípulos com a força do Espírito Santo

Começo este Artigo, com o envio missionário ordenado por Jesus: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio, recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 21-22). No tempo em que estamos vivendo, isto é, no hoje da nossa história, “Kairós”, é o “dia de Pentecostes”. Pentecostes é a realização plena no processo salvífico do Mistério da Santíssima Trindade, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. É a Unicidade divina das Três Pessoas: “a Família Trinitária”. Unidade de um despojamento e entrega total, sem ciúmes ou reservas. O Pai entrega tudo ao Filho, menos o fato de ter gerado o Filho. O Filho, por sua vez, entrega tudo ao Pai, menos o fato de ter Sigo gerado pelo Pai. O Pai e o Filho entregam tudo ao Espírito Santo, menos o fato de que o Pai e o Filho, espiram o Espirito Santo. Relação de amor pleno e entrega total.
“No Pentecostes, o Espírito faz os Apóstolos saírem de si mesmos, transforma-os em anunciadores das maravilhas de Deus... o Espírito Santo infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia...” (EG 259). “...animados pelo Espírito Santo, Espírito vivificador, alma e vida da Igreja. Ele, que foi derramado em nossos corações, geme e intercede por nós e com seus dons nos fortalece em nosso caminho de discípulos missionários” (DAp 23).  
Pentecostes, com a linguagem do Amor e da unidade, dos humildes, simples, dos pobres de Javé, que penetra o coração e a alma, esta alicerçado no Projeto de Jesus (Lc 4, 16ss), na construção do Reino da Vida. Portanto, Pentecostes, se contrapõem, a Torre Babel, (Gn 11, 1-9), no sentido da múltipla linguagem, da dispersão, do império excludente, do ódio, da exploração dos mais pobres, especialmente dos camponeses.
         Portanto, neste dia (tempo) em que vivemos é por excelência o “dia da Missão”. É o dia de abrir as portas da Igreja, do coração e, sem medo, sair e anunciar, com a guia do Espírito, o Cristo Ressuscitado, gritar bem alto que a Vida vence a morte. Tempo de destruir todos os sinais de morte e anunciar o Reino da vida. É  tempo da missão, da Igreja em saída missionária. Não tenha dúvida de que você é chamado e enviado a levar adiante, com e na comunidade eclesial este Projeto de esperança e vida.
         Aprofundamento a partir da Palavra de Deus: Na Solenidade de Pentecostes, vamos refletir os versículos de Jo 20, 21-22. Será que, realmente, estou vivendo o meu Batismo, me deixando ser transformado pelo Espirito Santo, para ser anunciador dos ensinamentos de Jesus, em minha comunidade e em meus trabalhos catequéticos?

-----------------------------------------------------------------------------------


Artigo de Abril de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana,CSS



Caminho Pascal do Discipulado

Queremos neste Artigo, em continuidade com o de março, finalizado com o Evangelho “Eu sou o caminho a verdade e a vida” (Jo 14,6), mostrar que a vida do cristão-discípulo, não se resume a alguns momentos, especialmente daqueles celebrativos, mas percebê-la como um processo, um itinerário permanente. Pascoa é o tempo do discipulado por excelência, da vitória da vida sobre a morte. Não é o caminho dos derrotados - volta para casa, como os discípulos de Emaús -, mas é o caminho alegre, da certeza do encontro com o ressuscitado, como testemunhas fiéis do amor de Deus.  É o tempo da Luz resplandecente, que dissipa as trevas da morte e do pecado. É o tempo de missão, de descobrir e fazer o Caminho. E tempo de superarmos os nossos medos, de abrirmos as portas e colocarmo-nos no Caminho: “Ao anoitecer daquele dia, ...estando fechadas as portas por medo dos judeus” (Jo 20,19), vencendo a apatia e o comodismo.
No Livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos a palavra Caminho com letra maiúscula, várias vezes: “...com mais exatidão, expuseram-lhe o Caminho” (At,18,26); “Alguns... falavam mal do Caminho”, (At 19,9); “Houve um tumulto grave a respeito do Caminho” (At, 19,23); “Persegui de morte este Caminho” (At 22,4);” ...é segundo o Caminho, a que chamam de seita, que eu sirvo ao Deus de meus pais” (At 24,14). Como vemos, os Apóstolos, os Discípulos, os primeiros Cristãos, entendiam “Caminho”, como viver e anunciar o Evangelho. Constatamos, que, a    Igreja em “Saída”, apontada pelo Papa Francisco, é uma Igreja que está no Caminho da missionariedade, do Ser/Fazer discípulos, com a mesma força dos primeiros cristãos.
É por essa razão que a Igreja, destaca em seus documentos, a formação dos cristãos em todos os níveis, especialmente na Catequese Permanente, com Inspiração Catecumenal e para a missão. Ademais, neste tempo Pascal, tempo da missão, o Papa Francisco afirma que, “Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo a ação do Espírito Santo” (EG 259). Com coragem, devem ir as periferias humanas e sociais, e tocar nas “chagas de Cristo” (Mt 25, 31-46), no irmão que sofre.
Reflexão e aprofundamento: Implementar a Catequese de Inspiração Catecumenal é um trabalho em conjunto com toda a comunidade eclesial. Sua comunidade já está seguindo este trabalho em conjunto? E você, está aberto a seguir este caminho, aceitando as novas propostas para enriquecer suas experiências pessoais ao acolhimento missionário e assim trabalhar para o Reino de Deus?


Desejamos a todos que estão no Caminho uma feliz Páscoa!

Padre Aparecido Neres Santana, CSS 
Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C Diocese de Santos- SP


------------------------------------------------------------------------------------------------------





Artigo de Março de 2016 - Padre Aparecido Neres Santana,CSS

Cristão: Identidade do discípulo Missionário

Começo este Artigo com algumas questões em relação à “identidade” do cristão. O que é ser cristão? À priori, a pergunta parece ser de fácil resposta. Seria seguir Jesus Cristo? Como? É o mesmo que ser discípulo? Na literatura bíblica, no primeiro século da Era Cristã, os cristãos eram chamados de “Nazarenos”. O nome “cristão” surge pela primeira vez na cidade de Antioquia em referência aos discípulos de Jesus. “E foi em Antioquia que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados de “cristãos” (At 11,26b). E, “Ainda um pouco e, por teus raciocínios, fazes de mim um cristão” (At 26,28), pediu o rei Agripa. E finalmente, o termo aparece em 1Pedro, “mas se sofre como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus por esse nome” (1Pd 4,16). Vemos que a “identidade” do cristão, ou o “DNA” (como diríamos hoje) está ligado a Jesus Cristo, à sua Pessoa, à sua Missão. Por isso, ser, ou tornar-se cristão, diz o Documento de Aparecida “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, é com isso, uma orientação decisiva” (DAp 243). Diz ainda, que “a própria natureza do cristianismo consiste, portanto, em reconhecer a presença de Jesus Cristo e segui-lo” (DAp 244). Portanto, ser cristão, primeiramente é encontrar-se com a Pessoa de Jesus, na totalidade do seu Ser. Segundo, assumir por completo a missão do cristão, que é ser discípulo missionário. Aí está a “identidade” do cristão, como diz o Papa Francisco: “A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida... É algo que não posso arrancar do meu ser, se não quero me destruir... Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo” (EG 273). Entende-se que identificar-se e ser imitadores de Cristo, como aponta o Apostolo Paulo, é ser, fazer e refazer a vida a partir do paradigma missionário, de levar Jesus, a Sua Palavra a todas as pessoas, especialmente àquelas que estão vivendo nas periferias sociais e humanas. Finalmente, ser cristão é estar inserido na comunidade dos discípulos, neste encontro de fé e de amor com Cristo e com os irmãos é estar no “Caminho”: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). 

Após refletir este texto, eu me questiono: será que sou (identidade) um verdadeiro cristão? Se tenho este DNA de cristão, realmente estou assumindo ser um discípulo missionário, seguidor de Jesus Cristo, em e com toda a minha vida e principalmente em minha comunidade?

Pe. Aparecido Neres Santana,CSS - Assessor Eclesiástico da Comissão Ab-C


--------------------------------------------------------------------------------------




Artigo Fevereiro - 2016 Padre Aparecido Neres Santana CSS - Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C.



Ele está no meio de nós!


              Ainda na Trilha do discipulado, Jesus dá a garantia da sua presença no meio dos discípulos – “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”! (Mt 28, 20b). Refletimos, nos dois últimos Artigos, sobre o mandato final do ressuscitado: “Fazei discípulos, batizai e ensinai”. Agora, nestas últimas palavras no Evangelho de Mateus, Jesus garante que estará presente por meio do Espírito Santo, na vida e nos corações dos seus seguidores, animando-os em todos os sentidos.
              É a mesma garantia de Deus a Moisés, quando o envia em missão para libertar o povo da escravidão no Egito: “Eu estarei contigo” (Ex. 3, 12a). Ou ainda, quando anuncia pela boca do profeta Isaías (7,14): “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho (celebramos no Natal), e o chamarão com o nome de Emanuel, o que traduzido significa ‘Deus conosco’” (Mt. 1, 23).
           Em Jesus Cristo se realiza a presença permanente de Deus com seu povo. Desta forma  o ressuscitado, garante sua presença continua nas pessoas, principalmente nos pobres, (Cf. discurso escatológico Mt 25, 31-46), e na comunidade dos discípulos(as) – “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18, 20). Como mostra o texto bíblico, essa é uma palavra de promessa, a garantia para os discípulos de que nunca estarão sozinhos. Esta certeza da presença de Jesus com os que são e se tornarão discípulos(as), não é uma palavra isolada, mas ligada e condicionada à obediência do mandato: o que vem antes da garantia da presença, que é “ser discípulo”(a) e “fazer discípulos”(as). 
           Por isso, com a certeza da presença de Jesus, não devemos ter medo, como disse Jesus a Pedro: “Avança para as águas mais profundas e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5, 4). Portanto, o discípulo(a), não pode ter medo e deve sempre, em obediência à Palavra de Deus, fazer mais um esforço, “jogar as redes” mais uma vez, nunca desanimar.
          Finalmente, o discípulo(a), deve estar sempre pronto a deixar o comodismo e sair, como pede o papa Francisco para ser “uma Igreja em Saída missionária” (EG 20), para “pescar”, lançar as redes, isto é, evangelizar, e depois pastorear, “fazer discípulos”(as).  

Perguntas:
1-Diante dessa realidade, temos que nos perguntar: será que estamos percebendo a presença de Jesus em nosso meio? Será que em nossas atitudes cotidianas, estamos realmente fazendo a opção de ser discípulos(as) de Jesus?


Padre Aparecido Neres Santana- Assessor Eclesiástico da Comissão AB-C.


----------------------------------------------------------------------------------------------

Artigo de Janeiro de 2016 


Missionariedade: Missão do Batizado


Neste Artigo, no Ano da Misericórdia, seguimos a sequência do Artigo anterior, que abordou o tema, “Exercitando a Missionariedade”. Queremos assim, continuar a temática, no mesmo caminho, até porque não há outro.
No Evangelho de (Mt 28, 19), onde se lê - “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei”. Destaca-se o binômio, “batizando e ensinando”. Quando a pessoa é batizada, é mergulhada, não somente no símbolo da “agua do batismo”, mas no mar da vida. E mergulhada no Mistério Salvífico de Jesus, passa a fazer parte do corpo místico de Cristo, da Igreja, da comunidade Cristã.
“Batizar e ensinar”, são duas partes do mesmo objeto. Entendemos que, não podemos ficar somente na primeira, isto é, só no ato de batizar, mas deve-se ensinar, instruir, catequizar e formar. A Igreja primitiva vivia essa prática, “batizar e ensinar”: “Disse então o Espírito a Filipe: adianta-te e aproxima-te da carruagem”. Filipe correu e ouviu que o Eunuco, lia o profeta Isaías. Então, perguntou-lhe; “Entendes o que estás lendo? Como, disse ele, se alguém não me explicar!”.
Como vemos “batizar e ensinar”, é estar no caminho do Reino de Deus, é lançar-se como discípulos missionários de Jesus, comprometidos com o Evangelho que nos conduz ao compromisso de batizados, levando a Palavra para o nosso irmão, batizado ou não, porém, que se encontra disperso, sem formação, sem entender a Palavra de Deus, e a Doutrina da Igreja, no sentido religioso, econômico e político, “como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34).
Essa realidade deve arder, queimar, os nossos corações. A liturgia enfoca, tanto no final como no início de Ano, a Epifania com o Batismo de Jesus. Portanto, meus irmãos e irmãs é com este foco, misericordioso, que deixemos a Trindade Santa, manifestar em nossos corações, na família, na Igreja o nosso ser missionário. Feliz Ano Novo a todos.

Perguntas:
Será que estamos levando a sério nossa responsabilidade de evangelizadores Batizados, sendo discípulos missionários de Jesus? Estamos realmente conseguindo levar as pessoas a assumirem Jesus e seu projeto de mundo fraterno e misericordioso onde todos possam viver dignamente?








Artigo Dezembro de 2015 - Padre Aparecido Neres Santana, CSS


Exercitando a Missionareidade




Não querendo mudar o estilo, o método anterior, partimos de um olhar catequético-missionário, do versículo paradigmático (Mt 28,19), que diz “Ide portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulas, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Neste versículo, temos o centro a “Didaquê”, isto é, do ensino, da instrução na Palavra de Deus e da Doutrina Cristã. Aqui está o paradigma-missionário da Sagrada Escritura. A missão consiste em colocar em chave missionaria toda atividade habitual da Igreja Particular, isto é, todas as atividades, de uma forma especial a catequese, seja adulto , juvenil e infantil  deve ter a centralidade na missão.
Recordamos que a Igreja nasce missionária, nas estradas (Atos dos Apóstolos), nas catacumbas, nas casas. Ela não nasce encastelada, fechada somente em um templo, entre as quatro paredes. O Papa Francisco disse: “procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual” (EG). Com toda certeza, não temos outro caminho, está ai a Sagrada Escritura, os documentos da Igreja, todas as Conferencias Episcopais, especialmente a de Aparecida, toda versada, apontando para a missionariedade. 
Portanto, vemos que o DNA da Igreja é missionário, o cristão tem que ter a alma missionária. Por isso, temos que tirar as sandálias do comodismo, da mesmice, da apatia que adoece e enferruja, para colocar as sandálias da humildade e da busca incessante, da perseverança e dos olhos fixos em Jesus peregrino e caminhar com entusiasmo na evangelização de todos.
 Ademais, que neste tempo do Advento, tempo de orar e vigiar deixemo-nos, ser conduzidos pelo Espírito do Senhor, para que o menino Jesus possa fazer renascer a chama da missionariedade em nossos corações. Feliz e Santo Natal.
                                                                                                                                                                                     
1)Quais são as dificuldades em exercer a missionareidade em nossas comunidades?

2)Como colocar todas as nossas atividades em chave missionária?

Padre Aparecido Neres Santana, CSS - ASSESSOR ECLESIÁSTICO para Animação Bíblico – Catequética da Diocese de Santos


Nenhum comentário: